Segunda-feira, Novembro 30, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 8


O The Wall faz hoje 30 anos e como já referi no primeiro artigo que escrevi sobre os trinta anos do disco dos Pink Floyd, não é dos meus preferidos da banda. O The Wall foi, a par do The Final Cut, o primeiro contacto que tive com a banda, tendo a sonoridade e a história marcada a minha juventude. No final dos anos 70, o movimento punk com as suas músicas de 3 minutos, abalou os alicerces do rock progressivo, e já praticamente já ninguém ouvia as longas suites de 20 minutos. As rádios optavam por passar músicas curtas e de fácil audição, descartando as velhas bandas progressivas e psicadélicas. A recessão económica, o desemprego, as tenções sociais e inicio da governação de Tatcher, conduziram a um afastamento dos ouvintes das musicas ditas progressivas com os seus contos de castelos encantados e de duendes enfeitiçados, os jovens procuravam melodias mais simples, rápidas e politicamente activas. Das bandas progressivas (confesso que tenho alguma dificuldade em incluir os Floyd nesse grupo), os Floyd foram das poucas formações que apresentaram músicas de cariz social e político. Com o álbum Animals, 1977, os Pink Floyd desceram à arena com um disco profundamente político e violento baseado no Triunfo dos Porcos de Orwell, numa altura em que seria confortável apresentar melodias de cariz espiritual. Os Floyd, pela caneta de Waters, foram mais virulentos do que nunca, apresentando uma visão negra e sem esperança da sociedade, caracterizada de forma animalesca. No entanto, Animals é um disco difícil de ouvir, com músicas longas e estruturadas. O The Wall é aprofundamento da história de Animals.

É do conhecimento geral que Waters teve a ideia de realizar o The Wall durante a digressão In The Flesh?, que promovia o Animals, quando cuspiu um fã que não parava de gritar. O distanciamento entre a banda e o público crescia na mesma proporção do aumento das vendas dos discos. Os Floyd passaram dos pequenos concertos no clube UFO para os grandes estádios. O Dark Side of The Moon tornou-se um fenómeno de vendas catapultando a banda para espectáculos necessariamente maiores e elaborados. O público era agora uma massa amorfa e distante, e a música, no meio de tudo isto, encontrava-se em segundo plano. Waters imaginou o bombardeamento da assistência, e esse momento de catarse deixou marcas profundas na sua mente.

Em 78 Waters apresentou aos restantes colegas dois projectos, um que foi rejeitado e que viria a tornar-se no seu primeiro disco a solo, The Pros and Cons of Hitch Hicking, e o que viria a ser o The Wall. Waters partiu dos traumas de infância, a morte do seu pai na segunda guerra mundial e a escola autoritária, e os problemas vividos na sua carreira musical. Pelo meio, voltou ao tema principal de Animals e desenvolveu-o. Ao contrário do que muita boa gente afirmou ao longo dos últimos trinta anos, o The Wall não é uma história biográfica de Waters, bem pelo contrário. Segundo o mesmo, muitos elementos da história foram inspirados em acontecimentos vividos por outras pessoas, nomeadamente, Syd Barrett, sem dúvida uma grande fonte de inspiração. A sua mãe, recentemente falecida, embora protectora, não era na realidade como Waters a caracterizou. E quanto à escola, Waters afirma ter tido bons professores, que o incentivaram no percurso das artes, nomeadamente, no caminho da arquitectura. Contudo, Waters sentia que a escola, de uma forma geral, era repressora e que limitava a liberdade das crianças. A principal fonte de inspiração para a construção da história, a partir de um conto de Jean Paul Satre, O Muro, e das suas personagens. O resto da história advém das contingências vividas na sua carreira musical, as digressões, o afastamento da família, a necessidade de produzir e de vender cada vez mais. O isolamento aumenta, e numa reacção de auto-preservação, Waters ergue um muro (simbólico) de protecção da sua personalidade. Com os acontecimentos sucedidos durante a última digressão, Waters vê-se como mestre de cerimónias, Goebels em pessoa, a comandar uma horda de fascistas, numa alusão directa aos perigos reais do retorno das ideologias ditatoriais e os problemas sociais vividos no Reino Unido com o governo conservador de Thatcher. No epílogo, o muro é destruído e finalmente Waters pode expor os seus sentimentos.

O The Wall representa a loucura, a morte, o fim de uma era e o fim de uma banda. Este foi o último dos grandes álbuns conceptuais. Depois deste, nenhum outro disco conceptual alcançou tanto sucesso. As finanças da banda em 77 não estavam no seu melhor. No ano anterior, a banda envolveu-se em negócios de alto risco com a Norton Warburg Group que se tornaram seus agentes, com o objectivo de reduzir a carga fiscal no Reino Unido. Contudo, a banda perdia dinheiro com o negócio, em parte devido a esquemas fraudulentos da NWG. Os Floyd viriam a processar o grupo que viria a falir na década de 80. O meio musical virou-se para produtos de consumo rápido e os Pink Floyd precisavam urgentemente de ganhar dinheiro. Waters e companhia sabiam disso e contrataram Bob Ezrin, por sugestão da namorada de Waters, Carolyne Christie, que era secretária de Ezrin. Bob Ezrin produzira anteriormente álbuns para Alice Cooper, o Berlin de Lou Reed e Destroyer de Peter Gabriel, trazia consigo a visão comercial para transformar o disco num sucesso de vendas. Ao contratar Ezrin, Waters pensava que o podia controlar facilmente e impor assim as suas ideias, mas Bob desde inicio teve a habilidade de contornar as ideias de Waters. O sucesso comercial de Another Brick in The Wall em muito se deve à visão de Ezrin, tendo ainda colaborado na composição de The Trial. Os conflitos entre Waters e Ezrin, bem como com os restantes membros da formação, foram muitos, tendo Bob afirmado que foi das experiencias mais traumáticas que teve. Ezrin não voltaria a trabalhar com Waters, mas co-produziu o segundo disco a solo de David Gilmour bem como os álbuns dos Floyd pós Waters.

