Sábado, Maio 30, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #10

A morte de J. F. Kennedy transformou lançou uma profunda amargura e desencanto, não só nos Estados Unidos da América, como igualmente no país vizinho. Os The Squires tinham agendado um concerto no st. Petre’s Mission no dia em que Kennedy foi assassinado, e Young, ressentido como os acontecimentos, escreveu uma música, um elogio sem palavras, intitulada “White Flower”, um grito de um jovem pela paz. Uma rápida mudança, a nível político e cultural, trespassou pela sociedade, alterando mentalidades em todos os estratos sociais. Estremaram-se os sentimentos, os conservadores endureceram as suas posições, e a juventude contestatária radicalizou os seus protestos. As questões dos direitos civis e a escalada da guerra no Vietname incendiaram uma sociedade americana frágil e dividida.

Na Inglaterra, os Shadows, com os seus temas instrumentais que os mantiveram no topo das vendas e das preferências dos britânicos, começavam a ser relegados por um novo fenómeno, os Beatles. Muitos duvidaram que os quatro músicos de Liverpool conseguissem conquistar a América. Young, tal como a generalidade dos jovens do continente americano, sentia-se esmagado por este novo som vindo do outro lado do oceano. Young decidiu então arriscar a cantar, ou gritar, e expor-se ao possível ridículo, em algumas canções, que incluiu no reportório. “Money” e “It Won’t Be Long” tornaram-se temas de referência nos concertos dos The Squires. A influência dos Beatles e, da invasão britânica que se seguiu, era de tal forma, que a generalidade das pequenas bandas tocava covers dos 4 de Liverpool. Os The Squires não fugiam à regra, tocando temas dos Beatles com uma sonoridade folk. Tudo era permitido, e o desejo dos jovens de ouvir os temas dos Beatles era de tal forma, que acorriam em massa aos concertos de bandas locais que tocassem temas deles. Terá sido num desses concertos, que Young conheceu Joan Anderson, mais conhecida pelo nome que adoptaria mais tarde, Joni Mitchell.

Festival Med, cartaz completo

Mais uma edição de um dos melhores festivais dedicados à "Wolrd Music" em Portugal, realiza-se em Loulé, de 24 a 28 de Julho.

Quarta-feira, 24 de Junho
19h30 - VINTAS TRIO (Portugal), palco Classic
20h00 - LUXARMA ZEN (Portugal), palco Bica
20h30 - LOUNGE'AS TRIO (Portugal), palco Arco
21h30 - RABIH ABOU-KHALIL & RICARDO RIBEIRO "Em Português" (Líbano/Portugal), palco Cerca
21h30 - IBN BATTUTA (Marrocos/Espanha), palco Castelo
22h15 - YIN & YANG (Portugal), palco Arco
23h00 - MORIARTY (EUA/França), palco Matriz
23h00 - RAMUDAH (Portugal), palco Bica
23h45 - MARIÁRIA (Portugal), palco Castelo
00h30 - BAJOFONDO (Argentina), palco Cerca

Quinta-feira, 25 de Junho
19h30 - RUI BAETA E RUBEN ALVES (Portugal), palco Classic
20h00 - SAM ALONE (Portugal), palco Bica
20h30 - ABMIRAM (Portugal), palco Arco
21h30 - ENEIDA MARTA (Guiné-Bissau), palco Cerca
21h30 - DIABO A SETE (Portugal), palco Castelo
22h15 - YIN & YANG (Portugal), palco Arco
23h00 - OJOS DE BRUJO (Espanha), palco Matriz
23h00 - AMAR GUITARRA (Portugal), palco Bica
23h45 - MÚ (Portugal), palco Castelo
00h30 - HORACE ANDY & DUB ASANTE (Jamaica), palco Cerca

