Quarta-feira, Março 30, 2011

Novos nomes para o Festival de Músicas do Mundo de Sines

Novos nomes foram adicionados ao cartaz do Festival de Músicas do Mundo 2011. Da programação fazem parte, até ao momento os seguintes nomes: Luísa Maita; Mercedes Peón; Manou Gallo; Nomfusi; Nathalie Natiembé; Mário Lúcio; Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble; Mamer; Ayarkhaan; Shunsuke Kimura x Etsuro Ono; António Zambujo; Ebo Taylor; Blitz The Ambassador; Congotronics vs. Rockers.

"A primeira a subir ao palco do Castelo de Sines, no dia 24 de Julho, é a brasileira LUÍSA MAITA, uma das mais fortes apostas recentes da Cumbancha, editora de referência na área das músicas do mundo. Nascida em São Paulo em 1982, filha de pai sírio e mãe judia, faz música assumidamente urbana tendo o samba e a bossa nova como principais fundações artísticas. O seu álbum de estreia, “Lero-Lero”, foi lançado em 2010 e figurou na lista dos melhores discos do ano de várias publicações, incluindo a revista Veja. A sua presença em Sines é uma estreia em palcos portugueses.


MERCEDES PEÓN, natural da Galiza, é um das artistas mais carismáticas do circuito da “world music”. As suas primeiras influências foram os cantos tradicionais das mulheres da Costa da Morte, com os quais aprendeu e os quais ensinou. Gravou o seu primeiro disco, “Isué”, em 2000. Seguiram-se “Ajrú” (2004) e “Sihá” (2007), numa evolução para o registo electroacústico, que culmina em “Sós” (2010), o seu trabalho mais vanguardista, que nos últimos meses tem ocupado o 1.º lugar nos “charts” europeus de “world music”. Compositora, cantora, multi-instrumentista, enche sozinha o palco no Castelo, no dia 27 de Julho.


Também no dia 27 de Julho, actua MANOU GALLO. Natural da Costa do Marfim, apaixonou-se pela música pela via da percussão, tocando desde muito cedo os “tambores falantes”, tipo de percussão usado nos rituais do povo Djiboi. No início da idade adulta, começou a interessar-se pelo baixo, que em 1997 a levaria à Bélgica, para integrar o grupo Zap Mama. Desenvolve uma carreira a solo, como cantora, baixista e percussionista, desde 2001, tendo já gravado três discos: “Dida” (2002), “Manou Gallo” (2006) e “Lowlin” (2009). Na sua música, junta a tradição do seu país a influências de soul, funk e blues. É acompanhada em concerto pela Women Band, constituída por músicos belgas.


NOMFUSI, jovem estrela da música sul-africana, está no Castelo na noite de 28 de Julho. Nascida numa “township” (bairro pobre exclusivamente habitado por não brancos), Nomfusi começou a cantar na igreja, onde foi descoberta e ganhou uma bolsa de estudo para estudar canto e composição na Cidade do Cabo. “Kwazibani”, o nome do seu disco de estreia, lançando em 2009, lembra o nome de sua mãe, morta com sida quando Nomfusi tinha 12 anos. A sua identidade musical situa-se entre o jazz sul-africano, o R&B e o Motown clássico. É acompanhada pela banda The Lucky Charms, formada por músicos das “townships”. Estreia-se em Portugal no FMM.


NATHALIE NATIEMBÉ, natural de Reunião, ilha francesa no Oceano Índico, actua no Castelo na noite de 30 de Julho. Inscrita na tradição do “maloya”, um dos estilos principais da música da ilha, com raízes na cultura dos escravos, Nathalie cria canções com letras em francês e em crioulo, onde também se deixam entrever influências da “chanson” francesa, jazz, blues, reggae e várias músicas africanas. Chega a Sines com três discos gravados: “Margoz” (2001), “Sankèr” (2005), classificado com a nota máxima, Choc, do suplemento musical do Le Monde – e “Karma” (2009). A sua voz, usada a cappella ou acompanhada por um grupo instrumental reduzido, é o seu trunfo principal. É mais uma estreia em Portugal.