A capa e o grafismo assumem um design minimalista, sendo constituído por um desenho de uma parede, sem logótipo nem o nome da banda. A concepção gráfica ficou a cargo de Gerald Scarfe, cartoonista político. Foi o primeiro disco dos Floyd que não teve a colaboração de Storm Thorgerson e da Hipgnosis, devido a disputas com Waters sobre autoria do conceito da capa do álbum Animals.

Apesar de o duplo álbum representar um marco na carreira dos Pink Floyd, sendo um dos mais vendidos da banda, e sendo uma referência inequívoca na cena musical a nível mundial, o The Wall não é dos trabalhos mais bem aceites pelos fãs dos Floyd. Muitos vêm o disco como uma concessão da banda ao mercado, com as suas músicas curtas e com melodias mais comerciais do que as dos álbuns anteriores. Em abono da verdade, The Wall apresenta um punhado de boas ideias, mas que infelizmente não foram suficientemente bem desenvolvidas, devido em parte à extensão da história em si e às pressões vindas da esitora. Por ainda estarmos no tempo do vinil, e por ser difícil convencer a editora a produzir um triplo álbum (já era difícil produzir um duplo), as ideias foram simplificadas ao máximo. No entanto, o trabalho de produção e a brilhante engenharia sonora a cargo de James Guthrie, converte o disco num dos melhores produtos da banda. Apesar da relutância de Waters, são extraídos vários singles do disco, tendo Another Brick in The Wall atingido o primeiro lugar de vendas em diversos países. Era o regresso dos Pink Floyd aos singles, algo que já não acontecia há muitos anos, e aos quais, os Floyd nunca estiveram muito à vontade. A canção chegou a ser proibida na África do Sul, porque os estudantes negros a adoptaram como hino do seu boicote ao sistema. Nos anos 70, durante apartheid, a educação de cada criança negra – que a preparava não para a universidade, mas aos trabalhos braçais – custava ao Estado apenas um décimo de cada criança branca. Na época, estava em vigor a política da “Educação Bantu” (criada em 1953), a qual impunha: o Afrikaans como a língua de educação para os negros, escolas separadas, salas de aulas superlotadas e professores com péssima formação. A letra dá voz aos estudantes que dizem não precisar de educação (no caso, aquele tipo de educação a que estavam sujeitos) e de nenhum controle de pensamento. O tema foi igualmente proibido no Reino Unido pelo governo de Margaret Thatcher, tendo Waters afirmado que tal acto constituia uma “verdadeira afronta à postura hipócrita da moral e da sociopolítica da Coroa Inglesa”.

Apesar do sucesso comercial de Another Brick in The Wall, Comfortably Numb é apontado como o melhor tema do álbum, sendo o solo de guitarra de Gilmour como um dos melhores de sempr. Comfortably Numb representa a catarse final da banda, mostrando em última analise que o resultado da colaboração entre os membros da banda (neste caso Gilmour e Waters) é melhor do que o resultado do esforços individuais. Rick Wright que se debatia com uma depressão devido ao processo de divorcio e à má situação financeira em que se encontrava, acaba por ser despedido a meio das gravações. Wright gravava as suas seções sozinho e raramente se encontrava com os restantes membros, tendo chegado a recusar a interropção das suas férias para voltar ao estudio devido a atrasos nas gravações. Todos os elementos da equipa estavam saturados desse comportamento, e mesmo Gilmour, que inicialmente o protegeu, via-se agora impelido a despedir Wright. Este processo foi abafado da imprenssa, com o objectivo de proteger Wright, tendo sido posteriormente contratado como músico para a digressão, sendo o único que ganhou algum dinheiro na saga The Wall.

The wall representa o fim de uma era, a dos discos conceptuais, um marco na música anglo-saxónica, na carreira dos Pink Floyd e o seu fim e da. The Wall representa a loucura em toda a sua extenção. A loucura pessoal, a política, a social e a económica. Em algumas destas partes (ou em todas), todos nós nos revimos, e essa a força que The Wall tem: todos nos identificamos com Pink, a personagem atormentada da história. Os responsáveis da editora não ficaram entusiasmados com o disco, tendo ficado, no entanto, mais agradados com o resultado das vendas. O disco foi criticado por todos os sectores da sociedade, mas todos compravam o disco e conheciam as letras das músicas. A direita considerava que a mensagem constituía uma ameaça à sociedade, acusando-o de ser propaganda de esquerda, a esquerda, sobretudo pela mão dos elementos da juventude comunista, acusava Waters e o seu disco, de ser um manifesto reaccionário da pequena burguesia. Seja qual for a interpretação que cada um faça, The Wall representa o testemunho pessoal, de um individuo atormentado e com o qual muitos se identificam. Mas não foi isso que os Floyd sempre apresentaram nos seus discos?...

Sábado, Novembro 28, 2009

Imagens #15


David Corio nasceu em Londres, Inglaterra, em 1960 e começou sua carreira profissional em 1978 tirando fotografias para New Musical Express, seguido por The Face, Time Out e Black Echoes, cobrindo uma ampla gama de música e retratos. Após uma breve passagem como um critico musical na City Limits, trabalhou como fotógrafo freelance para o Daily Telegraph, The Times, Q, Theatre Royal Stratford, e Greensleeves Records, entre outros. Vários trabalhos de David foram expostos no Victoria and Albert Museum, Galeria do fotógrafo, e no Special Photographers Gallery, em Londres, no Brownwyn Keenan Gallery e no Jack Shainman Gallery em Nova York entre outros. David tem desenvolvido trabalhos noutras áreas como por exemplo o projecto Megálitos, um projeto de 14-anos fotografando a menires da Inglaterra e País de Gales, com texto de Lai Ngan Corio.