Sexta-feira, 26 de Junho
19h30 - ORQUESTRA DO ALGARVE (Portugal), palco Classic
20h00 - NANOOK E OS VAGABUNDOS (Portugal), palco Bica
20h30 - TRIO JOÃO ORNELAS (Portugal), palco Arco
21h30 - DONNA MARIA (Portugal), palco Cerca
21h30 - HRISTOV (Bulgária), palco Castelo
22h00 - ORQUESTRA BUENA VISTA SOCIAL CLUB (Cuba), palco Matriz
23h00 - DUONDE (Portugal/Cabo Verde), palco Bica
23h30 - YIN & YANG (Portugal), palco Arco
23h45 - PHILARMONIC WEED (Portugal), palco Castelo
00h00 - PITINGO (Espanha), palco Cerca
00h30 - DJ CLICK (França), palco Matriz

Sábado, 27 de Junho
19h45 - ORQUESTRA DE SOPROS DE CASTRO VERDE (Portugal), palco Classic
20h00 - MISTURA PURA (Portugal), palco Bica
20h30 - KAZU (Portugal), palco Arco
21h30 - LURA (Cabo Verde), palco Cerca
21h30 - MUTENROHI (Espanha), palco Castelo
22h00 - CAMANÉ (Portugal), palco Matriz
23h00 - OCO (Portugal), palco Bica
23h30 - YIN & YANG (Portugal), palco Arco
23h45 - RASPECT (Portugal), palco Castelo
00h00 - SIBA E A FULORESTA (Brasil), palco Cerca
00h30 - JUSTIN ADAMS & JULDEH CAMARA (Inglaterra/Gâmbia), palco Matriz
01h45 - DJ N'SISTA (Espanha/Brasil), palco Castelo

Domingo, 28 de Junho
19h45 - VIOLINOACORDEÃO (Portugal), palco Classic
20h00 - EDUARDO RAMOS (Portugal), palco Bica
20h30 - SUSANA TRAVASSOS (Portugal), palco Arco
21h30 - ROKIA TRAORÉ (Mali), palco Cerca
21h30 - FILIPA PAIS (Portugal), palco Castelo
22h15 - YIN & YANG (Portugal), palco Arco
23h00 - LA NOTTE DELLA TARANTA FEAT. STEWART COPELAND (Itália/EUA/Grécia), palco Matriz
23h00 - ALMA LUSA (Portugal), palco Bica
23h45 - SON DE NADIE (Espanha), palco Castelo
00h30 - KIMMO POHJONEN UNIKO (Finlândia), palco Cerca

Mais informações na página oficial do Festival Med

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Concerto de Woven Hand no Fade In em Leiria

Ainda não falei do concerto que os Woven Hand realizaram em Leira, no âmbito do Fade In, um pouco por falta de tempo, mas também por ser difícil expressar por palavras o que foi esse espectaculo. Por isso, deixo aqui o video do tema de abertura do concerto, Heart and Soul. A qualidade não é muito boa, mas foi do melhor que encontrei.


Festival de Músicas do Mundo de Sines 09, o programa completo

O cartaz do Festival de Músicas do Mundo já foi divulgado. São 37 concertos, repartidos por nove dias, que se realizarão em Porto Covo e em Sines. O Festival terá lugar entre os dias 17 e 25 de Julho.

Porto Covo:
Dia 17
O'QUESTRADA (Portugal), 21h30
RUPA & THE APRIL FISHES (EUA), 23h00
CIRCO ABUSIVO (Itália), 00h30

Dia 18
VICTOR DÉMÉ (Burkina Faso), 21h30
THE UKRAINIANS (Reino Unido), 23h00
DELE SOSIMI AFROBEAT ORCHESTRA (Nigéria / Reino Unido), 00h30

Dia 19
WYZA (Angola), 21h30
ORQUESTA TÍPICA FERNÁNDEZ FIERRO (Argentina), 23h00
DAARA J FAMILY (Senegal), 00h30

Sines:
Dia 20
MOR KARBASI (Israel / Reino Unido), 22h00, Centro de Artes de Sines
PORTICO QUARTET (Reino Unido), 23h30, Centro de Artes de Sines