O músico cabo-verdiano Mário Lúcio actua no palco do Castelo de Sines no sábado, 30 de Julho, último dia do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011. Nascido no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1964, foi o fundador do grupo Simentera, que marcou o regresso da música cabo-verdiana às suas raízes acústicas e reivindicou a cultura continental africana como elemento da identidade cultural cabo-verdiana. Simentera actuou no FMM Sines em 2003, num concerto que Mário Lúcio classificou em palco como um dos 11 melhores dos 11 anos de carreira do grupo. Gravou o seu primeiro disco a solo, intitulado “Mar e Luz”, em 2004, seguido de “Ao Vivo e aos Outros”, em 2006, e “Badyo”, em 2007. “Kreol”, o seu disco mais recente, tem marcado presença regular no topo dos charts de “world music” desde o seu lançamento, em 2010. Artista multifacetado, além de compositor, multi-instrumentista e estudioso da música tradicional, desenvolve uma carreira na escrita e na pintura. Com um historial de intervenção associativa e política, incluindo uma passagem como deputado pelo parlamento cabo-verdiano entre 1996 e 2001, Mário Lúcio foi nomeado, em Março de 2011, ministro da Cultura de Cabo Verde.


No dia 28 de Julho, o Castelo acolhe o projecto “Desert Slide”, que junta Vishwa Mohan Bhatt, um dos maiores mestres da slide guitar, e o grupo cigano Divana Ensemble. Primeiro aluno de Ravi Shankar, Vishwa Mohan Bhatt é um dos músicos indianos mais reconhecidos no mundo. Compositor e improvisador de excelência, criou o seu próprio instrumento, a “Mohan Veena”, um cruzamento de vários instrumentos de cordas indianos com a slide guitar norte-americana. Venceu o Grammy para Melhor Disco de World Music em 1994, com o CD “A Meeting by the River”, em parceria com Ry Cooder. Encontra-se nomeado para o prémio de melhor colaboração intercultural nos prémios Songlines 2011 pelo seu disco “Sleepless Nights on World Village”, com Matt Malley. Originário, como Vishwa, do Rajastão, o maior e mais desértico estado da Índia, o quinteto cigano The Divana Ensemble inscreve-se na tradição das antigas castas de músicos dos rajás. É composto por Anwar Khan Manganiar (voz), Prithviraj Suresh Mishra (tablas), Gazi Khan Barna (kartâl – percussão), Feiruz Khan Manghaniyar (dholak – percussão) e Ghewar Khan Manghaniyar (kamanchiya – instrumento de arco).


Mamer é um dos artistas mais originais e influentes da nova música da China, um trovador na tradição folk. Nascido e criado na província de Xinjiang, busca inspiração na cultura dos pastores nómadas de etnia cazaque que vivem naquela região do noroeste da China. O seu álbum de estreia, “Eagle”, editado em 2009 pela Real World, combina elementos tradicionais, folk e rock. As canções do seu repertório, provenientes no folclore local e originais de Mamer, são cantadas com uma voz grave inconfundível e acompanhadas de forma virtuosa na guitarra, no “dombra” (alaúde dos povos cazaques da Ásia Central) e noutros instrumentos tradicionais. Mamer, que esteve programado para o FMM 2009, mas não chegou a actuar devido a problemas de vistos, sobe ao palco do Castelo na noite de 23 de Julho.


O trio feminino Ayarkhaan recupera a tradição musical da Iacútia (ou Sakha), república asiática da Federação Russa. Formado em 2002, é composto por Albina Degtyareva, Yuliana Krivoshapkina e Olga Podluzhnaya, cantoras e intérpretes de “khomus”, um tipo de berimbau metálico tocado com a boca, instrumento nacional usado pelos xamãs nos seus rituais. Utilizam o estilo de canto gutural “d’ieretii”, semelhante ao utilizado por coros búlgaros e russos. Proveniente de uma das mais desoladas e espectaculares paisagens do mundo, entre a estepe e o Árctico, a música de Ayarkhaan inspira-se nos poderes da natureza, figurando, nalguns momentos, o som do vento, dos cavalos, dos pássaros e outros sons naturais. O concerto de Ayarkhaan no Castelo de Sines realiza-se na noite de 29 de Julho.