A fotografia escolhida representa PJ Harvey em concerto durante a sua digressão de 1995.

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #21

Friedman que frequentemente se drogava com os Byrds, persuadiu o co-manager da banda Eddie Tickner a oferecer aos Buffalo Springfield a primeira parte da digressão dos Byrds no sul da Califórnia. O baixista Chris Hillman ficou impressionado com os ensaios da banda, e viria mais tarde a ser o braço direito de Stills no projecto Manassas. Nas primeiras actuações tocavam somente seis temas, que das quais faziam parte Sit Down I Think I Love You, de Stills, e Nowadays Clancy Can’t Even Sing, de Young. Não existem grandes menções na impressa sobre essas actuações, contudo, não passou desapercebido a John Peel que mais tarde relataria essa experiência. Sobre o primeiro concerto, Young viria a afirmar mais tarde, que apesar de ser o primeiro concerto da banda, tal não parecia, porque eram todos amigos e parecia que todos tocavam juntos há vários anos e que tudo iria correr bem. Apesar das boas actuações e dos fãs dos Byrds gostarem bastante dos Buffalo, as menções na imprensa especializada continuavam a não surgir.

A saúde de Young piorava na mesma relação que a carreira dos Buffalo progredia. Os ataques de epilepsia sucediam, deixando os membros da banda consternados e sem saber o que fazer. Young também não sabia lidar bem com a situação, e a sua relutância de tomar os medicamentos não melhorava a situação. Novos bares abriam e as oportunidades da banda actuar aumentavam. Chris Hillman conseguiu um contrato de seis semanas no bar de maior sucesso da altura, o Whisky A Go-Go. Foi ai que David Crosby conheceu Young e Stills.

Infelizmente não existem gravações desses primeiros concertos no Whisky A Go-Go, sendo frequentemente mencionados, mesmo pelos membros da banda, como os melhores momentos da formação. Tudo corria bem e todas as noites a sala estava cheia. No entanto, o fim da inocência, como viria Stills a afirmar mais tarde, não tardaria a chegar. Young e Stills caíram nas boas graças de algumas jovens que alimentava os seus egos, convencendo-os de que eram os elementos criativos da banda. O equilíbrio estava irremediavelmente quebrado.

The Aeroplane Over The Sea, dos Neutral Milk Hotel, 11 anos depois

Não existe informações sobre possivel novo trabalho do colectivo. Contudo, e apara comemorar os 11 anos de The Aeroplane Over The Sea, a Merge Records assinala a data com a reedição dos dois discos em formato vinil, apresentando dois novos videos, no seu blogue, gravados ao vivo em 1998 no Knitting Factory em Nova Iorque.



Quinta-feira, Novembro 26, 2009

História da música electrónica, concreta e experimental #3

Luigi Russolo nasceu em 1885 em Itália, em Portogruaro, situada na região do Veneto. Luigi e o seu irmão António, eram filhos de um organista da catedral de Portogruaro e director da Schola Cantorum de Latsiana. Luigi acreditava que a vida contemporânea era demasiado ruidosa e que esses ruídos deveriam ser utilizados na estrutura das suas composições musicais. Em 1913 publicou o tratado “A Arte dos Ruídos”, sendo considerado o primeiro teórico da música electrónica. Russolo foi igualmente inventor de alguns instrumentos musicais, nomeadamente o Intonarumori, de 1913, que tinha como função principal, criar ruídos. Em 1922 inventou o Rumorarmonio, e em 1931 inventou o Enharmonic Piano. Infelizmente, nenhum dos seus instrumentos originais sobreviveu à Segunda Guerra Mundial.

Após um período de "longa e interminável de pesquisa em seu laboratório", pintor futurista Luigi Russolo constrói o intonarumori, dispositivos para a produção de um amplo espectro de modulação, sons rítmicos semelhantes aos feitos por máquinas, mas sem imitar ou reproduzir lhes. Estes sons são para ser entendido como "materiais de resumo" libertos de suas origens mecânicas e agora sob o controle humano, escreve Russolo no seu Manifesto da Arte Sonora. Compondo peças para o intonarumori, Russolo também desenvolve uma nova forma gráfica da partitura musical. Em 1914, o primeiro concerto de 18 intonarumori, uma obra dividida em oito categorias diferentes de sons, causou um enorme escândalo em Milão. Em 1914, bem como, os doze concertos encenados em Londres provocaram reacções mais positivas. Após a I Guerra Mundial, concertos para intonarumori foram encenados clássicos juntamente com orquestras sinfónicas.

Luigi Russolo era igualmente pintor, e em 1941 voltou novamente a pintar, com um novo estilo que definiu como “clássico modernista”. Morreu em 1947 na província de Varese.


Ponto de escuta:
Risveglio Di Una Città, de 1913


Corale, de 1921

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Terça-feira, Novembro 24, 2009

E hoje é dia de Six Organs of Admittance, no Nimas


O concerto é logo à noite no cinema Nimas em Lisboa. Até lá podem ler a entrevista que Chasney deu ao site The Quietus.

Sábado, Novembro 21, 2009

Imagens #14


Com o advento da fotografia digital e das redes sociais na internet, muitos fotografos amadores tiveram finalmente as ferramentas necessárias para mostrar os seus trabalhos. Se no passado era em muitos concertos tirar fotografias, hoje são poucos os artistas que não permitem tal facto. Na era digital, até mesmo os músicos beneficiam de uma maior exposição, neste caso fotográfico. Se a qualidade geral é por vezes muito baixa, muitos dos fotografos amadores apostam na qualidade, e alguns deles, acabam por realizar excelentes trabalhos. As redes sociais como o Flickr são optimos espaços para a divulgação das fotografias.

A imagem de hoje, retrata os Einstürzende Neubauten num concerto em Bruxelas em 2005, e a fotografa dá-se pelo nome, no Flickr, Baba. O seu perfil indica que é belga e que tem 33 anos.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Documentário It Might Get Loud

O filme realizado por Davis Guggenheim mostra a relação entre o instrumento e três guitarristas: Jimmy Page, do Led Zeppelin, The Edge, do U2, e Jack White, do White Stripes. Durante o documentário, os músicos falam da carreira, contam histórias relacionadas à guitarra e tocam clássicos uns dos outros. Chega a Portugal em 2010.


Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Fall Be Kind, o novo EP dos Animal Collective


Os Animal Collective inciaram bem o ano de 2009 e preparam-se para o encerrar igualmente bem. Fall Be Kind, é o EP do colectivo e será editado brevemente. Já é possivel ouvir um dos novos temas, What Would I Want Sky.

Ponto de Escuta:
What Would I Want Sky




Novo disco dos Tindersticks em Fevereiro de 2010

Os Tindersticks já finalizaram o seu novo álbum, Falling Down A Mountain, que será lançado em Fevereiro de 2010 pela Constellation Records no continente americano e pela 4AD no resto do mundo. Já é possivel ouvir um dos temas do novo disco, Black Smoke.

Ponto de escuta:
Black Smoke

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 7

A digressão de The Wall foi uma das mais elaboradas de sempre, tendo ainda antes do primeiro concerto, sido gasto cerca de um milhão e meio de dólares. O espectáculo é ainda hoje considerado como um marco na história da música. Curiosamente, o espectáculo em si celebrava os sentimentos de um músico contra este tipo de concertos, onde o isolamento e o distanciamento com a audiência conduziram o autor a uma paranóia de proporções épicas. O concerto em si funcionou como uma espécie de catarse onde Waters isolado atrás do muro que construiu evoca os fantasmas que o atormentava.

Somente quatro cidades receberam a digressão, Los Angels, Nova Iorque, Dortmund e Londres. Os custos eram demasiado elevados por isso a banda optou por realizar vários concertos em cada cidade, de modo a minimizar os custos da montagem do concerto. Os concertos em Earl’s Court foram filmados com o intuito de serem integrados no filme idealizado por Waters. A ideia veio a ser abandonada, uma vez que os directores da EMI não compreenderam o conceito, e porque a qualidade da imagem não era suficientemente boa para ser utilizada em projecção de grande formato, devido à má escolha de lentes. Existem várias versões não oficiais dessas filmagens a circular em VHS e na internet, e todos os anos se especula sobre a edição oficial em DVD. No entanto, e ao que tudo indica, ainda não será este ano que tal edição verá a luz do dia, e as contraditórias declarações de Waters ao longo dos últimos anos, umas vezes afirma que as filmagens estão perdidas, outras vezes afirma que se encontra a trabalhar na sua edição, adensam ainda mais a especulação. O registo sonoro dos concertos em Earl’s Court foi editado em CD sob o título Is There Anybody Out There?, em 2000

O espectáculo em si apresentou características pouco comuns. A banda simplesmente tocou, na íntegra, o álbum, não apresentando temas de discos anteriores, como é usual nas digressões. Contudo, os espectadores presenciaram um espectáculo diferente de todos os que já tinham assistido, porcos voadores, aviões, bonecos insuflados, projecção de imagens e um muro a dividir a banda dos espectadores. As relações entre os membros banda conheciam momentos difíceis com Waters a afirmar publicamente que este era o seu espectáculo e o seu disco, Gilmour e Mason tentavam encontrar margem de manobra, e Rick Wright, que tinha sido saído da formação, foi o único a ter lucro com a digressão, uma vez que era músico contratado.

Gilmour e Mason tentaram convencer Waters a prolongar a digressão, desta vez para os grandes estádios, tendo sido à banda um milhão de dólares por concerto. Waters não aceitou, afirmando que seria uma hipocrisia realizar concertos em grandes estádios, onde a distância com o público é enorme, tendo em conta que um dos principais temas do espectáculo era esse.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Novo disco de Six Organs of Admittance - Empty the Sun

Em vesperas de mais uma visita a Portugal, Ben Chasny edita mais um disco, Empty the Sun, que é a banda sonora do livro com o mesmo livro, de Joseph Mattson. A edição é limitada a 1000 exemplares em CD mais o livro, e, 1000 LP's mais o livro.

Ponto de escuta:
Still A Long Way


Piedras Blancas




Segunda-feira, Novembro 16, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 6


Ao falarmos de The Wall temos que incontornavelmente falar sobre a iconografia a ele associado. As imagens criadas por Geral Scarf para o álbum, para os concertos e para o filme fazem parte do imaginário colectivo, sendo reveladores da importância que a imagem têm no meio musical. Julgo que nenhum outro disco gerou tantas imagens que se tornaram numa referência, desde as figuras dos martelos, passando pelo juiz e pela dança das flores. O filme trouxe igualmente mais um punhado de imagens que se tornaram celebres e que o espectador remete de imediato para o disco. Os Floyd ao longo da sua carreira sempre importância à imagem, não só das capas, como também dos concertos, e com naturalidade, naquele que foi o seu mais ambicioso projecto, a imagem foi alvo de cuidado especial.

Merge Record, o livro dos 20 anos

A editora Merge Records é sem dúvida uma daquelas editoras que mantem o espirito independente desde a sua criação, já lá vão 20 anos. Do catálogo fazem parte bandas como os Arcade Fire,Lambchop, The Clientele, Spoon, Destroyer, Rosebuds, M. Ward, entr muitas outras. Para comemorar o vigésimo aniversário editaram o livro "Our Noise: The Story of Merge Records, The Little Label That Got Big And Stayed Small", com a história da editora, centenas de fotografias das bandas, capas e posters.

Sábado, Novembro 14, 2009

Imagens #13


Mick Hutson tem vindo a afirmar-se como um dos mais promissores fotógrafos da nova geração. Com um sentido no mínimo caustico, Hutson tenta nas suas fotografias captar o que os outros fotógrafos descartam, e assim revelar a essência do momento. Graças a essa atitude, Hutson tem trabalhado em várias áreas, da fotografia musical, passando pela moda, pelo desporto, e por projectos pessoais e mais intimistas. Tem ao longo da sua carreira colaborado com revistas como a Mojo, a Q, a Mixmag, a Metal Hammer, a The Times, A FHM, a Rolling Stone, entre muitas outras. Esta fotografia foi tirada no festival de Glastonbury e é representativa do estilo de Hutson e do que se passou no festival.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 5

Antes do espectáculo na Broadway e do concerto em Berlim, surgiu o filme The Wall em 1982, derivado directamente do álbum homónimo. Muito se escreveu sobre a longa metragem realizada por Alan Parker e as interpretações e strapolações que se fizeram com a vida de Waters. No entanto, e como o próprio esclareceu em diversas ocasiões, tanto o disco com o filme é inspirado no conto de Jean-Paul Sartre, The Wall.

O filme retrata a construção e demolição de um muro, que metaforicamente representa o sentimento de isolamento e de alienação, mas que deixa em aberto toda uma série de interpretações, nomeadamente de cariz político. Aliás o filme explorou e, sobretudo retratou de forma mais nítida os conflitos sociais que assolavam o Reino Unido na era Tatcher e o perigo real das ditaduras fascistas.

Waters, quando tinha em mente desde o inicio de realizar um filme com base no disco, mais concretamente, seria filmado durante a digressão que a banda iria efectuar para promover o álbum. Contudo, a EMI não deu abalo à pretensão de Waters por compreender o conceito. Alana Parker, realizador de filmes como o Expreeso da Meia Noite e Fama, ambicionava realizar mais um filme musical, desta vez baseado no disco dos Pink Floyd. A ideia de realizar o filme durante a digressão foi abandonada e assim Waters perdia o lugar de ator principal. Bob Geldof viria a assegurar o papel. Geral Scarf, cartoonista político, e que desenhou o genérico a série ingeles, Sim, Senhor Ministro, realizou as sequências de animação, tendo sido utilizadas algumas previamente feitas para os concertos, e desenvolvido outras. No total, são 15 minutos de animação, o que conferiu um aspecto original. Na sua estreia no Festival de Cannes (mostrado fora de competição), a generalidade dos críticos afirmaram estar perante um dos grandes musicais modernos. No entanto, Waters manifestou profundas reservas sobre o filme, dizendo que a rodagem tinha sido uma experiência muito irritante e desagradável, apenas elogiando o desempenho de Geldof e o trabalho do seu amigo Scarfe. Durante a rodagem do filme, Parker esteve frequentemente em desacordo com Waters e Scarf, chegando a afirmar em diversas ocasiões, que foi uma das experiencias mais infelizes das sua carreira.

Depois da ideia original de Waters ter sido descartada, ele sugeriu realizar um filme com uma narrativa mais convencional, e produzindo novas músicas que serviriam de banda sonora. Essa ideia foi igualmente abandonada, tendo sido aproveitada para a gravação do disco seguinte, e último de Waters com os Floyd, o The Final Cut. No filme, alguns temas foram sujeitos a nova gravação, para melhor convir no filme. Hey You foi cortada da versão final por ser considerada demasiada longa e não de comprometer o ritmo do filme, tendo a generalidade das imagens remontadas na sequência Another Brick in The Wall, Parte 3.

Video: Hey You, não incluida na versão final.



Foi igualmente realizado um documentário sobre o filme, The Other Side of The Wall, que retrata o processo criativo e a rodagem do filme, que foi incluido na edição DVD, e que se pode ver mais abaixo. Existe um outro documentário nessa mesma edição, centrada nas ideias de Waters, menos rancuroso com o resultado final do filme, e de Geral Scarf.







Quinta-feira, Novembro 12, 2009

4AD Sessions, Tune-Yards

O companheiro de lides João Nunes do Brain Dance, recomendou recentemente um novo espaço no site da mítica editora 4AD, o 4AD Sessions. Este espaço consiste em gravações de vídeos de projectos da 4AD que serão convidados a actuar no Estúdio Plateaux, e assim promover a banda e a editora. A sessão 0 data de 2008 e coube aos Deerhunter iniciar as hostilidades. A sessão nº 1, que foi gravada pelos Tune-Yards, cuja estreia discográfica está marcada para a próxima semana, pode ser agora vista e ouvida.


Quarta-feira, Novembro 11, 2009

U2, sem dinheiro no horizonte!

Definitivamente as coisas não estão a correr bem aos U2. Esta deve ser a primeira vez que escrevo sobre a banda irlandesa, tenda que confessar que, apesar de reconhecer a qualidade geral do seu trabalho, não sou grande apreciador das músicas e que, devo ser das poucas pessoas que não tem um único disco da banda. Mas dizia eu, que as coisas não têm corrido bem à formação de Bono e companhia. A última polémica envolve o mini concerto realizado em Berlim, nas Portas de Brandenburg, no local onde existiu o famigerado muro da vergonha. Pois, a polémica reside no facto da organização do concerto, os U2 e a MTV, para proteger o local e impedir as pessoas de assistirem gratuitamente ao concerto, ergueram uma barreira com cerca de 2 metros de altura. Apenas 10 mil pessoas puderam assistir em ao vivo o espectáculo, tendo a MTV transmitido posteriormente. A polémica instalou-se em torno do concerto e da barreira criada no coração de Berlim. Muitos fãs da banda pensaram que o concerto seria de borla, pelo que se deslocaram até à capital alemã para assistirem ao espectáculo. No entanto a revolta maior surgiu por parte dos berlinenses que viram de um dia para o outro um novo muro ser erguido na sua cidade. Os alemães, e especialmente os berlinenses sofrem ainda do trauma da divisão do seu país e da sua cidade. Numa altura em que se festeja a queda do muro, realmente não faz grande sentido erguer uma nova barreira numa cidade ainda profundamente marcada pela exclusão e divisão. Uma banda que tanto tem apregoado a paz e união entre os povos, caiu desta vez numa armadilha no mínimo lamentável.

Convenhamos que o ano não tem corrido particularmente de feição à banda. O seu novo disco, No Line On The Horizon, não tem vendido o esperado, nem tem convencido ninguém quanto à sua qualidade musical, nem mesmo aos fãs mais “fanáticos”. Os temas do disco não passam nas rádios, tendo a própria editora dificuldades em escolher singles para promover o álbum. Em contrapartida, os concertos realizados pelos U2 nos Estados Unidos têm sido um sucesso, pelo menos a acreditar no número de espectadores que já assistiram ao espectáculo. A digressão da banda irlandesa tem batido todos os recordes, quer seja em termos de ordem de grandeza de bilhetes vendidos, quer seja na monumentalidade do palco, do som, da luz utilizada e na pegada ecológica que deixam atrás de si. Outra das críticas que os U2 têm sido alvo é precisamente a pegada ecológica que deixam por onde passam, nomeadamente por parte de grupos ambientalistas, lembrando a hipocrisia, sobretudo de Bono, que apregoa a defesa do meio ambiente nos meios de comunicação e que depois, só para dar um exemplo, gasta tanta electricidade num concerto como um pequena cidade, para já não falar das toneladas de lixo produzido pela equipa da digressão e da quantidade de CO2 produzido. Sim, já houve alguém que fez essas contas todas.

Para além de tudo isto, junta-se o facto de a digressão estar a dar prejuízo. Tudo é incomensuravelmente grande, e as contas também. Bono já afirmou, que será uma sorte se no fim da digressão ainda tiver casa. Devido às características da estrutura do palco, o espectáculo só pode ser realizado em espaços abertos, nomeadamente, em estádios, sendo impossível a sua realização em recintos cobertos. Ora nesta altura do ano, e durante todo o inverno, é praticamente impossível a realização de concertos no hemisfério norte. Os Rolling Stones há alguns anos atrás debateram-se com o mesmo problema, tendo optado por efectuar concertos em salas pequenas, fazendo assim espectáculos mais intimistas, e sobretudo, mais rentáveis. Não tendo a necessidade a recorrer a todo o aparato visual utilizado nos espectáculos em grandes estádios, a logística tornou-se mais simples e mais barata, podendo actuar mais vezes e ganhar tornando o negócio mais rentável. Os espectadores, na minha modesta opinião, saíram igualmente a ganhar, quer em termos de comodidade, quer em termos de interacção e proximidade como a banda. Os U2 sofrem do mesmo mal que outras bandas sofreram no passado, a necessidade de oferecer um espectáculo cada vez mais elaborado, mais evoluído tecnologicamente, com palco maior, com mais luz e som e som que o da banda “vizinha”. Aparentemente, esta “mania” da grandeza atingiu um ponto de difícil retorno, onde tudo é demasiado grande, demasiado caro, e onde a música se perde um pouco no meio de todo o aparato técnico e visual.

O número de bandas a realizarem mega concertos em grandes estádios tem vindo a diminuir ao longo dos anos. Nos anos 70 e 80, a necessidade cada vez maior de oferecer espectáculos mais complexos, repletos de luz, cor, imagens projectadas e até bonecos insufláveis, para cada vez mais gente, conduziu a um progressivo afastamento do público e dos músicos. Os artistas tinham que ser autênticos malabaristas e para serem notados na imensidão do palco. Outros, até pela sua postura mais discreta, passavam despercebidos, sendo apenas mais um “objecto” em cima do palco. Em termos meramente pessoais, e já tendo tido a oportunidade de assistir a concertos em estádios, prefiro de longe as salas de pequena ou média dimensão, pela comodidade, e principalmente pelo contacto mais directo com os artistas.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

História da música electrónica, concreta e experimental #2

O Telharmonium, ou Teleharmonium, que é igualmente conhecido por Dynamophone, foi desenvolvido por Thaddeus Cahill em 1897. Cahill era advogado e inventor, tendo inventado peças para pianos e máquinas de escrever. A invenção do Telharmonium partiu da ideia de transmitir música através de linhas telefónicas. Antes de 1920 era impossível amplificar impulsos eléctricos. Para ouvir sons através de telefone era necessário colocar o ouvido junto do receptor. Cahill percebeu que se produzisse sinal eléctrico em grande quantidade, e se colocasse um cone (muito semelhante aos cones dos gramofones) junto do receptor de telefone, podia transmitir música por telefone para uma grande audiência. Tal como os órgãos Hammond, o Telharmonium usava “tonewheels”, ou seja, uma espécie de cartões perfurados, para criar sons através de impulsos eléctricos.

Cahill construiu três versões do seu instrumento: O Mark I, que pesava 7 toneladas; o Mark II, que pesava quase 200 toneladas, tal como o Mark III. Foram muito poucos os concertos dados com este instrumento. Contudo, as actuações em Nova Iorque, algumas no Telharmonic Hall, foram muito bem recebidas durante o ano de 1906. O instrumento é tão grande que ocupava uma sala inteira e normalmente era instalado na cave e tinham que fazer buracos no chão para passar os fios. A própria consola onde o instrumentista tocava, normalmente eram dois, apresentava dimensões impressionantes, como se pode ver na fotografia.

O Telharmonium antecedeu em muitos aspectos o equipamento moderno electrónico. Por exemplo; a saída de som fazia-se através de telefones normais a grandes cones de papel, uma forma primitiva de altifalantes. Cahill foi o primeiro a reconhecer que os diagramas electromagnéticos eram o meio preferencial para transmitir o som.

Infelizmente não existem gravações do instrumento, mas quem o ouviu afirma que tinha um som puro e cristalino. O Telharmonium não criava apenas sons simples. Cada tonewhell corresponde a uma nota, e para aumentar as suas capacidades, Cahill instalou mais alguns tonewhell para adicionar sons harmónicos a cada nota. O Telharmonium é igualmente um instrumento polifónico e apresenta múltiplos teclados bem com uma pedaleira, o que significa que cada som pode ser manipulado. Este instrumento tem a capacidade de reproduzir o som de diversos instrumentos de orquestra, como a flauta, o clarinete, o violoncelo e o fagote. No entanto, o Telharmonium não conheceu grande sucesso, sobretudo devido ao seu tamanho, ao seu peso e ao seu consumo de energia. Uma vez que o som era transmitido por telefone, registaram-se inúmeros casos de intromissão de sons de música criada pelo Telharmonium nas chamadas pessoais. Por volta de 1912 o interesse do público por este instrumento diminuiu consideravelmente e a empresa de Cahill declarou falência em 1914. Cahill morreu em 1934.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Keep on Rockin’ In The Free World


Em 1982, Neil Young escreveu no muro de Berlim, “Love Is All We Need”, e em 89 na noite em que muro foi derrubado o tema Keep on Rockin’ In The Free World passava em muitas estações de rádio na Alemanha. Desde então, esse tema está associado à esperança do fim da repressão e da obtenção de liberdade. Nos idos anos 80 as palavras de Young eram vistas como um ponto de afirmação politica de uma artista com o qual muitos milhares de pessoas se reviam.


The Wall, 30 anos depois, parte 4

O muro de Berlim caiu no dia 9 de Novembro de 1989. Oito meses mais tarde, Roger Waters voltou a erguer “o seu muro” num concerto transmitido para todo o mundo, para celebrar o fim da divisão das duas alemanhas, e sobretudo, a divisão entre o ocidente e o leste. Tratou-se no fundo de colocar a música ao serviço de um ideal onde os músicos não foram as principais vedetas.
O concerto realizou-se nos terrenos entre a Praça de Potsdamer e as portas de Brandenburg, a “terra de ninguém” durante a guerra-fria. Foram vendidos 250 mil bilhetes, tendo a organização permitido a entrada a mais 100 mil pessoas. 52 países transmitiram o concerto em directo.

O concerto tinha como objectivo a angariação de fundos para o Memorial Fund for Disaster Relief, contudo, a venda do disco e do vídeo vendeu menos do que se esperava, e a empresa responsável pela organização, acabou por perder muito dinheiro. Alguns anos mais tarde o dinheiro das vendas dos produtos acabou por reverter para Roger Waters, uma vez que tinha sido um dos principais investidores do projecto e porque detinha os direitos de autor.

Waters e companhia convidaram diversos artistas, alguns recusaram, como Bruce Sprigsteen, Peter Gabriel e Eric Clapton. No concerto actuaram Rick Danko, Levon Helm e Garth Hudson dos The Band, The Hooters, Van Morrison, Sinéad O'Connor, Cyndi Lauper, Marianne Faithfull, Scorpions, Joni Mitchell, Paul Carrack, Thomas Dolby, Bryan Adams, Albert Finney, Jerry Hall, Tim Curry e Ute Lemper.

Mais do que a música, o que tornou realmente importante este mega espectáculo foi o sonho e o desejo de reunião, um marco de esperança em novos tempos, onde a cooperação e a paz permitisse a construção de um novo mundo. Era esse o sentimento generalizado, mas infelizmente essa ideia durou pouco tempo…

The Trial, ao vivo em Berlim, 1990


Sábado, Novembro 07, 2009

Imagens #12


David Redfern é um dos mais profícuos fotógrafos musicais. A sua carreira começou no início dos anos 60 nos clubes de jazz londrinos. Ai fotografou os grandes nomes do jazz, de Miles Davis a Ella Fitzgerald. Redfern é autor de diversos livros e exposições, tendo fundado nos anos 80 a agencia Redferns que representa cerca de 500 fotógrafos que já fotografaram mais de 25 000 artistas. A fotografia que escolhi foi tirada em 1967 a John Lennon durante as filmagens de Magical Mistery Tour.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 3

Existem rumores de que Roger Waters vai realizar uma digressão mundial a tocar o The Wall na integra. Quem o diz é o site Neptune que cita o manager de Waters como fonte. Não esclarece se vai realizar os concertos com todo o aparato ou se limita a tocar os temas do disco com tem feito com o Dark Side of the Moon.