Dia 21
CORNELIU STROE & AROMANIAN ETHNO BAND (Roménia), 22h00, Centro de Artes de Sines
CARMEN SOUZA (Portugal / Cabo Verde), 23h30, Centro de Artes de Sines

Dia 22
MAMER (China), 18h30, Centro de Artes de Sines
TRILHOS - NOVOS CAMINHOS DA GUITARRA PORTUGUESA (Portugal), 21h00, Castelo
JANITA SALOMÉ (Portugal), 22h15, Castelo
UXÍA (Galiza), 23h30, Castelo
ACETRE (Extremadura), 00h45, Castelo
L'ENFANCE ROUGE (Tunísia / França / Itália), 02h30, Av. Vasco da Gama

Dia 23
ASSOBIO (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines
NARF & MANECAS COSTA (Galiza / Guiné Bissau), 19h30, Av. Vasco da Gama
HANGGAI feat. MAMER (China), 21h30, Castelo
CHUCHO VALDÉS BIG BAND (Cuba), 23h00, Castelo
KASAÏ ALLSTARS (Rep. Dem. Congo), 00h30, Castelo
RAMIRO MUSOTTO & ORCHESTRA SUDAKA (Argentina / Brasil), 02h30, Av. Vasco da Gama

Dia 24
PAULO SOUSA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines
NJAVA (Madagáscar), 19h30, Av. Vasco da Gama
WARSAW VILLAGE BAND (Polónia), 21h30, Castelo
DEBASHISH BHATTACHARYA (Índia), 23h00, Castelo
CYRO BAPTISTA BEAT THE DONKEY (Brasil / EUA), 00h30, Castelo
CHICHA LIBRE (EUA), 02h30, Av. Vasco da Gama

Dia 25
MELECH MECHAYA (Portugal), 18h00, Centro de Artes de Sines
BIBI TANGA ET LE PROFESSEUR INLASSABLE (RCA / França), 19h30, Av. Vasco da Gama
JAMES BLOOD ULMER (EUA), 21h30, Castelo
ALAMAAILMAN VASARAT (Finlândia), 23h00, Castelo
LEE 'SCRATCH' PERRY (Jamaica), 00h30, Castelo
SPEED CARAVAN (França / Argélia), 02h30, Av. Vasco da Gama

Em breve prestarei mais informações sobre as bandas que participam edição 2009 do FMM Sines.

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Documentário sobre a Rough Trade

A BBC 4 exibiu recentemente um documentário sobre a editora Rough Trade. Conta com entrevistas a Geoff Travis, Daniel Miller, Mayo Thompson, Raincoats, Robert Wyatt, entre outros. Para quem tiver paciência para ver, não dará mal empregue o tempo…


Terça-feira, Maio 26, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #9

Capitulo 2


Em finais de 1962, Neil Young e Koblun juntaram-se ao guitarrista Allan Bates e ao baterista Jack Harper para formar a banda Squires. O quarteto ensaiava na cave de Harper e tocavam peças instrumentais de Link Wray e de Duane Eddy. No entanto, a principal fonte de inspiração residia no outro lado do atlântico, nas ilhas britânicas, os Shadows, cujos temas Apache, Kon-Tiki, Wonderful Land e Dance On eram um enorme sucesso, tendo atingido o número na tabela de vendas britânicas. Os Shadows fizeram pouco sucesso, na altura, nas terras norte-americanas, mas entre a fraternidade de guitarristas de Winnipeg, eram vistos como uma banda de culto. Os Squires incluíram diversos temas dos Shadows de Hank Marvin, no seu reportório. Em Janeiro de 63, a banda apresentou-se ao vivo em diversos bailes de adolescentes, e, ainda nesse mês, Harper deixou a formação, tendo sido substituído por Ken Smith. Seguiram-se diversas aparições no circuito de clubes, tendo feito as primeiras partes de bandas como os Chad Alln & the Reflections. Apesar de todos os apoios recebidos, nomeadamente por parte do baixista Jimmy Kale e do guitarrista Randy Bachman dos Reflections, e que mais tarde viriam a fundar os Guess Who, os Squires não conseguiam dar o salto para voos maiores e finalmente saírem do circuito de Winnipeg. A situação inverteu-se em meados do ano quando a estação de rádio CKRC ofereceu-lhes a oportunidade de efectuarem uma secção de gravação. Dessa secção, resultou na edição de um disco da editora local, V Records, com dois temas instrumentais, “The Sultan” e “Aurora”. A influência dos Shadows era mais do que evidente, mas o mais importante para o quarteto era finalmente terem gravado um disco.