O projecto Shunsuke Kimura x Etsuro Ono explora as qualidades do “Tsugaru Shamisen”, um estilo virtuoso, com forte componente percutiva, de tocar o shamisen, instrumento de três cordas omnipresente na cultura do Japão. Formado em 2008, o duo é constituído por Shunsuke Kimura (que além de Tsugaru Shamisen, toca flauta “fue” e percussões) e Etsuro Ono (Tsugaru Shamisen e percussão). Shunsuke Kimura nasceu em 1969 e é um dos mais aclamados compositores e intérpretes de instrumentos tradicionais japoneses. Etsuro Ono, nascido em 1972, estudou “Tsugaru Shamisen” na prefeitura de Aomori, no norte da ilha de Honshu, o coração deste género musical, e tem desenvolvido um trabalho consistente com diversas companhias de teatro. Premiados pela qualidade da sua inovação na música tradicional, Kimura e Ono levam o Tsugaru Shamisen a extremos de dinamismo e improvisação, em concertos em que a energia libertada transcende em muito os recursos aparentes do instrumento acústico. Actuam no Castelo de Sines na noite de 28 de Julho.


O músico português António Zambujo dará o concerto inaugural do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011, no dia 22 de Julho, no Castelo de Sines. Nascido em Beja, em 1975, António Zambujo cresceu a ouvir o cante alentejano, cuja harmonia, cadência e tempo são uma das suas principais influências. Estudante de clarinete no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, ainda pequeno apaixona-se pelo fado, que o leva a Alfama, onde Mário Pacheco lhe abre a porta para cantar no “Clube do Fado”. Mais tarde cantará noutra casa de fado mítica de Lisboa, “Senhor Vinho”. Grava o seu primeiro disco, “O mesmo fado”, em 2002, com marcada influência alentejana, que continua a fazer-se sentir em “Por meu cante”, de 2004, o seu segundo álbum. Em 2006, vence o prémio Amália Rodrigues (atribuído pela Fundação Amália Rodrigues) na categoria de “Melhor Intérprete Masculino de Fado”. O seu terceiro disco, “Outro Sentido”, é editado em 2007. Em 2008, este trabalho é levado pela editora Harmonia Mundi aos mercados da Europa e do EUA e revela-se decisivo para o seu conhecimento pelo público internacional, chegando ao 3.º lugar de vendas na Fnac francesa e multiplicando as presenças em palcos fora de Portugal. O Brasil, onde “Outro Sentido” é editado pela editora MPB com participações de vários artistas locais, torna-se um dos países que o ouve com mais atenção. Caetano Veloso escreve no seu blog: «Quero ouvir mais, mais vezes, mais fundo (…) É de arrepiar e fazer chorar». Um dos seus concertos de 2009 naquele país é eleito pelo jornal O Globo como um dos 10 Melhores Concertos Internacionais do Ano. Em 2010, é lançado o seu quarto disco, “Guia”, onde são interpretados originais de compositores e letristas nacionais e brasileiros. O disco é muito bem recebido pelo público e pela crítica e António Zambujo é escolhido para abrir o palco do prestigiado Copenhagen Concert Center na Womex 2010. “Guia” é, como já tinha sido “Outro Sentido”, considerado Top of the World Album pela revista Songlines e a imprensa portuguesa (Público, Blitz, Jornal de Letras) coloca-o entre os cinco primeiros lugares nas escolhas de melhor disco de 2010. Depois de Vitorino e Janita Salomé com o Grupo de Cantadores de Redondo o terem feito em 2010, tem a honra de abrir a programação do FMM Sines 2011 num concerto vespertino, de entrada livre.


