Desde o inicio da sua carreira, Young edita pelo menos um disco por década que marca uma fronteira no seu trabalho. Aconteceu com os álbuns Everybody Knows This is Nowhere de 68, o primeiro em conjunto com os Crazy Horse, com Rust Never Sleeps, de 79, com Freedom, de 89, com Silver & Gold de 99. Com Le Noise, Young inicia uma nova década com uma nova sonoridade, com uma nova forma de construir canções.Le Noise surpreende á primeira vista pela forma incrivelmente “jovem” como Young aborda a música, tendo em conta que a maioria dos oito temas apenas tem uma guitarra como instrumento. Se inicialmente Young queria gravar um disco inteiramente acústico, Daniel Lenois, o produtor, depressa o demoveu dessa ideia. Aliás, a ideia que transparece do disco é a magnifica gravação, repleta de texturas, com loops e com as habituais notas ásperas que Young espreme da sua guitarra eléctrica a passarem pelo crivo dos sintetizadores de Lenois.
Os oito temas percorrem um caminho, diria, tortuoso, a condizer com a sonoridade eléctrica que percorre o álbum, que passam pela autobiográfica Hitchhiker e pela manifestação política crua Love and War. De todas destaco Peaceful Valley Boulevard, o tema mais longo, que relata a jornada épica através da fronteira americana.
Young transpira em Le Noise raiva, insegurança, tristeza, que não será alheio o facto de recentemente ter perdido dois amigos íntimos, Larry Johnson e Bem Keith, mas simultaneamente transmite amor, esperança e paixão. Estes sentimentos são aqui expressos de uma forma pura e cristalina sem a “poluição das percussões, dos teclados, somente a guitarra e a voz rouca, e parece ser essa a marca que Young vai deixar nesta nova década.
Ponto de escuta: Peaceful Valley Boulevard
07-neil young-peaceful vally boulevard by Sons de Musica
Video: making of de Le Noise
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