Young, com 17 anos, realizava um sonho, e apaixonara-se por Pamela Smith, sendo um caso bastante mais sério do que as anteriores namoradas. Pamela acompanhava Young na maioria dos concertos, e ainda ajudava a montar o equipamento no palco. A relação durou por alguns meses, tendo Pamela Smith afirmado anos mais tarde que Young era um jovem ambicioso e possuído por grandes sonhos; “Ele tinha uma grande imaginação, parecia que sonhava em voz alta. Ele gostava realmente da natureza e falava muito sobre como seria viver numa ilha. Ele era muito intenso”. Um dos motivos para tal intensidade, devia-se ao facto de Young ter sido informado pelo médico de que poderia vir a sofrer de ataques epilépticos. A relação com Smith durou até finais do ano, mas a ambição musical e, sobretudo, o receio de estabelecer um compromisso mais sério, conduziu a uma inevitável separação.

Rassy, sempre presente na vida de Young, para além de o ter ajudado financeiramente na compra de uma nova guitarra, tornou-se agente e relações públicas da banda, sem cobrar os seus préstimos. Nada era demais para o seu filho. Usando a influência de ser uma figura televisiva, Rassy conseguiu abrir algumas portas à banda, que de outra forma seriam extremamente difíceis de abrir.

While We Were Dreaming, novo video dos Pink Mountaintops

Os Pink Mountaintops têm um novo video, do novo disco, Outside Love, que foi editado no passado dia 5.

Ponto de escuta:
While We Were Dreaming


Segunda-feira, Maio 25, 2009

Fade In com Baby Dee, Born a Lion e Black Bombaim

Baby Dee, é uma das figuras mais controversas e enigmáticas da música alternativa. A peculiar vida desta personagem, já incluiu uma mudança de sexo, é uma das mais requisitadas multi-instrumentistas da actualidade, tendo colaborado com os Current 93, Antony And The Johnsons, Marc Almond, entre outros. Em Leiria, irá tocar harpa, piano de cauda e acordeão. A acompanhá-la, irá estar, o violoncelista John Contreras e o baterista Alex Neilson. O espectaculo realiza-se no próximo dia 5 de Junho, pelas 22 horas, no Teatro Miguel Franco, em Leiria.

No dia 13 de Junho, pelas 23 horas, no Beat Club, em Leiria, decorrerá mais uma sessão do Fade In, desta vez com os portuguese Born a Lion e os Black Bombaim.

Domingo, Maio 24, 2009

Cardápio da semana

Quarta feira, Rokia Traoré, na Casa da Música, no Porto, e no dia seguinte no Lux, em Lisboa. Sábado, dia 30, Wilco em Braga, no Teatro Circo, e em Lisboa, no Coliseu, no dia 31.

Segunda-feira, Maio 18, 2009

Nomes para FMM Sines 09: Actualização

Cyro Baptista, percussionista brasileiro radicado no EUA, vai actuar no dia 24 de Julho, no Castelo de Sines. Cyro é um dos mais respeitados percussionistas do mundo, tendo já trabalhado com músicos como Paul Simon, Yo-Yo Ma, John Zorn, Herbie Hancock, Daniel Barenboim, Brian Eno, Sting, Caetano Veloso, Wynton Marsalis, Jay-Z e Snoop Dogg.