Os artistas Ebo Taylor e Blitz The Ambassador são as duas novas confirmações do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011. Representam duas gerações musicais do Gana, o país que deu a África um dos seus géneros mais representativos, o highlife. O primeiro a subir ao palco do Castelo de Sines, no dia 24 de Julho (domingo), é o guitarrista EBO TAYLOR, acompanhado pela orquestra Afrobeat Academy. Nascido em 1935, numa família de pescadores, Ebo Taylor interessou-se muito cedo pela guitarra. Em 1962, ganhou uma bolsa para estudar em Londres, onde conheceu o lendário Fela Kuti, pioneiro do afrobeat, com quem manteve uma relação de amizade e mútua influência. De volta ao Gana, em 1965, afirmou-se como um compositor, arranjador, solista e director musical de referência no seu país, responsável por algum do melhor highlife, afrobeat, jazz e funk produzido em África ao longo das últimas décadas. Com a Afrobeat Academy, uma das melhores orquestras de afrobeat do mundo, composta por músicos baseados em Berlim, gravou em 2010 o disco que dominará o concerto de Sines, “Love and Death”. BLITZ THE AMBASSADOR actua no Castelo de Sines no dia 27 de Julho (quinta-feira). Nascido em 1982, em Acra, capital do Gana, Blitz cresceu a ouvir highlife, afrobeat, jazz e soul de Motown. Ainda criança, o seu irmão deu-lhe a conhecer um disco que mudaria a sua vida, “It Takes A Nation of Millions to Hold Us Back”, clássico dos Public Enemy que foi a semente da sua paixão pelo rap. Com a ida para a universidade nos EUA, essa paixão intensifica-se e, depois de se licenciar, tenta singrar na cena hip hop de Nova Iorque. Para criar o som cheio que pretende, com os sopros esmagadores típicos das grandes orquestras africanas, funda a sua própria banda, The Embassy Ensemble, mas o “mainstream” do género tem dificuldade em assimilar a sua fusão entre hip hop, afrobeat, highlife e jazz. Face o desinteresse das “majors” pelo seu hip hop fortemente instrumental, funda uma companhia discográfica independente, Embassy MVMT, que aposta na divulgação de projectos de hip hop alternativo. Chega a Sines na sequência do seu terceiro álbum, “Stereotype” (2009), e em fase de preparação do seu novo disco, “Native Son”, a lançar em Maio. A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).


O projecto Congotronics vs. Rockers, que reúne no mesmo palco músicos ocidentais da cena alternativa e músicos congoleses da série “Congotronics”, é a primeira confirmação oficial do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011. O espectáculo realiza-se no Castelo de Sines, na noite de 23 de Julho, e é uma estreia em território português. A música baseada em instrumentos tradicionais electrificados artesanalmente de bandas como Konono n.º 1 e Kasaï Allstars (conhecidas colectivamente pela série de discos “Congotronics”) tem sido recebida de forma entusiástica pelo público, imprensa e artistas do rock alternativo. Lançado no final de 2010, o disco duplo “Tradi-Mods vs Rockers: Alternative Takes on Congotronics”, é um tributo prestado por 26 artistas de rock e música electrónica às bandas da República Democrática do Congo. Ao longo da Primavera e Verão de 2011, num conjunto seleccionado de palcos, entre os quais Sines, o público poderá ver uma versão ao vivo do projecto, através de um grupo composto por 10 músicos congoleses e 10 músicos de rock indie, que se juntam na criação de repertório novo onde os seus universos estéticos se cruzam. Os 10 músicos da “equipa” Congotronics são provenientes dos grupos Konono n.º 1, conhecido pelas distorções progressivas dos seus “likembes” electrificados, e Kasaï Allstars, que se notabilizou pela reinvenção dos ritmos hipnóticos da música cerimonial congolesa. Os 10 músicos ocidentais, os “Rockers” do conjunto, são Deerhoof, uma das bandas de referência da cena indie dos EUA, Juana Molina, cantautora argentina, Wildbirds & Peacedrums, duo pop experimental sueco, e Skeletons, outro grupo alternativo norte-americano, representado pelo seu líder, Matt Mehlan. A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado)."


Texto da organização do FMM.

Quinta-feira, Março 24, 2011

Cartaz completo do festival Entremuralhas 2011

O cartaz completo do festival gótico Entremuralhas 2011, que se irá realizar nos dias 29, 30 e 31 de Julho, no Castelo de Leiria, já foi anunciado. Estando previsto inicialmente ser anunciado no próximo dia 16 de Abril aquando do concerto de Diamanda Galas, o programa completo foi anunciado pela organização do evento via Facebook. Assim, do cardápio farão parte os Nitzer Ebb; Sol Invictus; Irfan; Suicide Commando; Rosa Crvx, Sieben; Diary of Dreams; Love is Colder Than Death; Trobar de Morte.

Quarta-feira, Março 23, 2011

Fotografias de concerto: Osso




Osso ao vivo no Teatro Miguel Franco em Leiria. Organização A9))). Podem ver mais fotografias no blogue Hall of Mirrors.