Entretanto, têm saido diversas revistas com o tema dos 30 anos do The Wall. A Classic Rock afirma que editou a primeira revista com capa HD3D, ou seja, uma capa em alta definição e em 3d! Noutras partes do mundo também se celebra a data, nomeadamente na Alemanha, onde a revista Eclipsed (de que nunca ouvi falar) no seu número 116 aborda o tema.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

História da música electrónica, concreta e experimental #1

O título é um pouco pretensioso, tendo em conta que pretendo fazer uma resenha destes diferentes conceitos musicais, instrumentos e dos artistas mais significativos da história musical. Tentarei apresentar uma introdução histórica e os criadores musicais ilustrado com músicas representativas da evolução destes conceitos musicais. Em muitos casos os diferentes conceitos encontram-se associados e interligados, sendo difícil destrinçar e de atribuir uma categoria especifica a cada compositor. Também é bem verdade que, pelo menos em teoria, podemos classificar como experimental a generalidade de estilos musicais. Não vou desenvolver muito essa questão por não achar relevante neste momento. A música dita electrónica, bem como a concreta, é experimental, tal como a dita musica experimental pode ser enquadrada noutro género musical.

A música electrónica é um termo normalmente usado para a música criada com equipamento electrónico. Todos os sons produzidos através de sinais pode ser apelidada de electrónica, e esse termo é em muitos casos usado de essa forma. Existe uma enorme discussão sobre esse conceito, uma vez que é usual a utilização de equipamento amplificador, mesmo em instrumentos acústicos. Assim sendo, géneros como a folk ou jazz (só para exemplificar), podem assim ser considerados como electrónica. No entanto, o termo “electrónico” tem sido usado, tanto por uma questão de marketing quer por questões de simples estratificação de conceitos, como sendo música criada maioritariamente criada por componentes electrónicos, como sintetizadores, samplers, computadores, etc.. Teoricamente, a música pode incluir outros tipos de instrumentos.

Curiosamente, o aparelho que é considerado como sendo o primeiro instrumento musical electrónico é o Teleharmonium ou, Telharmonium, desenvolvido por Thaddeus Cahill em 1897. Esse instrumento tinha um pequeno inconveniente (pelo menos…), pesava cerca de 7 toneladas, na sua primeira versão, e mais de 200 (!) na última. Seguramente, não deveria ser muito prático para transportar… O primeiro instrumento electrónico transportável e prático de usar, foi o Theremin, inventado pelo professor Leon Theremin, em meados de 1920. Um outro instrumento, o Ondes Martenot, foi usado na Turangalila Symphony por Olivier Messiaen.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Little Annie no encerramento do FADE IN

Little Annie acompanha pelo pianista Paul Wallfisch encerram as actividades do Fade In 2009. O concerto realiza-se no próximo dia 14 de Novembro no Teatro Miguel Franco, em Leiria, pelas 22 horas.
"Admirada por figuras como Marc Almond ou Antony and The Johnsons (foi o próprio Antony que produziu, fez coros e tocou piano no aclamado álbum “Songs From the Coalmine Canary”) LITTLE ANNIE é uma cantora, escritora, actriz, performer, pintora e depurada songwritter norte-americana, que há muito granjeou reputação entre ilustres: o mítico Frank Zappa, em 1980, revelou, numa entrevista à Songwritter Magazine, ter ficado boquiaberto com a performance ao vivo da então líder dos Annie And The Asexuals. De resto, nomes como Crass, Coil, Kid Congo Powers, Wolfgang Press, Current 93 ou Larsen são alguns dos que contaram com a sua colaboração. Mas foi em 2006 que o mundo inteiro teve oportunidade de ouvir LITTLE ANNIE, quando a sua canção “Strange Love” ilustrou um comercial televisivo da Levis… " - Texto da organização do Fade In

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Exposição de fotografia, Dos Beatles a Bowie


A música e a fotografia andam de "braço dado" desde muito cedo, mas foi nos anos 60 que a fotografia ganhou maior relevância no mundo musical, devido em muito, à globalização da cultura pop anglo-saxónica. Na National Portrait Gallery, em Londres, está patente uma exposição dedicada que evoca a cultura pop dos anos 60. Beatles To Bowie – The 60’s Exposed, o nome da esposição, exibe uma colecção de fotografias e capas de revistas da década de 60. Para mais informações, podem consultar a página oficial do museu.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Documentário, Krautrock: The Rebirth of Germany, da BBC

Krautrock: The Rebirth of Germany foi exibido na semana passada na BBC4 e traça o percurso de uma geração de músicos que criou uma nova identidade musical sobre as ruinas da Segunda Guerra Mundial. Entre 1968 e 1977, bandas como os Neu!, Faust, Can, Amon Duul e Kraftwerk criaram músicas que transcenderam as barreiras do som ocidental para criar algo original e descomprometido com o passado recente da Alemanhã. O documentário têm a duração de uma hora e para o ver basta fazer o download das 3 partes. Ou então podem ver na integra neste video.

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Domingo, Novembro 01, 2009

Adeus, António Sérgio


Referência incontornável para várias gerações, António Sérgio de a conhecer novas músicas oriundas de todo o mundo. Fundamental na divulgação da música portuguesa nos seus diversos programas, como a Hora do Lobo e Som da Frente, António Sérgio faleceu ontem vitima de problemas cardiacos. Fica a saudade das noites passadas a ouvir os seus programas radiofónicos.

Elektrokohle (Von Wegen), o novo DVD dos Einstürzende Neubauten


Elektrokohle (Von Wegen), o novo DVD dos Einstürzende Neubauten, vai ser post à venda no próximo dia 3 de Novembro. Trata-se do primeiro concerto dos Neubauten em Berlim Oriental. O concerto foi realizado em Wilhelm Pieck-Hall do centro industrial VEB Elektrokohle. O filme não é somente o registo do concerto ao vivo, tendo também mais de 70 minutos de documentário que inclui os momentos vividos da unfificação das duas alemanhas e a suas diferenças culturais.