Outras bandas que irão estar presentes no FMM 09:
Alamaailman Vasarat ; Lee "Scratch" Perry ; James "Blood" Ulmer ; Debashish Bhattacharya; Warsaw Village Band ; Acetre ; OqueStrada ; Circo Abusivo ; Kasaï Allstars ; Dele Sosimi ;Victor Démé ; Speed Caravan ; Chicha Libre ; Rupa & The April Fishes; Mor Kabasi; Portico Quartet e Hanggai.

Domingo, Maio 17, 2009

Cardápio da semana

Na segunda feira, dia 18, no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre, actua o projecto Zoetrope. No Porto, Antony and The Johnsons actua no Coliseu. Quinta feira, dia 21, Rodrigo Leão toca no Teatro José Lúcio da Silva em Leiria.

Na sexta feira, Alela Diane toca em Famalicão, Na Casa das Artes, e, no dia seguinte repete o espectáculo em Torres Novas, no Teatro Virgínia. Ainda no dia 22, em Leiria, no Teatro Miguel Franco, no âmbito do festival Fade In, actuam os God is na Astronaut e os The All Star Project. Em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois, tocam Djumbai Jazz & Kimi Djabaté. No âmbito do Out.Fest 2009, sobem ao palco William Basinski + Sei Miguel Melta Music 4 + Cian Nugent. No sábado, é a vez dos Spectrum, Whitehouse, Os Loosers, Tomutonttu, Ducktails. No Porto, no Paços Manuel, tocam os God is an Astronaut.

Sexta-feira, Maio 15, 2009

Out.Fest 2009


Hoje, pelas 16 e 30, tem início a edição de 2009 do OUT.FEST, com uma actuação do saxofonista Peter Bastien no Terminal Fluvial do Terreiro do Paço, em Lisboa. A entrada é livre, e estão todos convidados a testemunhar esta ocasião que se adivinha histórica. No sábado, dia 16, também com entrada livre e também a partir das 16h30, inaugura o espaço que será a sede do festival até ao final do mês, no rés-do-chão da Escola de Jazz do Barreiro.

Neste espaço estarão patentes exposições dos colectivos Hülülülü e Chili Com Carne, e uma vídeo-instalação da artista plástica Joana Linda. A inauguração do espaço será ainda marcada por uma performance para rádio-amadores e outras ocorrências visuais, da autoria de Ana Baliza e Edmund Cook, numa peça inspirada por e dedicada a John Cage.
Entre outros factos ligados à performance, registe-se que desta fará parte um barco em pleno Tejo, na zona da Avenida da Praia, a bordo do qual estará o fantástico Ricardo Martins, baterista dos Lobster, que, por volta das 18h30 actuará também na sede do festival apresentando o seu novo projecto a solo, R-.
Por fim, será exibido o histórico filme do norte-americano Ira Cohen, “The Invasion of Thunderbolt Pagoda”, uma obra-prima da explosão do psicadelismo e do cinema experimental da década de 60, com uma banda-sonora também ela mítica a cargo de Angus McLise e Tony Conrad, entre outras figuras máximas do underground norte-americano da época.

Do cartaz fazem ainda parte, no dia 22 de Maio, William Basinski, Sei Miguel e Cian Nugent. No dia 23, participarão: Sonic Boom, Whitehouse, Looseres, Ducktails e Tomutonttu.


Para mais informações: Out.Fest

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Novo disco dos Wilco em audição streaming


Sim, é um camelo numa varanda... Já se pode ouvir em stream o novo disco dos Wilco.


Ponto de escuta:

Como deprimir os seus bebes...