Terça-feira, Março 22, 2011

O Muro caiu no Pavilhão Atlântico pelas mãos de Roger Waters

Sim, o concerto teve a bonecada insuflável, sim, o concerto teve o avião a despenhar-se contra o muro, sim o concerto teve o porco (não era cor-de-rosa) a planar sobre o público. Sim, o concerto teve explosões a rodos. Roger Waters trouxe toda a parafernália associada aos Pink Floyd e ao original The Wall. Está tudo lá. A música também! Felizmente. Afinal de contas é disso que se trata, embora por vezes tal não parece, diluída que fica no meio de tanto aparato pirotécnico, de luz e de imagem. Sendo um espectáculo visualmente deslumbrante, em algumas situações peca por excesso e, muito honestamente, prefiro a versão mais soft dos anos 80, com menos informação visual e mais emoção auditiva.

Por falar em emoção, foram vários os momentos que conseguiram levar o publico ao êxtase. As tradicionais Another Brick in the Wall, parte 2, Run Like Hell e Comfotably Numb fizeram as delícias dos fãs incondicionais que esperaram 30 anos para ver esta coisa ao vivo. Destaco, pelo lado positivo, a magnifica versão de Mother em que Waters faz um dueto com ele próprio (!), com um intervalo de 30 anos. Com projecção de um vídeo da época do The Wall original, Waters em 2011 e Waters em 1981 cantam em conjunto um dos temas mais emblemáticos do duplo álbum dos Pink Floyd. Pela negativa, destaco o pior solo de guitarra do tema Comfortably Numb que já ouvi, com o guitarrista a manear-se em cima do muro, a abanar a longa melena enquanto assassina um dos mais belos solos escritos por David Gilmour. Volta Gilmour, estás perdoado. Felizmente, no DVD, que irá sair (aposto) lá para as alturas do natal, surgirá o lendário guitarrista dos Floyd que tocará em Londres, em vez deste senhor saído de uma pseudo banda de heavy-metal de garagem.

30 Anos passados sobre o original de The Wall, a nova versão revista e actualizada dispara em todos os sentidos. E continua a fazer sentido. Cada vez mais, diria. Da política à economia, passando pela religião, nada escapa à ira de Waters sobre o estado actual da sociedade. Com referências explícitas a marcas e a ideologias, Waters conduz e manipula magistralmente a audiência em delírio que grita efusivamente as palavras de ordem vindas do palco, qual Adolf e Goebbels em Nuremberg. Não deixa de ser curioso que Waters escreveu uma obra sobre a alienação das massas, sobre o controlo social, político e religioso, onde abertamente expressa a sua abominação sobre todo e qualquer tipo de sistema social organizado e utiliza tudo isso para conduzir e manipular a audiência para onde ele quer e como ele quer. Não deixa igualmente de ser curioso o facto de que Waters ganha uns quantos milhares de tostões a criticar o velho sistema capitalista… É a vida… Mas não se deixem enganar pelas minhas palvras, isto é um grande, grande espectáculo...

E já agora, sim, o muro cai no final do concerto….

Video Mother, ao vivo em United Center, Chicago em 2010


Video The Trial, ao vivo em United Center, Chicago em 2010

Quarta-feira, Março 16, 2011

Into The Ivory Tower, o novo disco dos The AllStar Project sai em Abril

O novo álbum do colectivo leiriense The AllStar Project está finalmente pronto. Após alguns problemas de mistura final, o disco encontra-se pronto e estará nas lojas em Abril. Entretanto podem fazer a encomenda do disco aqui. Entretanto podem ouvir um dos novos temas, Off Axis.


Ponto de escuta: Off Axis

02 Off Axis by sonsmusica

Sexta-feira, Março 11, 2011

Colin Stetson - New History Warfare Vol 2

New History Warfare Vol 2, Colin Stetson. Confesso que não sei por onde começar para descrever o segundo disco a solo do saxofonista Colin Steson. Para quem não conhece, e deve ser a maioria, Stetson, para além de um disco a solo, já colaborou como meio mundo que tem bom gosto musical. Destacam-se as colaborações com Tom Waits, Laurie Anderson (que participa neste disco), Beirute e Arcade Fire, entre outros. Agora gravou um disco para a Constellation com a colaboração de Ismaily Shahzad e de Efrim Menuck. Mas o que se pode escrever sobre Stetson. Dizer que toca saxofone é pecar por defeito. Ao ouvir qualquer um dos temas ficamos com a ideia de que toca três saxofones em simultâneo. Mas não, só toca um, sem loops, nem sequenciadores nem qualquer outra geringonça do género. Apenas 20 microfones e um estúdio. A cascata de sons produzidos pela boca de Stetson sobrepõem-se em camadas sucessivas, chegando a produzir três vozes em simultâneo, conjuntamente com as pequenas pancadas que dá no instrumento, e os sons produzido pela língua na palheta cria uma estrutura musical única no panorama musical.

New History Warfare Vol 2 é um daqueles discos que mais vale ouvir do que escrever sobre ele, sob o risco de se dizer uma série de barbaridades. E neste caso prefiro ficar calado e não teclar muito mais. Transcrevo contudo as palavras que Justin Vernon escreveu sobre Stetson: "Colin Stetson is one of our greatest living saxophone players. Maybe more than anyone, he is taking the instrument to NEW places, with NEW technique. Moreover, he takes an acoustic instrument and prepares it with multiple microphones and contact mics, making it a draining, rewarding, physical and visceral expierience. It is fucking impossible, what you are hearing on this record. There are so many, CRUSHINGLY beautiful sounds coming out of one person, at ONCE, that it makes your skin tremble, your mind go blank, and your eyes close."

Pena é que este disco irá passar ao lado da maioria das pessoas, apesar de ser dos trabalhos mais criativos e impressionantes que ouvi nos últimos tempos.

Video: Awake on Forgeign Shores/ Judges


Colin Stetson Awake on Foreign Shores & Judges A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.



Video: Red Horse [Judge II]/ In Love and in Justice



Colin Stetson Red Horse (Judge II) & In love and in Justice A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.

Quarta-feira, Março 09, 2011

Explosions in the Sky, novo disco em Abril

Os Explosions in the Sky estão em fase final de preparação da edição do seu novo, o sexto, albúm da sua carreira. O disco, de seu nome, Take Care, Take Care, Take Care, será editado no próximo dia 26 de Abril. Até lá fica um dos novos temas Trembling Hands, um dos mais curtos da da banda.

Ponto de escuta: Trembling Hands
Trembling Hands by Explosions in the Sky

Sábado, Março 05, 2011

Primeiros nomes para o Festival de Músicas do Mundo de Sines 2011

"O projecto Congotronics vs. Rockers, que reúne no mesmo palco músicos ocidentais da cena alternativa e músicos congoleses da série “Congotronics”, é a primeira confirmação oficial do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011.

O espectáculo realiza-se no Castelo de Sines, na noite de 23 de Julho, e é uma estreia em território português.

A música baseada em instrumentos tradicionais electrificados artesanalmente de bandas como Konono n.º 1 e Kasaï Allstars (conhecidas colectivamente pela série de discos “Congotronics”) tem sido recebida de forma entusiástica pelo público, imprensa e artistas do rock alternativo.

Lançado no final de 2010, o disco duplo “Tradi-Mods vs Rockers: Alternative Takes on Congotronics”, é um tributo prestado por 26 artistas de rock e música electrónica às bandas da República Democrática do Congo.

Ao longo da Primavera e Verão de 2011, num conjunto seleccionado de palcos, entre os quais Sines, o público poderá ver uma versão ao vivo do projecto, através de um grupo composto por 10 músicos congoleses e 10 músicos de rock indie, que se juntam na criação de repertório novo onde os seus universos estéticos se cruzam.

Os 10 músicos da “equipa” Congotronics são provenientes dos grupos Konono n.º 1, conhecido pelas distorções progressivas dos seus “likembes” electrificados, e Kasaï Allstars, que se notabilizou pela reinvenção dos ritmos hipnóticos da música cerimonial congolesa.

Os 10 músicos ocidentais, os “Rockers” do conjunto, são Deerhoof, uma das bandas de referência da cena indie dos EUA, Juana Molina, cantautora argentina, Wildbirds & Peacedrums, duo pop experimental sueco, e Skeletons, outro grupo alternativo norte-americano, representado pelo seu líder, Matt Mehlan.

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado)."

