Quarta-feira, Março 31, 2010
Terça-feira, Março 30, 2010
Imagens #29
Segunda-feira, Março 29, 2010
Alteração de sala do concerto de Lisa Germano e Philip Selway
O concerto que junta Lisa Germano e Philip Selway no mesmo palco, baterista dos Radiohead, que estava marcado para a Aula Magna, afinal vai ter lugar no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, no dia 6 de Abril. No Porto, o espectáculo será no dia seguinte, na Casa da Música.
Quinta-feira, Março 25, 2010
História da música electrónica, concreta e experimental #11
Theremin (1917)
Os princípios da frequência dos osciladores “heterodyning" foi descoberto por acaso nas primeiras décadas do século XX, pelos engenheiros de rádio quando realizavam experiências com tubos de vácuo. O “heterodyning”, nome pelo qual é normalmente designada essa frequência, é criado por duas ondas de rádio de alta frequência de som similar, mas que no entanto, quando combinadas com diferentes variações, criam uma frequência menor e audível, sendo igual à diferença entre as duas primeiras frequências (aproximadamente entre 20 Hz e 20.000 Hz). O potencial musical deste efeito foi observado e registado por vários engenheiros e criadores, dos quais se destacam Maurice Martenot, Nikolay Obukhov, Givelet Armand e Lev Sergeivitch Termen, violoncelista russo e engenheiro electrónico.
Um dos problemas da utilização do efeito “heterodyning” para fins musicais, é que quando o corpo humano se aproxima perto dos tubos de vácuo, a capacitância do corpo causa variações na frequência sonora. Termen durante as suas experiências, percebeu que ao invés de a capacitância do corpo ser um problema, ela poderia ser utilizada como um mecanismo de controle de um instrumento libertando o executor do teclado.
A primeira máquina construída por Termen, foi construída na URSS, em 1917, foi
baptizada com o seu nome, (sendo referenciado normalmente na língua inglesa como Theremin), ou o Aetherophone, ou seja, o som do éter. Foi o primeiro instrumento com capacidade de explorar as potencialidades do efeito “heterodyning”. O instrumento original utilizava um pedal para controlar o volume e um mecanismo mecânico para alterar o som. A partir deste protótipo, Termen evoluiu o seu aparelho de modo a poder comercializa-lo. Em 1920 apresentou um aparelho evoluído e portátil, semelhante a uma caixa de um comum gramofone, mas com quatro pernas, uma antena e uma vara metálica. O instrumento era tocado pelo movimento das mãos ao redor da vara e da antena metálica. O som produzido era basicamente um tom contínuo monofónico modulado pelo executor. O timbre era semelhante ao do som das cordas de um violino. Esse som era produzido basicamente pelo resultado da combinação do efeito “heterodyning” e de dois osciladores de rádio-frequência. Uma das frequências era fixa nos 170.000 Hz, sendo a outra variável entre os 168.000 e os 170.000 Hz. A frequência do segundo oscilador era determinada pela proximidade da mão do músico à antena. A diferença das frequências fixas e variáveis, resulta numa frequência audível que varia entre os 0 e os 2.000 Hz.
Nos modelos seguintes, Termen juntou um amplificador e um altifalante de grandes dimensões. Este novo modelo foi apresentado pela primeira vez ao público na Feira Industrial de Moscovo em 1920, tendo Lenin presenciado a demonstração, tendo mesmo encomendado 600 modelos para fazer exibições por todo o país.
Em 1927, Termen deixou a União Soviética, tendo-se ixilado nos Estados Unidos da América. No ano seguinte, foi-lhe concedida uma patente para o seu invento, tendo iniciado a sua comercialização e distribuição por intermédio da RCA durante a década de 30. Robert Moog efectuou algumas alterações no aparelho, tendo-lhe introduzido transístores.
O osciloscópio tornou-se um dos meios mais comuns de produção de sons electrónicos até ao advento do transístor em 1960. Devido às suas reduzidas dimensões, o aparelho de Termen conheceu uma grande divulgação, sendo usual encontrar este instrumento nas casas americanas. O Theremin foi amplamente usado nas bandas sonoras de filmes americanos na década de 40 e 50, bem como na indústria musical até aos anos 60. Termen continuou a desenvolver a sua ideia tendo criado diversas variações do seu instrumento, como o Terpsitone, o Rhythmicon e o Electronic Cello.
Os princípios da frequência dos osciladores “heterodyning" foi descoberto por acaso nas primeiras décadas do século XX, pelos engenheiros de rádio quando realizavam experiências com tubos de vácuo. O “heterodyning”, nome pelo qual é normalmente designada essa frequência, é criado por duas ondas de rádio de alta frequência de som similar, mas que no entanto, quando combinadas com diferentes variações, criam uma frequência menor e audível, sendo igual à diferença entre as duas primeiras frequências (aproximadamente entre 20 Hz e 20.000 Hz). O potencial musical deste efeito foi observado e registado por vários engenheiros e criadores, dos quais se destacam Maurice Martenot, Nikolay Obukhov, Givelet Armand e Lev Sergeivitch Termen, violoncelista russo e engenheiro electrónico.
Um dos problemas da utilização do efeito “heterodyning” para fins musicais, é que quando o corpo humano se aproxima perto dos tubos de vácuo, a capacitância do corpo causa variações na frequência sonora. Termen durante as suas experiências, percebeu que ao invés de a capacitância do corpo ser um problema, ela poderia ser utilizada como um mecanismo de controle de um instrumento libertando o executor do teclado.
A primeira máquina construída por Termen, foi construída na URSS, em 1917, foi
baptizada com o seu nome, (sendo referenciado normalmente na língua inglesa como Theremin), ou o Aetherophone, ou seja, o som do éter. Foi o primeiro instrumento com capacidade de explorar as potencialidades do efeito “heterodyning”. O instrumento original utilizava um pedal para controlar o volume e um mecanismo mecânico para alterar o som. A partir deste protótipo, Termen evoluiu o seu aparelho de modo a poder comercializa-lo. Em 1920 apresentou um aparelho evoluído e portátil, semelhante a uma caixa de um comum gramofone, mas com quatro pernas, uma antena e uma vara metálica. O instrumento era tocado pelo movimento das mãos ao redor da vara e da antena metálica. O som produzido era basicamente um tom contínuo monofónico modulado pelo executor. O timbre era semelhante ao do som das cordas de um violino. Esse som era produzido basicamente pelo resultado da combinação do efeito “heterodyning” e de dois osciladores de rádio-frequência. Uma das frequências era fixa nos 170.000 Hz, sendo a outra variável entre os 168.000 e os 170.000 Hz. A frequência do segundo oscilador era determinada pela proximidade da mão do músico à antena. A diferença das frequências fixas e variáveis, resulta numa frequência audível que varia entre os 0 e os 2.000 Hz.Nos modelos seguintes, Termen juntou um amplificador e um altifalante de grandes dimensões. Este novo modelo foi apresentado pela primeira vez ao público na Feira Industrial de Moscovo em 1920, tendo Lenin presenciado a demonstração, tendo mesmo encomendado 600 modelos para fazer exibições por todo o país.
Em 1927, Termen deixou a União Soviética, tendo-se ixilado nos Estados Unidos da América. No ano seguinte, foi-lhe concedida uma patente para o seu invento, tendo iniciado a sua comercialização e distribuição por intermédio da RCA durante a década de 30. Robert Moog efectuou algumas alterações no aparelho, tendo-lhe introduzido transístores.
O osciloscópio tornou-se um dos meios mais comuns de produção de sons electrónicos até ao advento do transístor em 1960. Devido às suas reduzidas dimensões, o aparelho de Termen conheceu uma grande divulgação, sendo usual encontrar este instrumento nas casas americanas. O Theremin foi amplamente usado nas bandas sonoras de filmes americanos na década de 40 e 50, bem como na indústria musical até aos anos 60. Termen continuou a desenvolver a sua ideia tendo criado diversas variações do seu instrumento, como o Terpsitone, o Rhythmicon e o Electronic Cello.
Lev Termen a tocar o seu invento
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Lev Termen,
Theremin
Quarta-feira, Março 24, 2010
Vermillion Sands e Black Leather no Fade In
Sexta feira, dia 2 de Abril, pelas 22 horas e 30 minutos, no Auditório do Orfeão Velho, em Leiria.
"Desta feita, vamos acolher a estreia absoluta em Portugal dos italianos VERMILLION SANDS que nos vêm mostrar porque é que uma editora do calibre da FAT POSSUM os acolheu na sua estreia. Para dar ainda mais brilho a esta data exclusiva em território nacional, convidámos os portugueses BLACK LEATHER que, estamos em crer, ainda vão dar muito que falar.
De realçar que esta será, muito provavelmente, a última intervenção do Festival Fade In no mítico Orfeão Velho que, como tem vindo a ser tornado público, vai fechar portas a estas coisas do rock...
Os italianos VERMILLION SANDS chegam-nos da nebulosa Treviso para um concerto exclusivo em território nacional. Tocam um poprock garage com acentuado travo da folk americana, guitarras e teclados com fuzz contínuo, e trejeitos slide de reminiscências sulistas, capazes de contagiar o mais distraído dos incautos! A sua estreia dá-se numa sala mítica que corre sérios riscos de fechar as portas a estas coisas do rock que, como se sabe, se quer alto, suado, sujo, sexy e explosivo. E é isso mesmo que o quarteto transalpino, cujo primeiro single teve edição na reputada editora Fat Possum, nos vem mostrar no auditório do Orfeão Velho de Leiria. Os VERMILLION SANDS, liderados pela sensual vocalista e guitarrista Anna Barattin, gozam de um enorme culto nos Estados Unidos, mas o seu rock'n'roll de pop adridoce, paradoxalmente fumarento e psicótico, já os levou a sitios tão exóticos como Pequim, cujo concerto foi devida e atentamente policiado (não fosse a juventude chinesa subverter as doutrinas do regime...). Os VERMILLION SANDS apresentar-se-ão em Leiria, cinco dias depois do lançamento do seu álbum homónimo e não vão desperdiçar a ocasião para tocar temas como 'In The Woods', 'Wake Me When I Die' ou 'Ghost Song'.
Os BLACK LEATHER são um sexteto que faz do rock a sua casa. Não um rock hermético, enclausurado num intervalo estético rígido e confinado. O seu rock abraça o lado mais sujo e sensual de todos os rocks, indo do batcave e do deadrock (com deliberados toques góticos), ao pós-punk de olhar fixo no psychobilly, onde nem sequer faltam piscares de olhos persuasivos ao raw-power de uns The Stooges. Vão a todas estes BLACK LEATHER sem, contudo, perderem a identidade, conferida, sobretudo, pela voz grave, incisiva, e impregnada de efeitos de Phil Sick. Apostados em singrar descomprometidamente, este projecto, onde evoluem músicos com valor firmado em bandas como The Great Lesbian Show, Royale Rendez-Vous, UFO (Us Forretas Ocultos), Shake Shake And Show Me Your Pussy ou Sidewalkers, revela capacidade para se tornar num caso sério no panorama marginal da música feita em Portugal. Atento, o Fade In não descura a possibilidade de os poder revelar, convidadando-os a mostrar ao vivo as mais valias de temas como “Velvet Love”, “Standing Righyt Here”, “Sunset Sun” ou Shake It Baby”. Vem aí revelação!!! Apostam?" - texto da organização do Fade In.
"Desta feita, vamos acolher a estreia absoluta em Portugal dos italianos VERMILLION SANDS que nos vêm mostrar porque é que uma editora do calibre da FAT POSSUM os acolheu na sua estreia. Para dar ainda mais brilho a esta data exclusiva em território nacional, convidámos os portugueses BLACK LEATHER que, estamos em crer, ainda vão dar muito que falar.
De realçar que esta será, muito provavelmente, a última intervenção do Festival Fade In no mítico Orfeão Velho que, como tem vindo a ser tornado público, vai fechar portas a estas coisas do rock...
Os italianos VERMILLION SANDS chegam-nos da nebulosa Treviso para um concerto exclusivo em território nacional. Tocam um poprock garage com acentuado travo da folk americana, guitarras e teclados com fuzz contínuo, e trejeitos slide de reminiscências sulistas, capazes de contagiar o mais distraído dos incautos! A sua estreia dá-se numa sala mítica que corre sérios riscos de fechar as portas a estas coisas do rock que, como se sabe, se quer alto, suado, sujo, sexy e explosivo. E é isso mesmo que o quarteto transalpino, cujo primeiro single teve edição na reputada editora Fat Possum, nos vem mostrar no auditório do Orfeão Velho de Leiria. Os VERMILLION SANDS, liderados pela sensual vocalista e guitarrista Anna Barattin, gozam de um enorme culto nos Estados Unidos, mas o seu rock'n'roll de pop adridoce, paradoxalmente fumarento e psicótico, já os levou a sitios tão exóticos como Pequim, cujo concerto foi devida e atentamente policiado (não fosse a juventude chinesa subverter as doutrinas do regime...). Os VERMILLION SANDS apresentar-se-ão em Leiria, cinco dias depois do lançamento do seu álbum homónimo e não vão desperdiçar a ocasião para tocar temas como 'In The Woods', 'Wake Me When I Die' ou 'Ghost Song'.
Os BLACK LEATHER são um sexteto que faz do rock a sua casa. Não um rock hermético, enclausurado num intervalo estético rígido e confinado. O seu rock abraça o lado mais sujo e sensual de todos os rocks, indo do batcave e do deadrock (com deliberados toques góticos), ao pós-punk de olhar fixo no psychobilly, onde nem sequer faltam piscares de olhos persuasivos ao raw-power de uns The Stooges. Vão a todas estes BLACK LEATHER sem, contudo, perderem a identidade, conferida, sobretudo, pela voz grave, incisiva, e impregnada de efeitos de Phil Sick. Apostados em singrar descomprometidamente, este projecto, onde evoluem músicos com valor firmado em bandas como The Great Lesbian Show, Royale Rendez-Vous, UFO (Us Forretas Ocultos), Shake Shake And Show Me Your Pussy ou Sidewalkers, revela capacidade para se tornar num caso sério no panorama marginal da música feita em Portugal. Atento, o Fade In não descura a possibilidade de os poder revelar, convidadando-os a mostrar ao vivo as mais valias de temas como “Velvet Love”, “Standing Righyt Here”, “Sunset Sun” ou Shake It Baby”. Vem aí revelação!!! Apostam?" - texto da organização do Fade In.
Video: VERMILLION SANDS In The Wood
Terça-feira, Março 23, 2010
Baby Dee - A Book of Songs for Anne Marie
A Book of Songs for Anne Marie é essencialmente a reedição do disco de 2004, cuja edição foi limitada a somente 150 cópias. Por isso, é quase se como se fosse um novo disco. Após o sucesso obtido com o disco de 2008, Safe Inside the Day, Baby Dee, a transsexual nova iorquina que ainda no ano passado passou por Portugal para uma série de brilhantes concertos.Os seus discos apresentam sempre uma música evocativa com capacidade de agarrar o ouvinte, conduzindo-o pelas letras tortuosas a seu belo prazer. Este álbum é no entanto mais leve do que Safe Inside the Day, percorrendo territórios mais abertos, cantando por vezes em sussrros, e com arranjos quase idilicos, graças à conjugação da harpa com os violinos e piano. O resultado é um disco harmonioso, com uma atmosfera que capta a atenção do ouvinte e que o arrasta ao longo dos doze temas. Para quem não conhecia este trabalho, eis agora a opurtunidade (finalmente) de admirar este belo registo
Black But Comely ao vivo no Wiltons
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Baby Dee
Segunda-feira, Março 22, 2010
Mais 4 nomes para Sines
Foram divulgados mais quatro nomes para a edição 2010 do Festival de Músicas do Mundo de Sines.
Sa Dingding é uma das figuras mais representativas da música chinesa contemporânea. Actua no Castelo de Sines, no dia 30 de Julho. "Com mais de dois milhões de álbuns vendidos só no Sudoeste Asiático, Sa Dingding é também uma das raras artistas chinesas com uma carreira internacional, tendo vencido a categoria de melhor artista asiática nos prémios de world music da BBC Radio 3, em 2008, na sequência da edição de “Alive”, o seu primeiro disco com edição mundial."
Guadi Galego é uma das cantautoras em maior destaque na nova geração da música galega. Sobe ao palco do Auditório do Centro de Artes de Sines no dia 26 de Julho. "G
uadi Galego começa a sua carreira estudando música no Conservatório da Coruña e música tradicional em diversos grupos da região. Em 1997 ingressa nos Berrogüetto, banda onde passou 10 anos como cantora e gaiteira e em cujo seio obteve grande reconhecimento internacional, com destaque para uma nomeação para os Grammy latinos em 2002, entre vários galardões europeus, espanhóis e galegos. Depois de 2009 ter pisado o palco do Castelo de Sines como convidada de Uxía Pedreira, Guadi Galego volta ao FMM para um concerto a solo no Auditório do Centro de Artes de Sines."
Yasmin Levy, cantora israelita é considerada uma das melhores cantoras do Médio Oriente. O palco do Castelo de Sines é seu no dia 29 de Julho. "Nascida em Jerusalém, em 1975, filha de um profundo conhecedor de 500 anos de repertório da tradição ladina, Yasmin Levy usa a música dos judeus sefarditas da Península Ibérica como base das suas canções desde o seu primeiro álbum, “Romance & Yasmin” (2004).
No seu segundo álbum, “La Judería” (2005), continuou a transformar as canções ladinas, mas começou a fazer experiências com o flamenco (que viria a estudar em Sevilha), num cruzamento entre a pureza e o romantismo da música judaica e a paixão do flamenco que ainda hoje define a sua identidade musical e que viria a merecer a aclamação da crítica internacional, com duas nomeações para os prémios de world music da BBC Radio 3.
Depois de outro álbum de originais de grande sucesso editado em 2007, “Mano Suave”, vem a Sines na sequência do lançamento de “Sentir” (2009), o seu trabalho mais maduro até ao momento, com produção de Javier Limón."
Lole Montoya é uma das vozes mais importantes da história do flamenco, que estará presente no palco do Castelo, no último dia do evento, 31 de Julho. "No seio da d
upla que durante anos formou com Manuel Molina (Lole y Manuel), Lole Montoya esteve na vanguarda do Novo Flamenco, o movimento que, a partir dos anos 70, abriu novos horizontes para o género mais representativo da música espanhola.
Nascida em Triana, Sevilha, em 1954, numa família de grandes tradições flamencas (o pai era “bailaor” e a mãe era “cantaora” e bailaora”), Lole Montoya pisou os “tablaos” de maior prestígio desde muito pequena.
Em 1975, Lole e o seu então marido, o guitarrista e compositor Manuel Molina, gravaram um disco de estreia que iria ajudar a transformar a face do flamenco. “Nuevo Día” deu corpo sonoro ao processo de modernização que se operava em Espanha (Franco morre no mesmo ano) e mostrou como o flamenco se podia abrir a novas temáticas poéticas e ao diálogo com outras músicas."
Sa Dingding é uma das figuras mais representativas da música chinesa contemporânea. Actua no Castelo de Sines, no dia 30 de Julho. "Com mais de dois milhões de álbuns vendidos só no Sudoeste Asiático, Sa Dingding é também uma das raras artistas chinesas com uma carreira internacional, tendo vencido a categoria de melhor artista asiática nos prémios de world music da BBC Radio 3, em 2008, na sequência da edição de “Alive”, o seu primeiro disco com edição mundial."
Guadi Galego é uma das cantautoras em maior destaque na nova geração da música galega. Sobe ao palco do Auditório do Centro de Artes de Sines no dia 26 de Julho. "G
uadi Galego começa a sua carreira estudando música no Conservatório da Coruña e música tradicional em diversos grupos da região. Em 1997 ingressa nos Berrogüetto, banda onde passou 10 anos como cantora e gaiteira e em cujo seio obteve grande reconhecimento internacional, com destaque para uma nomeação para os Grammy latinos em 2002, entre vários galardões europeus, espanhóis e galegos. Depois de 2009 ter pisado o palco do Castelo de Sines como convidada de Uxía Pedreira, Guadi Galego volta ao FMM para um concerto a solo no Auditório do Centro de Artes de Sines."Yasmin Levy, cantora israelita é considerada uma das melhores cantoras do Médio Oriente. O palco do Castelo de Sines é seu no dia 29 de Julho. "Nascida em Jerusalém, em 1975, filha de um profundo conhecedor de 500 anos de repertório da tradição ladina, Yasmin Levy usa a música dos judeus sefarditas da Península Ibérica como base das suas canções desde o seu primeiro álbum, “Romance & Yasmin” (2004).
No seu segundo álbum, “La Judería” (2005), continuou a transformar as canções ladinas, mas começou a fazer experiências com o flamenco (que viria a estudar em Sevilha), num cruzamento entre a pureza e o romantismo da música judaica e a paixão do flamenco que ainda hoje define a sua identidade musical e que viria a merecer a aclamação da crítica internacional, com duas nomeações para os prémios de world music da BBC Radio 3.
Depois de outro álbum de originais de grande sucesso editado em 2007, “Mano Suave”, vem a Sines na sequência do lançamento de “Sentir” (2009), o seu trabalho mais maduro até ao momento, com produção de Javier Limón."
Lole Montoya é uma das vozes mais importantes da história do flamenco, que estará presente no palco do Castelo, no último dia do evento, 31 de Julho. "No seio da d
upla que durante anos formou com Manuel Molina (Lole y Manuel), Lole Montoya esteve na vanguarda do Novo Flamenco, o movimento que, a partir dos anos 70, abriu novos horizontes para o género mais representativo da música espanhola.Nascida em Triana, Sevilha, em 1954, numa família de grandes tradições flamencas (o pai era “bailaor” e a mãe era “cantaora” e bailaora”), Lole Montoya pisou os “tablaos” de maior prestígio desde muito pequena.
Em 1975, Lole e o seu então marido, o guitarrista e compositor Manuel Molina, gravaram um disco de estreia que iria ajudar a transformar a face do flamenco. “Nuevo Día” deu corpo sonoro ao processo de modernização que se operava em Espanha (Franco morre no mesmo ano) e mostrou como o flamenco se podia abrir a novas temáticas poéticas e ao diálogo com outras músicas."
Sexta-feira, Março 19, 2010
Uma Viagem pelos Blues #4 - Floyd Council; Runway Man Blues
Depois de ter aqui falado sobre Pink Anderson, não poderia deixar de escrever sobre Floyd Council, o outro bluesman que contribui para o nome dos Pink Floyd. Council nasceu no dia 2 de Setembro de 1911 na Carlina do Norte, tendo começado a sua carreira nos anos 20 nas ruas Chapil Hill, onde nasceu, com os irmãos Leo e Strowd Thomas.A sua primeira gravação ocorreu nos anos 30, graças a Blind Boy Fuller, com quem trabalhou ocasionalmente. São 27 os temas que alegadamente Floyd gravou, embora uma boa parte delas tenha sido como músico de apoio. Apesar de ter tocado por diversas vezes em Nova Iorque, a generalidade das suas actuações ocorreram na sua terra natal, nomeadamente, na rádio local.
Nos anos 60, Floyd deixou de tocar devido a uma doença que lhe paralisava um braço, tendo morrido em 1976. Não deixa de ser curioso que o seu nome é mais conhecido por ter dado origem ao nome de uma banda psicadélica do que pelos méritos como músico…
Ponto de escuta: Runway Man Blues
Quinta-feira, Março 18, 2010
Discografia Imprescendível 021 - Klaus Schulze - Irrlicht (1972)
Após a participação nos primeiros discos dos Tangerine Dream e Ash Ra Tempel, Klaus Schulze, então baterista, surge a solo como teclista, sendo considerado actualmente, um dos nomes maiores da música electrónica.Schulze provem da denominada escola de música electrónica de Berlim que ganhou relevo nos inícios dos anos 70. Schulz tornou-se uma das peças mais significativas do desenvolvimento da música electrónica germânica, nomeadamente, na música de cariz ambiental e espacial. De certa forma, bandas como os Tangerine Dream, Popol Vuh e o próprio Schulze terão contribuído para o surgimento da música New Age.
A sua formação clássica, poderá em parte, justificar as características mais complexas da estrutura musical dos seus trabalhos a solo. Schulze recorre frequentemente, sendo bem evidente no seu primeiro disco Irrlicht, à repetição de frases musicais, apoiadas em crescendos progressivos até atingir o ponto de exaustão. Os sons são adicionados em camadas, flutuando em espiral em redor do ouvinte, intensificando a circularidade da estrutura musical. Ao contrário dos Tangerine Dream, que apresentavam sons como se fossem pinceladas sonoras, por vezes sem ligação entre si, Schulz apresenta uma estrutura mais convencional, onde a melodia segue um caminho delineado, ou seja, segue do ponto A para o B sem extravios de improvisação. Em abono da verdade, a sua música é bastante rígida, bem ao estilo austero germânico, ao contrário dos seus congéneres CAN ou Faust.
Fundamentalmente, a sonoridade de Schulze permite ao ouvinte vogar por um espaço imaginário, em ambientes meditativos, em longas suites sonoras, perfeitas para serem ouvidas numa noite de Inverno.
Ponto de escuta: Satz Gewintter
Quarta-feira, Março 17, 2010
Terça-feira, Março 16, 2010
História da música electrónica, concreta e experimental #10
Raoul Hausmann é uma das figuras maiores do movimento Dada, sendo o seu trabalho uma referência no movimento Avant Garde europeu pós I Guerra Mundial. Nascido a 12 de Julho de 1886, em Viena, na Áustria, mudou-se aos 14 anos para Berlim.Em 1912, Hausmann tornou-se escritor oficial da revista Der Sturm, uma plataforma de manifesto contra os lobbys da arte vigentes. Por essa altura, e influenciado Herwarth Walden, proprietário da referida revista e de uma galeria de arte, começou a produzir gravuras expressionistas. Em consonância com o pensamento de uma vasta comunidade intelectual da época, Hausmann defendeu os valores da I Guerra Mundial, acreditando ser necessária uma limpeza da sociedade.
Em 1916, Raoul conhece alguns pensadores que viriam a moldar o seu pensamento definitivamente. Entre outros nomes, destacam-se o psicanalista Otto Gross, e o reconhecido anarquista, e escritor, Franz Jung. Juntamente com Hans Richter e Emmy Hennings, Hausmann passa a escrever para ao jornal anarquista Die Freie Strasse.
Em 17, Hausmann fazia parte de um grupo de jovens artistas descontentes q
ue formaram o núcleo duro do movimento Dada de Berlim. Desse grupo faziam parte à época Huelsenbeck, George Grosz, John Heartfield, Jung, Hoch, Walter Mehring Baader que formaram o Dada Club. O primeiro evento foi uma noite de apresentações de poesia e palestras de crítica contra artistas reconhecidos. Em 18, Hausmann apresentou o Manifesto Dada em que defendia a noção de destruição como um acto de criação. Nesse âmbito, desenvolveu o conceito de colagens fotográficas juntamente com poesia bem como, poemas fonéticos. No ano seguinte tornou-se editor da revista Der Dada, que com o fim da guerra, pode trabalhar livremente.Nos inícios dos anos 20, o movimento Dada entra em declínio, tendo Hausmann começado a escrever o romance Hyle em 1926. Paralelamente, efectua experiências electro-acústicos e visuais com o Optophon, um dispositivo que produzia ondas de luz conjuntamente com som. Com a sua mudança para Ibiza, nos anos, Raoul começa a trabalhar sistematicamente no campo da fotografia. Hausmann viria a ser considerado um artista proscrito, tendo mudado de país diversas vezes. Em 38, fixa-se definitivamente em França, onde se isolou do mundo, tendo morrido em 1971.
Ponto de escuta: Poeme phonetique - 1918
Sexta-feira, Março 12, 2010
Imagens #28
O logótipo dos britânicos The Who foi desenhado por Brian Pike para a promoção da banda nos seus primeiros concertos no Marquee Club, em Novembro de 1964. Foram impressos cartazes publicitários com esse logótipo, que se tornaram um ícone clássico da histórica da música. Curiosamente, e apesar de o logótipo ser imediatamente reconhecido e associado à banda, não foi utilizado em nenhum dos discos da formação.O design, é simples mas revela ser eficaz na leitura da sua simbologia. A adição de uma seta na letra “O”, transmite uma ideia de dinâmica e de força, que simboliza as actuações ao vivo da banda e, simultaneamente, remete para uma ideia libertadora que percorria a Inglaterra nos anos 60.
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Brian Pike,
The Who
Quinta-feira, Março 11, 2010
Neil Young - A Estrela do Norte #23
Desconcertante era a relação entre Young e Stills, principalmente após a assinatura do novo contrato. Por essa altura, a banda criou a Springalo Toones, que seria a empresa responsável pela gerência de tudo o que dizia respeito à formação. Entretanto, Greene e Stone, criaram a Teen East, tendo ficado acordado que o catálogo da banda seria distribuído por ambas as empresas, juntamente com a Atlantic’s Cotillion. Isso obrigou-os a pertencer ao sindicato representativo dos músicos, que na altura ainda obrigava a nomeação de um líder que representaria a banda. Este sistema arcaico é originário do tempo da formação das big band’s. O líder formal das bandas tinha assim direito a receber mais dinheiro, normalmente o dobro do que os restantes membros, sem ter mais trabalho e responsabilidades. Stills e Young não atribuíram muita importância à questão dos honorários, no entanto, quanto à questão do papel de liderança, a conversa já era outra.
Stills assumiu o papel de líder e depressa se apercebeu que quantas mais músicas assina-se, mais dinheiro receberia. Aí os problemas começaram realmente. Foi com este espírito competitivo, que a banda entrou em estúdio para gravar o primeiro longa duração. Neil tentava impor a todo o custo a sua influência. Steve, que sempre ambicionava ser considerado o guitarrista principal, via-se relegado para segundo plano pela forma de actuação de Young. Simultaneamente, Neil, tentava exercer a sua influência para ser o vocalista principal, afirmando que ninguém conseguia cantar os temas que compunha. Richie Furay, que era formalmente considerado o vocalista principal via o seu ego em baixo com toda esta situação.
Stills e Young estabeleceram um acordo sobre a divisão dos temas no futuro disco. Assim, cada um ficaria com os créditos de metade das composições impressas no disco. Richie Furay compôs diversas músicas, que no entanto não viram a luz do dia. Furay preferiu não se intrometer na luta de poder, ficando satisfeito com a oferta de Young, de que seria o cantor principal nos temas compostos pelo canadiano. A excepção foi o tema de “Burned”, que Young fez questão de cantar. No entanto, o tema de maior sucesso, seria “Sit Down I Think I Love You", composto por Stills. Esse tema viria a ser eleito pela revista Mojo Men como uma das melhores músicas do ano.
Ponto de escuta:
Burned
Sit Down I Think I Love You
Stills assumiu o papel de líder e depressa se apercebeu que quantas mais músicas assina-se, mais dinheiro receberia. Aí os problemas começaram realmente. Foi com este espírito competitivo, que a banda entrou em estúdio para gravar o primeiro longa duração. Neil tentava impor a todo o custo a sua influência. Steve, que sempre ambicionava ser considerado o guitarrista principal, via-se relegado para segundo plano pela forma de actuação de Young. Simultaneamente, Neil, tentava exercer a sua influência para ser o vocalista principal, afirmando que ninguém conseguia cantar os temas que compunha. Richie Furay, que era formalmente considerado o vocalista principal via o seu ego em baixo com toda esta situação.
Stills e Young estabeleceram um acordo sobre a divisão dos temas no futuro disco. Assim, cada um ficaria com os créditos de metade das composições impressas no disco. Richie Furay compôs diversas músicas, que no entanto não viram a luz do dia. Furay preferiu não se intrometer na luta de poder, ficando satisfeito com a oferta de Young, de que seria o cantor principal nos temas compostos pelo canadiano. A excepção foi o tema de “Burned”, que Young fez questão de cantar. No entanto, o tema de maior sucesso, seria “Sit Down I Think I Love You", composto por Stills. Esse tema viria a ser eleito pela revista Mojo Men como uma das melhores músicas do ano.
Ponto de escuta:
Burned
Sit Down I Think I Love You
Quarta-feira, Março 10, 2010
Uma Viagem pelos Blues #3 - Son House; Death Letter
Eddie James House, Jr., mais conhecido como Son House, foi um influente cantor e guitarrista de Blues. Como acontece com quase todos músicos desta época, a sua data de nascimento é controversa. Ainda que os registos legais indiquem 21 de Março de 1902, o próprio Son House deu informações contraditórias ao longo de sua carreira: que estaria na meia-idade durante a Primeira Guerra Mundial, que tinha 79 anos em 1965 e que havia nascido em 1886. Sabe-se no entanto, que nasceu em Riverton, no Mississípi.Após matar um homem, alegadamente em auto-defesa, passou algum tempo preso na Fazenda Parchman, uma penitenciária de segurança máxima em Parchman, no Mississippi. Ao contrário de alguns guitarristas das décadas de 1920 e 1930, House não era um virtuoso, e não há nada de impressionante na sua técnica. Contudo, compensava a sua falta de técnica com um estilo inovador, com ritmos fortes e repetitivos, muitas vezes tocados com a ajuda da técnica de slide. A sua música era dançante, perfeita para ser tocada em ambientes barulhentos como bares e salões de dança.
House tocou com Charley Patton, Willie Brown, Robert Johnson, "Fiddlin'" Joe Martin, e Leroy Williams, sendo uma importante influência para Muddy Waters e Robert Johnson, que levariam sua música a novos horizontes. Deve-se a House o boato de que Johnson vendeu sua alma em troca da proeza para tocar guitarra.
Son House gravou para a Paramount Records em 1930 e para Alan Lomax da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos no início da década de 1940. Fez poucas aparições públicas até os blues e o country terem ganho novo folgo nos anos 60. A partir de então, efectuo diversas digressões pelos Estados Unidos e pela Europa, e gravou novos temas pela editora CBS.
House influenciou bandas de rock como o White Stripes, que gravou uma versão de sua música Death Letter no álbum De Stijl. No início da década de 1970, devido a diversos problemas de saúde, deixou de aparecer em público tendo morrido em Detroit, no Michigan, em 1988.
Terça-feira, Março 09, 2010
E por falar em Faust... vem aí um novo disco e concerto em Portugal
Faust is Last será o nome do próximo disco da banda germânica Faust. A sua edição está prevista para o próximo mês de Abril, sendo no entanto possível fazer a pré-encomenda do duplo álbum aqui.Este novo registo dará lugar a uma digressão, a "Stop Faust Now!" que passará por Portugal no dia 19 de Junho, em local a anunciar.
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Faust
Elektronsiche Musik, a Alemanha era assim nos anos 70
A editora Soul Jazz vai editar uma antologia com os maiores nomes do "kraut rock". Discussão à parte sobre a designação, a Soul Jazz editar num duplo CD e quadruplo vinil, de seu nome Elektronsiche Musik – com o subtítulo Experimental German Rock and Electronic Music 1972-83, que inclui bandas germânicas como os Amon Duul, Can, Harmonia, Popol Vuh, La Düsseldorf, Faust, Neu!, Dieter Moebius, Cluster, Tangerine Dream e Roedelius. De fora desta antologia ficam os Kraftwerk, provavelmente, a banda alemã mais conhecida, e que no fundo sintetizou num som único todas as influências sonoras e criativas de uma Alemanha em transformação.
Segunda-feira, Março 08, 2010
Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra - Kollaps Tradixionales
Como é do conhecimento geral, os Silver Mt. Zion surgiram no panorama musical para prestar homenagem ao cão de Efrim Menuck que tinha falecido recentemente. O mentor dos Godspeed You ! Black Emperor pretendia somente honrar o seu fiel companheiro, e ao contrário de muitas das bandas, não tinham ambições específicas, nem pretensões de uma longa e proveitosa carreira. Entretanto, passaram dez anos! E ao longo dos últimos dez anos muita coisa mudou no panorama musical. A dita música alternativa e indie tornou-se uma verdadeira mina de ouro, muito graças à internet, que ajudou, sem dúvidas, a divulgar muitos dos nomes que hoje conhecemos. Os Silver Zion tornaram-se um dos nomes maiores dessa “cultura”, portadores de uma mensagem política anarquista e de um som impar dos restantes. Mesmo do som dos originais GY!BE, dos quais, de disco para disco, se distanciam, apresentando novos esquemas sonoros e uma irreverência no que diz respeita à construção sonora.Com 13 Blues for Thirteen Moons, os Silver Zion seguiram por um caminho mais pesado o que terá levado a muito boa gente se afastar desse registo. O novo disco parece ser à primeira vista um paço atrás, sugerindo uma reconciliação com o seu público. Apesar de o disco iniciar com um tema típico dos Silver Zion, que estabelece uma ligação directa com o ouvinte para o conduzir para um crescente ambiente negro, com a melodia a levitar em territórios já conhecidos, os dois temas seguintes, I Built Myself a Metal Bird/ I Fed My Metal Bird the Wings of Other Metal Birds, remete-nos imediatamente para o álbum anterior. Este é o momento mais incendiário do disco, com Menuck a gritar histericamente, como que nos obrigando a seguir os seus sentimentos. E esses sentimentos são revelados no último tema Piphany Rambler, onde os ideais políticos e os seus receios de se tornarem mais uma engrenagem no panorama da musica alternativa, e uma anedota de eles próprios.
Em abono da verdade, este pode não ser um dos melhores registos dos Silver Zion. A redução dos membros efectivos parece ter condicionado a construção musical. Onde antes existia uma elaborada orquestração, por vezes demasiado densa, agora surge uma estrutura aparentemente simplificada, mas mais cortante. Julgo por tanto que a banda não deu simplesmente um passo a trás na sua sonoridade, bem pelo contrário, acredito que mais uma vez, Menuck e companhia procuraram seguir um novo trilho, tendo fundido as ideias fundamentais da sua história musical. Pode não ser dos mais brilhantes discos da banda, sendo mesmo, na minha modesta opinião, um dos álbuns mais difíceis de criar uma empatia desde a primeira audição, mas que afinal de contas revela ser um dos mais importantes manifestos de uma banda que procura fugir aos estereótipos de um comércio musical que entorpece a criatividade e o risco de inovar.
I Built Myself A Metal Bird - Thee Silver Mt. Zion from Constellation Records on Vimeo.
Quinta-feira, Março 04, 2010
Festival da Canção 2010
"O Festival da Canção é bom, mas gosto mais de música..." - Bruno Nogueira no seu programa "Tubo de Ensaio" na TSF.
Quarta-feira, Março 03, 2010
História da música electrónica, concreta e experimental #9
O Optophonic Piano é um instrumento electrónico criado pelo pintor russo Vladimir Baranoff Rossine, nascido em 1888 em Kherson na Ucrânia. Rossine começou a trabalhar na criação do Optphonic em 1916, tendo sido utilizado nas suas próprias exposições e eventos de de cariz revolucionário no alvorecer da União Soviética. O instrumento produzia e projectava sons em padrões giratórios numa parede ou tecto graças à projecção de uma luz directa e brilhante através de uma série de discos de vidro pintados, filtros, espelhos e lentes. Um teclado controlava a combinação dos diversos filtros e discos. As variações da opacidade do disco pintado e dos filtros eram controladas por uma célula fotoeléctrica. O instrumento produzia assim uma variação de tons contínuos,
que eram acompanhados pelas projecções caleidoscópicas rotativas.Em 1924, Rossine deu os seus últimos dois concertos na União Soviética, juntamente com a sua esposa, Pauline Boukour, no Meyerhold e no Bolchoi. No ano seguinte Rossine deixou a União Soviética e radicou-se em Paris, onde continuou a realizar exposições de pintura e concertos com o seu instrumento. Rossine morreu em Paris em 1944.
Terça-feira, Março 02, 2010
Imagens #27

Michael Ochs é o irmão mais novo do cantor folk-rock Phil Ochs, e que por mero acaso se tornou agente deste em 1967. Nessa época, Michael já era fotógrafo e a sua reputação estava em ascensão, de cujo portfolio faziam parte fotografias de músicos como Taj Mahal, os Chamber Brothers e os Sopwith Camel. A actividade de agente do seu irmão nem sempre correu bem, em parte devido ao comportamento errático de Phil, que viria a falecer em 1976. Em contraponto, a carreira como fotógrafo progrediu de uma forma consistente, tendo constituído a Michael Ochs Archives, que é ainda hoje, uma das mais importantes colecções e simultaneamente fornecedor de imagens de músicos do século XX. Paralelamente, Michael organizou programas de rádio e foi uma peça fundamental na reedição de músicas, algumas inéditas, do seu irmão Phil.
Jimi Hendrix foi um dos artistas mais fotografados por Ochs, tendo tido o privilégio de o fotografar dezenas de vezes. A presente fotografia foi tirada em 1968, durante os ensaios no quarto de hotel momentos antes do concerto no International Center, em 5 de Outubro, em Honolulu, no Havai.
Jimi Hendrix foi um dos artistas mais fotografados por Ochs, tendo tido o privilégio de o fotografar dezenas de vezes. A presente fotografia foi tirada em 1968, durante os ensaios no quarto de hotel momentos antes do concerto no International Center, em 5 de Outubro, em Honolulu, no Havai.
Segunda-feira, Março 01, 2010
Festival de Músicas do Mundo de Sines: os primeiros nomes
O Festival Músicas do Mundo já tem data marcada, irá decorrer entre os dias 23 e 31 de Julho de 2010. A distribuição dos concertos pelos diferentes palcos na 12.ª edição do FMM é semelhante à dos anos anteriores: três dias em Porto Covo (23 a 25 de Julho), dois dias com concertos no auditório do Centro de Artes de Sines (26 e 27 de Julho) e quatro dias com música nos palcos do Castelo e da Avenida Vasco da Gama (28 a 31 de Julho).
Já são conhecidos dois nomes do cartaz: os britânicos, The Mekons; e o grupo congolês, Staff Benda Bilili.
"O grupo britânico The Mekons nasceu em Leeds em 1977, ao lado de bandas como Gang of Four e Delta 5, no seio do movimento pós-punk. A primeira fase da carreira da banda acompanhou as tendências dominantes da música inglesa e embora tenham tido diversas formações, o coração criativo constituído pelos guitarristas, vocalistas e compositores Jon Langford e Tom Greenhalgh manteve-se intacto desde o início. Em 1985, a banda ganhou uma segunda vida com o lançamento do álbum “Fear and Whiskey”. Já com uma formação que inclua a cantora Sally Timms, a violinista Susie Honeyman, o acordeonista Rico Bell, o baterista Steve Goulding e o multi-instrumentista Lu Edmonds, entre outros, The Mekons aproximaram a sua música das raízes folk inglesas e da country norte-americana, dando início ao que viria a ser designado por alt-country, movimento que, desde os anos 90, tem revelado alguns dos melhores músicos da música alternativa (um deles, Will Oldham, tem aliás uma canção de tributo ao grupo inglês, “For The Mekons et al”). Hoje já com 26 álbuns gravados, o último dos quais “Natural” (2007), um regresso acústico às raízes folclóricas inglesas, o octeto mantém a reputação de uma das melhores bandas do mundo em espectáculos ao vivo, ajudada por um tempero reggae surpreendente em algumas das canções e pelo humor e a veia política que sempre ofereceram substância ao seu repertório. Quando subirem ao palco do Castelo de Sines na noite de 29 de Julho já deverão apresentar canções do seu novo disco, a lançar nos próximos meses".
"Vencedor do melhor disco de world music de 2009 em várias publicações, o grupo congolês Staff Benda Bilili actua no Castelo de Sines, na noite de 31 de Julho. Um dos maiores casos de sucesso das músicas do mundo no último ano e uma das maiores revelações da música africana da última década, o grupo Staff Benda Bilili nasceu no jardim zoológico de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, formado por músicos paraplégicos, vítimas de poliomielite em crianças, que dormiam e ganhavam a sua vida na rua cantando e tocando para os transeuntes. O seu álbum de estreia, “ Très Très Fort” (Crammed), gravado no zoo de Kinshasa por Vincent Kenis, produtor de Konono n.º 1, Kasaï Allstars e de toda a série Congotronics, chegou ao 1.º lugar da World Music Charts Europe em Maio de 2009, foi considerado o melhor do ano pela bíblia do género, a revista fRoots, e foi eleito o melhor álbum de “world music” de 2009 pela Mojo, uma das mais consagradas revistas de música popular. A digressão europeia que se seguiu ao lançamento do disco mereceu críticas elogiosas em publicações de referência de todo o continente, incluindo The Guardian, The Independent e NME. Musicalmente, Staff Benda Bilili é uma mistura tipicamente congolesa de ritmos tradicionais, funk e a versão local da rumba. Os músicos cantam, dançam e tocam em guitarras e instrumentos criados pelos próprios com os objectos que encontram na rua. As letras falam da doença que os colocou em cadeiras de rodas, mas sobretudo do que acontece à sua volta, as histórias das crianças sem-abrigo e dos refugiados da guerra, e são assumidas como verdadeiras crónicas da vida da capital congolesa. O prémio Womex, normalmente só entregue a músicos no final de uma longa carreira, foi-lhes atribuído em 2009 em reconhecimento do seu exemplo extraordinário de dedicação à música".
Já são conhecidos dois nomes do cartaz: os britânicos, The Mekons; e o grupo congolês, Staff Benda Bilili.
"O grupo britânico The Mekons nasceu em Leeds em 1977, ao lado de bandas como Gang of Four e Delta 5, no seio do movimento pós-punk. A primeira fase da carreira da banda acompanhou as tendências dominantes da música inglesa e embora tenham tido diversas formações, o coração criativo constituído pelos guitarristas, vocalistas e compositores Jon Langford e Tom Greenhalgh manteve-se intacto desde o início. Em 1985, a banda ganhou uma segunda vida com o lançamento do álbum “Fear and Whiskey”. Já com uma formação que inclua a cantora Sally Timms, a violinista Susie Honeyman, o acordeonista Rico Bell, o baterista Steve Goulding e o multi-instrumentista Lu Edmonds, entre outros, The Mekons aproximaram a sua música das raízes folk inglesas e da country norte-americana, dando início ao que viria a ser designado por alt-country, movimento que, desde os anos 90, tem revelado alguns dos melhores músicos da música alternativa (um deles, Will Oldham, tem aliás uma canção de tributo ao grupo inglês, “For The Mekons et al”). Hoje já com 26 álbuns gravados, o último dos quais “Natural” (2007), um regresso acústico às raízes folclóricas inglesas, o octeto mantém a reputação de uma das melhores bandas do mundo em espectáculos ao vivo, ajudada por um tempero reggae surpreendente em algumas das canções e pelo humor e a veia política que sempre ofereceram substância ao seu repertório. Quando subirem ao palco do Castelo de Sines na noite de 29 de Julho já deverão apresentar canções do seu novo disco, a lançar nos próximos meses".
"Vencedor do melhor disco de world music de 2009 em várias publicações, o grupo congolês Staff Benda Bilili actua no Castelo de Sines, na noite de 31 de Julho. Um dos maiores casos de sucesso das músicas do mundo no último ano e uma das maiores revelações da música africana da última década, o grupo Staff Benda Bilili nasceu no jardim zoológico de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, formado por músicos paraplégicos, vítimas de poliomielite em crianças, que dormiam e ganhavam a sua vida na rua cantando e tocando para os transeuntes. O seu álbum de estreia, “ Très Très Fort” (Crammed), gravado no zoo de Kinshasa por Vincent Kenis, produtor de Konono n.º 1, Kasaï Allstars e de toda a série Congotronics, chegou ao 1.º lugar da World Music Charts Europe em Maio de 2009, foi considerado o melhor do ano pela bíblia do género, a revista fRoots, e foi eleito o melhor álbum de “world music” de 2009 pela Mojo, uma das mais consagradas revistas de música popular. A digressão europeia que se seguiu ao lançamento do disco mereceu críticas elogiosas em publicações de referência de todo o continente, incluindo The Guardian, The Independent e NME. Musicalmente, Staff Benda Bilili é uma mistura tipicamente congolesa de ritmos tradicionais, funk e a versão local da rumba. Os músicos cantam, dançam e tocam em guitarras e instrumentos criados pelos próprios com os objectos que encontram na rua. As letras falam da doença que os colocou em cadeiras de rodas, mas sobretudo do que acontece à sua volta, as histórias das crianças sem-abrigo e dos refugiados da guerra, e são assumidas como verdadeiras crónicas da vida da capital congolesa. O prémio Womex, normalmente só entregue a músicos no final de uma longa carreira, foi-lhes atribuído em 2009 em reconhecimento do seu exemplo extraordinário de dedicação à música".
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