Hummm… Isto há coisas para as quais uma pessoa não está preparado…É usual dizer “já se viu de tudo (neste caso já se ouviu de tudo) na vida”, mas não… há sempre algo que nos apanha de surpresa… Bem, existe uma série de cd’s com música para embalar bebes com versões de bandas rock famosas, sendo uma delas os Pink Floyd. Pois, saiu recentemente a versão do The Wall… E que melhor maneira existe de tornar uma criança deprimida do que lhe enfiar nos ouvidos desde pequenino canções que dizem por exemplo “Mother do you think they’ll drop the bomb?”, ou, “They're gonna send you back to mother In a cardboard box”, ou ainda “Ooooh, I need a dirty woman.Ooooh, I need a dirty girl”… Por apenas 20 euros, podem comprar Pink Floyd for Babies, e juntamente com alguns LSD’s e uma chávena de melancolia e de cinismo, ajudará os seus filhos a construírem um muro à sua volta desde a mais tenra idade. Já agora apreciem a capa, que é o no mínimo fabulosa…
Ponto de escuta:

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Faust; C'est Com Com Complique

Os Faust estão no imaginário colectivo dos apreciadores do krautrock, ou do progressivo ou do avant-gard, ou como quiserem apelidar a música da formação germânica dos anos 70. Este colectivo caracterizou-se pela busca, e invenção sonora, a par de outras formações suas conterrâneas, como os CAN, os Kraftwerk, os Tangerine Dream, os Cluster, entre outros, sendo no entanto, na minha opinião, a que mais aprofundou o espírito experimental. Os Faust, são ainda hoje uma referência no panorama musical, sendo os quatro primeiros discos verdadeiras obras-primas. No final da década de 60, os Faust surgiram de uma geração de jovens alemães que fizeram renascer a produção cultural do país abalado por todas as questões relacionadas com o nacional-socialismo e todas as consequências que dai advieram. A nova geração de músicos foi muito influenciada pelo pioneirismo de Karlheinz Stockhausen e pelo movimento psicadélico britânico, tendo encontrado a ai a oportunidade de retomar um movimento criativo e experimental que foi interrompido pelo nazismo.

Agora, um novo disco. Coloca-se a pergunta inevitável, fará sentido, ainda, a existência dos Faust nos dias de hoje? Da formação original somente subsistem dois membros, o baterista Zappi W. Diermaier e o guitarrista Jean-Hervé Perón. Confesso que tinha muitas reticências sobre o novo trabalho muitas duvidas sobre a capacidade criativa destes velhos gurus e sobre se seriam capazes ao fim de este tempo conseguirem transgredir mais uma vez a linguagem do rock. Um facto é bem assente, este é o disco que mais vezes ouvi este ano, tendo descoberto sempre pequenos pormenores, ou provocações (explico mais adiante) em cada audição. Este é um daqueles disco que deve ser ouvido várias vezes e com “ouvidos de gente”. Por ventura esta música não seja tão transgressora como o foi nos anos 70, julgo mesmo que não terá sido a ideia principal dos seus criadores. Mas verdade seja dita, tendo em conta o panorama actual da música dita experimental, estes Faust sobressaem, e de que maneira. É bem verdade que o rock evoluiu e no espectro experimental existem nomes que fazem jus ao carácter destrutivo e revolucionário do género, como Wolf Eyes, NNCK, Keiji Haino, Matthew Bower, NWW, entre outros, mas os Faust não lhes ficam atrás, chegando mesmo a apontar (ou repontar) alguns caminhos. É usual afirmar que a idade é um posto, e neste caso isso é bem verdade, pois a experiencia musical permite evitar os clichés por eles próprios criados, mantendo contudo a veia provocadora e burlesco que a banda sempre cultivou. Os sons vocais (julgo que não se pode afirmar que eles cantam!), sempre falados, representam um desinteresse total pelas convenções musicais. Temas como Stimmen, com vozes e grunhidos levados ao estremo e Petits Son Appétissants, uma bela provocação com o formato tradicional da “chanson française”, marcam bem a intenção pretendida. É no entanto com C’est Com Com Complique, a faixa titulo, que os Faust actuais mais se aproximam dos Faust de há trinta e tal anos. Ai encontramos a irreverência e a amálgama de estilos que eram os Faust, do free jaz à música concreta. Nessa faixa eles atingem a música sem amarras, livre dos formalismos canónicos que abundam no éter. Se tudo o resto não fosse por si só para poder afirmar que estamos perante um dos grandes discos de 2009, este tema eleva este álbum para um dos fundamentais dos últimos anos, diria mesmo da década. Já lá diz o ditado, que velhos são os trapos, e é bem verdade, pois estes senhores que já não vão para novos, ainda dão cartas e dão mostras do que é ser verdadeiramente criativo e provocador, próprio de um espírito jovem. E quanto à pergunta colocada em cima, sim, ainda faz sentido a existência destes Faust e que vivam muitos e bons anos com esta irreverência…
Ponto de escuta:
C'est Com Com Complique