Texto da organização do FMM Sines 2011.

Quinta-feira, Março 03, 2011

Festival Entremuralhas



No próximo dia 16, dia do concerto de Diamanda Galás, a associação Fade In irá anunciar a programação completa do Festival Entremuralhas 2011. Para já estão confirmados os EBM e os Nitzer Ebb. Até lá fica o primeiro teaser oficial.

Quarta-feira, Março 02, 2011

All Eternals Deck, o novo disco dos The Moutain Goats em streaming

Os The Moutain Goats irão lançar o seu novo disco, All Eternals Deck, no próximo dia 29 de Março. Até esse dia será possivel ouvir o disco na sua totalidade em streaming no sítio NPR.

Terça-feira, Março 01, 2011

Six Organs of Admittance - Asleep on the Floodplain

O lançamento de um novo disco do projecto Six Organs Of Admittance é sempre uma boa notícia. A notícia de um novo trabalho com a participação de Bem Chasney é sempre bem-vinda. Em termos de novos lançamentos, Chasney tem vindo a ser bastante prolífico. Para além deste novo Asleep on the Floodplain, Chasney irá lançar ainda este ano mais dois novos discos com o projecto 200 Years, e muito provavelmente, irá participar em mais alguns projectos paralelos.

Asleep on the Floodplain, podemos afirmar de uma forma muito simplista, que fica a meio caminho entre a fase eléctrica e a fase acústica que caracterizou os primeiros momentos (e quem sabe, os melhores) momentos do projecto Six Organs. Aqui encontramos as duas faces de Chasny. Após as primeiras audições, fiquei com a sensação de que os temas não cantados superam os cantados. O trabalho com a guitarra, acústica e eléctrica, parece superar, em termos puramente emocionais, os temas em que Chasny emprega a sua voz. No entanto, tal como em todos os álbuns de Chasney, este tem que ser ouvido como um todo, e é aqui que entra a importância da voz e das palavras. Tal como em registos anteriores, Chasney “brinca” com a voz, usando-a de uma forma muito peculiar. As vocalizações permanecem no subconsciente do ouvinte muito depois de deixarmos ouvir o disco. Tal como em Schools of Flowers (entre outros) as vocalizações são usadas umas contras as outras, criando um registo quase imperceptível.

Como acima referi, o álbum deverá ser ouvido como um todo, quase como uma única, longa peça instrumental, onde ao contrário do projecto Rangda, a melodia circular e lenta, se impregna no cérebro, chegando mesmo a causar dependência auditiva. Tal como em discos anteriores, os títulos dos temas ajudam a conduzir o ouvinte em determinada direcção, mas não de forma obrigatória. Em Asleep on the Floodplain, Chasney remete-nos para presença/ ausência de água. Above a Desert I've Never Seen," "Brilliant Blue Sea Between Us," "Saint of Fishermen," "River of My Youth," "S/word and Leviathan, e o próprio titulo do álbum, conduzem-nos para o elemento água. Em diversas entrevistas, Chasney tem mencionado ser influenciado pelos escritos de Gaston Bachelard sobre os elementos e as referências a processos elementares e cósmicos, algo que afunda nos seus discos. Para quem gosta da música de Chasney é interessante ler as suas entrevistas e os seus escritos, pois permite o ouvinte entrar mais profundamente no seu discurso metafísico e musical, onde o mito e a filosofia acasalam com a poesia.

Voltando à música, propriamente dita, destaco o tema S/Word and Leviathan, o mais longo, com mais de 12 minutos, que quando começa parece que já vai a meio. O tema não tem notas de abertura, não tem introdução, apenas o dedilhar circular de guitarra e vozes xamânicas sussurradas de Ambrogio e do próprio Chasney. Este parece invocar o caos, a própria génese do universo que tantas vezes Chasny apregoa. Curioso é o fim do tema, em Chasney toca uma linha de guitarra eléctrica em tudo semelhante à da linha introdutória do tema Sorrow criada por um certo David Gilmour para uns certos Pink Floyd… Mas isto é apenas conversa, pois entre misticismo, teologia, filosofia pós- estruturalista, magia, quem sabe exactamente o que se passa na cabeça de Chasny…


Ponto de escuta: S/Word and Leviathan
08 - SWord and Leviathan by sonsmusica