Domingo, Maio 10, 2009

Grândola Vila Morena, 37 anos depois...

Comemora-se hoje o 37º aniversário da primeira vez que Zeca Afonso cantou em público o tema Grândola Vila Morena. Foi em Compostela, na Galiza, e hoje comemora-se o acontecimento com a inauguração de uma praça com o nome do cantor português nessa cidade galega. O alcaide de Compostela salientou hoje a importância desse concerto em 1972, numa Espanha que ainda vivia sobe a ditadura franquista, e a relevância de artistas como o Zeca na luta anti-fascista e na determinação de obtenção da liberdade dos dois povos. Ao que parece existe um registo em cassete desse concerto que em breve será divulgado publicamente. Em Portugal dá-se o nome de Salazar as praças das nossas terras, no país vizinho exaltam-se os artistas lusos que lutaram contra o fascismo e que elevaram a língua portuguesa a níveis mais altos…


Sábado, Maio 09, 2009

Discografia Imprescendível 017 - Miles Davis; Bitches Brew (1969)

Miles Davis é mais admirado e imitado trompetista de jazz de todos os tempos. A ele se deve a renovação do cool jazz e do hard bop, sendo também o mentor da improvisação modal a partir do revolucionário Kind of Blue, até chegar ao que podemos de apelidar a sua “fase electrónica”. Miles Davis foi dos músicos de jazz a grangear a fama que estava reservada às “estrelas” do rock. Os seus discos são dos mais vendidos dentro do género, rivalizando com alguns artistas pop. Em meados dos anos 60, Davis era conhecido como Mr. Cool, mas a sua linha musical mudou quando abandonou o hard bop para a sua fase mais controversa, em que fundiu o jazz com o rock. Nessa época formou uma banda munida de instrumentos electrificados e usou efeitos sonoros nas suas gravações. As fases de renovação são particularmente notadas na sequência ESP e Miles Smiles, ambos de 66, Sorcerer e Nefertiti, de 67, Miles In The Sky e Filles de Kilimanjaro, de 68. Com In a Silent Way, de 69, surge Wayne Shorter, considerado por muitos como o grande seguidor de Davis na revolução sonora. Nesse trabalho participaram igualmente Dave Holland, guitarra, e John McLaughin, baixo, oriundos do mundo do rock. Anteriormente, em Fillis…, participaram um “tal” Chick Corea, descoberto por Miles, e um senhor que se dava pelo nome Herbie Hanckock… Boa companhia, portanto… O paradoxo sonoro viria em 70 com Bitches Brew. A crítica dividiu-se, achando os mais conservadores que este trabalho era um suicídio artístico. Em Bitches Brew, Davis, amplia as experiencias, rodeando-se de um grupo de músicos incomum, com uma vertente rítmica no mínimo invulgar, três pianistas, um guitarrista, um baixista, três bateristas e um percussionista. E tudo isto ligado à electricidade. Para completar, o trompete de Miles estava ligado a um pedal wah-wah. Miles Davis embrenhou-se num terreno para onde nunca ninguém tinha levado o jazz, conduzindo-o a uma mudança radical que da qual sempre foi muito atrito a falar. Sabe-se que Davis andava na altura muito impressionado com as actuações de Jimi Hendrix e das suas ideias psicadélicas, conduzindo-o a uma série de experiências. O corolário dessas experiências foi uma mescla sonora que possuía elementos percussivos idênticos aos da linguagem do rock. Controverso ou não, Bitches Brew é um marco importante, não só na carreira de Miles Davis, mas sobretudo no próprio jazz e na música de fusão. A sonoridade do jazz e da música moderna já mais viria a ser a mesma depois deste disco, tendo influência várias gerações de músicos.






Sexta-feira, Maio 08, 2009

Nomes para FMM Sines 09: Actualização

Mais nomes para Sines. Há alguns dias, foram revelados mais alguns artistas que irão actuar no FMM de Sines. Mor Karbasi, cantora israelita e os ingleses Portico Quartet actuarão no Centro de Artes de Sines, no dia 20 de Julho. De acordo com o vizinho Juramento Sem Bandeira, os chineses Hanggai actuarão no dia 23.


Outras bandas que irão estar presentes no FMM 09:

Alamaailman Vasarat
Lee "Scratch" Perry
James "Blood" Ulmer
Debashish Bhattacharya
Warsaw Village Band
Acetre
OqueStrada
Circo Abusivo
Kasaï Allstars
Dele Sosimi
Victor Démé
Speed Caravan
Chicha Libre
Rupa & The April Fishes

God is an Astronaut e The Allstar Project no Fade In


Dia 22 de Maio, no Teatro Miguel Franco em Leiria, os irlandeses God is an Astronaut e os leirienses The All Star Project participam em mais uma edição do Fade In.

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Iggy Pop novo disco, Préliminaires

Iggy Pop irá lançar no próximo dia 18 de Maio um novo disco, de seu nome Préliminaires. O álbum é inspirado no livro La Possibilité d'une île e nas influencias jazzy de Nova Orleães.


Ponto de escuta:
Página oficial de Préliminaires

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Clues, o disco de estreia

Os Clues são um projecto baseado em Montreal (mais um) fundando por Alden Penner e Brendan Reed (dos Arcade Fire) após a saída dos Unicorns e dos Les Angels Morts, respectivamente. A escrita de Penner nos Unicorns, ficou marcada por uma energia caleidoscópica e misteriosa. O mesmo estilo de escrita é canalizado agora para os Clues mas revelando uma maior originalidade, aliada à voz com características únicas. A essa originalidade junta-se as composições e arranjos superlativos criadas por Reed bem como a sua prestação como instrumentista, principalmente nas precursões. A estes músicos juntam-se Bem Borden dos Les Automates de Maxime de la Rochefoucauld, Lisa Gamble que tem tocado no seu projecto Gambletron, nos Hrsta e Evangelista, e Nick Scribner dos Chaotic Insurrection Ensemble. Os Clues efectuaram durante o ano 2008 diversos concertos em Montreal antes de entrarem no estúdio Hotel2Tango. Apesar de ter sido gravado durante o inverno, o disco irradia calor e transmite pequenos segredos e sorrisos escondidos na estrutura musical. Este é um daqueles trabalhos que apesar de os temas serem individuais e sem ligação aparente apresenta uma coesão extraordinária. Partindo de uma noção indie pop (seja lá o que isso seja), os Clues buscam outras influências, nomeadamente, no psych e no pós-punk (que não será de estranhar tendo em conta o local de produção do disco), criando uma música pop complexa mas sem entrar em excessos. O longo período de rodagem dos temas ao vivo terá contribuído de sobremaneira para o enriquecimento da estrutura musical e para a colocação da tónica nos sítios certos. Da editora Constellation apenas tem saído boas coisas, e este novo trabalho não foge à regra, sendo de louvar, mais uma vez, a coragem de apostar numa nova formação que da qual iremos seguramente ouvir falar mais vezes no futuro próximo.


Ponto de escuta: