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quinta-feira, março 11, 2010

Neil Young - A Estrela do Norte #23

Desconcertante era a relação entre Young e Stills, principalmente após a assinatura do novo contrato. Por essa altura, a banda criou a Springalo Toones, que seria a empresa responsável pela gerência de tudo o que dizia respeito à formação. Entretanto, Greene e Stone, criaram a Teen East, tendo ficado acordado que o catálogo da banda seria distribuído por ambas as empresas, juntamente com a Atlantic’s Cotillion. Isso obrigou-os a pertencer ao sindicato representativo dos músicos, que na altura ainda obrigava a nomeação de um líder que representaria a banda. Este sistema arcaico é originário do tempo da formação das big band’s. O líder formal das bandas tinha assim direito a receber mais dinheiro, normalmente o dobro do que os restantes membros, sem ter mais trabalho e responsabilidades. Stills e Young não atribuíram muita importância à questão dos honorários, no entanto, quanto à questão do papel de liderança, a conversa já era outra.

Stills assumiu o papel de líder e depressa se apercebeu que quantas mais músicas assina-se, mais dinheiro receberia. Aí os problemas começaram realmente. Foi com este espírito competitivo, que a banda entrou em estúdio para gravar o primeiro longa duração. Neil tentava impor a todo o custo a sua influência. Steve, que sempre ambicionava ser considerado o guitarrista principal, via-se relegado para segundo plano pela forma de actuação de Young. Simultaneamente, Neil, tentava exercer a sua influência para ser o vocalista principal, afirmando que ninguém conseguia cantar os temas que compunha. Richie Furay, que era formalmente considerado o vocalista principal via o seu ego em baixo com toda esta situação.

Stills e Young estabeleceram um acordo sobre a divisão dos temas no futuro disco. Assim, cada um ficaria com os créditos de metade das composições impressas no disco. Richie Furay compôs diversas músicas, que no entanto não viram a luz do dia. Furay preferiu não se intrometer na luta de poder, ficando satisfeito com a oferta de Young, de que seria o cantor principal nos temas compostos pelo canadiano. A excepção foi o tema de “Burned”, que Young fez questão de cantar. No entanto, o tema de maior sucesso, seria “Sit Down I Think I Love You", composto por Stills. Esse tema viria a ser eleito pela revista Mojo Men como uma das melhores músicas do ano.

Ponto de escuta:
Burned


Sit Down I Think I Love You

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Neil Young - A Estrela do Norte #22

Os ataques epilépticos continuavam a afectar Young, que devido à sua teimosia, recusava-se a tomar os medicamentos. Eram cada vez mais frequentes os ataques, mesmo durante os concertos, em parte devido às luzes fortes e intermitentes que começavam a ser usadas na altura. O público, desconhecedor da situação médica de Young, pensava que era uma encenação da banda.

Em Setembro desse ano, os Buffalo Springfield tocaram na primeira parte do concerto da nova atracão oriunda das ilhas britânicas, Ian Whitcomb e Chad & Jeremy, no Melodyland Theathre. Bruce Palmer não pode participar no concerto, uma vez que se encontrava preso, tendo sido substituído por Jim Fielder. Segundo as palavras de Whitcomb, os Buffalo Springfield deram um espectáculo poderoso, misturando o folk com o rock e um toque de R&B. A banda apresentou-se com um estilo David Crockett, e saltaram tanto que um dos membros da banda teve que ser tirado em ombros do palco, afirmou na altura Whitcomb.

Estes ataques viriam a repetir-se noutros concertos. Greene e Stone, cientes da gravidade da situação, levaram Young para o hospital onde viria a ser operado para aliviar a pressão craniana. Foi no hospital, durante a convalescia, que Young escreveu Mr. Soul.

Os ataques diminuíram de intensidade e de frequência, graças em parte à medicação que agora tomava. Pela primeira vez, Young tinha consciência da gravidade da situação e aprendeu a lidar com a sua doença.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Neil Young - A Estrela do Norte #21

De seguida, a banda prepara-se para gravar o seu primeiro single. Apesar da falta de experiência em estúdio, gravam dois temas, Go and Say Goodbye, de Stills, que aborda o tema de como os rapazes devem acabar uma relação com ética, um tema ingénuo mas que revela já alguma apetência de Stills para a escrita; e para o lado B, Young escreveu Nowadays Clancy Can’t Even Sing, uma mistura de sentimentos pessoais com fragmentos da vida de um amigo de infância, um jovem que sofria de esclerose múltipla. Este tema revela uma profunda alteração do conteúdo, não dos escritos por Young, bem como dos assuntos abordados na música pop.

Devido à qualidade do tema de Young, a generalidade dos distribuidores discográficos, a Atlantic Records resolveu promover esse tema para o lado A em detrimento do tema de Stills. Apesar de ser uma boa escolha em termos estéticos e de qualidade musical, era uma má opção em termos de vendas. O tema foi banido em algumas estações de rádio, pelo facto de usar a palavra “damn”. Para além disso, as estações queixavam-se de que o título da canção era demasiado longo e questionavam-se porque razão o primeiro tema de uma banda desconhecida excedia os três minutos de duração.

Os resultados das vendas do disco ficaram aquém das expectativas e o péssimo negócio que a banda fez com os promotores Charlie Greene e Brian Stone resultaram numa degradação da relação pessoal dos membros da banda, cuja luta de egos veio acentuar a situação. As condições de vida da banda pioravam de dia para dia. Todo o dinheiro que a banda realizava ia parar aos bolsos dos promotores. Young vivia em motéis baratos da zona de Hollywood, e o seu aspecto “desleixado”, nomeadamente o facto de usar cabelo comprido, era um chamariz para a polícia, que frequentemente o prendia e agredia. A situação era na verdade mais grave, uma vez que não possuía licença de trabalho no país.

Ponto de escuta:
Nowadays Clancy Can’t Even Sing



Who's that stomping
all over my face?
Where's that silhouette
I'm trying to trace?
Who's putting sponge
in the bells I once rung
And taking my gypsy
before she's begun
To singing the meaning
of what's in my mind
Before I can take home
what's rightfully mine.
Joinin' and listenin'
and talkin' in rhymes
Stoppin' the feeling
to wait for the times.

Who's saying baby,
that don't mean a thing,
'Cause nowadays Clancy
can't even sing.

And who's all hung-up
on that happiness thing?
Who's trying to tune
all the bells that he rings?
And who's in the corner
and down on the floor
With pencil and paper
just counting the score?
And who's trying to act
like he's just in between?
The line isn't black,
if you know that it's green.
Don't bother looking,
you're too blind to see
Who's coming on
like he wanted to be.

Who's saying baby,
that don't mean a thing,
'Cause nowadays
Clancy can't even sing.

And who's coming home
on the old nine-to-five?
Who's got the feeling
that he came alive,
Though havin' it,
sharin' it
ain't quite the same
It ain't no gold nugget,
you can't lay a claim
Who's seeing eyes
through the crack
in the floor
There it is baby,
don't you worry no more
Who should be sleepin',
but is writing this song
Wishin' and a-hopin'
he weren't so damned wrong.

Who's saying baby,
that don't mean a thing,
'Cause nowadays Clancy
can't even sing.

terça-feira, outubro 27, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #20

Young e Bruce Palmer, juntamente com Mikey Gallagher, Tannis Neiman e Jeanine Hollingshead, fizeram-se à estrada com o objectivo de chegar a San Francisco, a então terra prometida dos cantores folk. Com o dinheiro da venda de algum equipamento dos Mynha Birds, Young conseguiu comprar um carro em segunda mão, que obviamente deu problemas durante a viagem. A teimosia de Neil criou igualmente alguns problemas, nomeadamente o facto de não deixar ninguém conduzir a sua viatura. A meio da viagem, extenuado, Young teve que ser assistido num hospital, obrigando-o a descansar durante alguns dias. Dos cinco viajantes, somente Young e Palmer alcançaram a terra prometida. Tannis e Jeanine regressaram ao Canadá, uma com pedra no rins e a outra convencida de que estava grávida. Mikey ainda vagueou por uns tempos mas regressou igualmente ao Canadá. Uma vez em San Francisco, Palmer e Neil começam a perder as esperanças de encontrar Stills, o que na verdade, era como encontrar uma agulha num palheiro. O dinheiro escasseava e a polícia já andava de olho nos dois até que em plena Sunset Boulevard, Richie Furay e Stills repararam num carro com matrícula canadiana e decidiram segui-lo. A história parece saída de um filme mas os vários intervenientes contam a história da mesma forma. De imediato começaram a tratar de negócios, e as promessas de comida e de alojamento por parte de Friedman alegraram os dois viajantes.

Para completar a formação era ainda necessário contratar um baterista e, Billy Mundi parecia estar à altura do desafio, mas preferiu juntar-se ao duo folk-rock Maston & Brewer que também navegavam na orbita de Friedman. Dewey Martin que tinha um currículo impressionante na música country, tendo trabalhado com Roy Orbison, viria a preencher o lugar. Martin era o músico mais experiente da formação e chegou a afirmar que só aceitou o lugar porque também podia cantar. Young simpatizou de imediato com o novo baterista pelo facto de ser canadiano e gostar de hóquei no gelo. A secção rítmica da banda era agora constituída por três canadianos estando as vocalizações entregues aos americanos Stills e Furay. Faltava um nome para a banda. Durante os primeiros ensaios na casa de Friedman, viram um camião de uma empresa chamada Buffalo, Springfield Roller Co, Toledo, Ohio. Young e Friedman roubaram a placa publicitária do camião e decidiram que Buffalo Springfield seria o nome da banda.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #19

4 Capitulo

Após o fiasco dos Mynah Birds, Young não se conseguia imaginar a regressar a Toronto. Young sentia que a sua carreira e o seu sucesso dependia de um regresso rápido aos aos E.U.A..

Por seu lado, a vida de Stephen Stills também não corria de feição na Califórnia. Durante uns tempos, Stills trabalhou com o cantor e baixista folk Ron Long nos Buffalo Fish. Nessa altura, Stills registou legalmente o seu primeiro tema, Don’t You Feel Raind On?, sendo o primeiro grande passo para se tornar num cantor folk reconhecido. O passo seguinte foi ter-se juntado a Van Dyke Parks numa tentativa de construírem uma banda de folk electrificada, tal como os Mynah. No entanto, a formação durou pouco tempo, Parks encontrou um trabalho bem mais lucrativo tendo sido contratado para escrever algumas letras para os Beach Boys e mais tarde para tocar teclas no terceiro álbum dos Byrds, Fifth Dimension. Mas a sorte de Stills viria a mudar em breve. A sua contratação por parte de Barry Friedman, um reconhecido produtor, que lhe garantiu dinheiro e trabalho nos meses seguintes. Friedman proporcionou-lhe a hipótese de escolher os músicos com que ele gostaria de tocar. O primeiro nome que lhe ocorreu foi Neil Young, mesmo não sabendo nada dele há meses. O segundo nome foi o de Richie Furay, antigo colega nos Au Go-Go Singers. Furay aceitou de imediato, convencido que Stills já tinha reunido uma banda pronta a actuar, contudo a realidade era bem diferente. De momento eram somente os dois a tocarem guitarra e a cantarem numa pequena sala. Stills sentia que a sua nova formação necessitava de uma secção rítmica de qualidade e tentava de várias formas contactar Young. Nos diversos contactos efectuados para Toronto, conseguiu convencer Ken Koblum, antigo baixista dos Squires. Este ao verificar as condições da nova formação decidiu não arriscar e regressou ao Canadá. Curiosamente, Young voltava a actuar em pequenas salas em Toronto, agonizando com a falta de oportunidades e com a falta de dinheiro. Os pensamentos de Neil encontravam-se no país vizinho, nomeadamente em Los Angels, terra dos Byrds e dos Mamas & The Papas.
Richie Furay

quinta-feira, outubro 08, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #18

Apesar de Young viver na mesma cidade que seu pai, raramente se encontrava, e o diálogo entre ambos era extremamente difícil. As divergências entre ambos mantinham-se. Neil mantinha o “cordão umbilical” ligado à sua mãe, não perdoando o divórcio. O divórcio e os problemas surgidos por tal separação e pela falta de apoio prestada pelo seu pai durante a adolescência viriam a ser temas de várias músicas de Young. Bob Dylan, agora na sua versão acústica, e Jagger dos Rolling Stones, exploravam abertamente os problemas existenciais. A diferença entre a música folk e a pop residia nos assuntos abordados. A folk apresentava um cariz político e social, enquanto que a pop abordava questões mais íntimas, pensamentos e sentimentos. A pop, sobretudo a britânica, explanava a questão das divergências entre gerações, principalmente os conflitos da liberdade pessoal e sexual. A cultura folk circulava por temas de cariz político e social, tendo a generalidade dos cantores americanos tomado uma posição sobre o esclavagismo e o direito dos negros, e sobre a guerra do Vietname. A música pop era de longe a mais lucrativa e chegava mais rapidamente aos ouvidos dos jovens. Dylan tiha provado isso com o seu disco Highway 61 Revisited. No entanto, por de trás do som eléctrico, as letras de Dylan mantinham um cariz folk, com mensagens por vezes abstractas, tal como nos seus discos anteriores. Dylan provava que era possível produzir um disco com sonoridade pop com mensagens folk. Contudo, os dois tipos de publico não se cruzavam. Young, na sua urgência de escrever sobre os seus sentimentos, via no cruzamento da folk com a pop-rock uma oportunidade de se afirmar. Assim podia compor melodias folk com letras tipicamente pop e vice-versa. Bruce Palmer apoiava essa ideia e os dois exploraram as suas potencialidades. Contudo, a questão permanecia; como reagiria o publico à misturo dos dois estilos?

Morley Shelman, o manager dos Mynah Birds, aproveitando o facto de a banda ser multi-racial, tentou uma ligação com a Motown Records. Curiosamente, a editora ofereceu um contrato de longa duração, o que não era usual para uma banda desconhecida e constituída sobretudo por brancos. A formação deslocou-se para Detroit para efectuar uma série de gravações em estúdio durante uma semana. Young estava radiante com a ideia de poder gravar, e Palmer achava curioso estar na meca da música negra, sendo branco… Smokey Robison era o produtor musical do futuro disco dos Mynah Birds. Young foi autor de dois temas, juntamente com Matthews, It’s My Time, e, I’il Wait Forever. Os dois temas estiveram para ser usados como singels, mas acabaram por não serem editados como tal. Tudo ia bem na gravação do disco, e mesmo quando a inspiração escasseava, não faltava o apoio do pessoal da Motown. Durante as gravações, Ricky James Matthews foi preso pela Marinha americana por deserção. O choque foi enorme, pois nenhum membro da banda tinha conhecimento da situação ilegal de Ricky. A Motown Records cancelou a gravação do disco e subsequentemente cancelou o contracto. Matthews viria alguns anos mais tarde voltar a gravar para a Motown Records sob o nome de Ricky James.
Ponto de escuta:
It's My Time




I’il Wait Forever

domingo, setembro 20, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #17

Rick Cameron introduziu Young no mundo das anfetaminas, e isso viria a mudar-lhe a vida, como proferiu mais tarde. Young tinha um comportamento “selvagem”, segundo alguns amigos, quando ingeria os comprimidos. Para além disso, viria a descobrir que os valium ajudavam na sua epilepsia. No entanto, a combinação dos vários tipos de medicamentos poderia ser fatal. Nessa altura, Neil começou uma “relação” de longa duração com a marijuana, tendo contudo, resistido à tentação do LSD, que circulava em abundância pela banda.

Paralelamente aos Mynah Birds, Palmer e Young, ocasionalmente tocavam como duo em diversos bares. O Cellar Club, foi dos locais que Young mais vezes actuou, sendo um dos lugares mais importantes na sua vida musical e sentimental. O clube estava entregue a três empregadas, Bev Davis, Tannis Neiman e Jeanine Hollingshead, depois de o dono ter decidido efectuar umas férias.

Bev Davis, chegou a Yorkeville em 65, depois de ter sido estudante de arte em Bellevue, Ontário, em busca do sonho “beatnik”. Bev já tinha viajado por duas vezes a Inglaterra, tendo conhecido diversos artistas e músicos britânicos. Já em Yorkeville, ganhou fama por ter enviado um telegrama a John Lennon a convida-lo para fumar uns charros. Nunca se chegaram a conhecer…

Tannis Neiman era uma aspirante a cantora folk. Há época, conseguiu ser relativamente conhecida em Yorkeville, figurando ao lado de Joan Anderson e Vicky Taylor e Elyse Weinberg. Senhora de seu nariz, com fortes convicções e com opinião sobre tudo, dava no entanto menos nas vistas do que Bev Davis. De acordo com os seus amigos, Tannis tinha um grande sentido de humor e arranjava problemas com facilidade.


Jeanine Hollingshead, de 17 anos, um ano mais nova do que Davis e Tannis, era a mais “sensível” das três. Jeanine era estudante de cabeleireira, tendo nesses tempos conhecido Bruce Palmer.

As três viviam juntas no mesmo apartamento e nem sempre a coabitação era fácil. Fascinadas pelo ambiente artístico de Yorkeville, as três formaram uma banda, de seu nome Tannis & Two. Da formação fazia parte ainda o baixista Jim Jones dos Luke & The Apostles. O ponto mais alto do trio foi a gravação de uma “demo” com dois temas, de graça, graças aos conhecimentos que tinham com os donos de uma rádio local, com vista a obterem um contrato com Duff Roman, proprietário de editora Local. Esse objectivo não foi concretizado, mas Roman convidou Tannis a gravar alguns temas com alguns membros dos Paupers.

domingo, setembro 13, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #16

3º capitulo

No final do ano de 65, Young questionava-se sobre a sua continuidade como cantor folk a solo. Depois da curta estadia em Nova York, o regresso à vida boémia de Toronto, poucas foram as oportunidades de trabalho, tendo-se limitado a actuar em pequenos bares em noites de segundas-feiras. As críticas eram unânimes, a escrita era boa, mas voz era péssima.

Nas deambulações por Yorkville, Young conheceu Bruce Palmer. Palmer era natural de Toronto, filho de artistas. O seu pai cantava e tocava piano e violino. Palmer iniciou a sua actividade profissional como cabeleireiro mas os seus reais interesses residiam na música. Bruce Palmer começou a tocar guitarra aos onze anos, tendo aos catorze mudado para guitarra baixo. Mais tarde, viria a ser membro dos Jack London and the Saparrows, que mais tarde viriam a chamar-se Steppenwolf. No entanto, descontente com o rumo da formação, muda-se para os Mynah Birds. Tal como Young, Palmer também frequentava a casa de Vicky Taylor, onde por vezes, permanecia dez a improvisar na guitarra após uma dose de LSD. Segundo Vicky, Palmer tomava essa droga de forma descontolada. Até 1965, o LSD era uma droga legal, sendo prescrita para fins medicinais, como a esquizofrenia, epilepsia, alcoolismo e homossexualidade (!). A amizade entre Palmer e Young foi crescendo, apesar de este não o acompanhar nas aventuras do LSD, e quando o guitarrista dos Mynah Birds deixou a formação, Palmer convidou Neil para substituir Tom Morgan. Young não gostava de tocar “covers” mas o ordenado era suficiente para puder comer.

No inicio de 66, a banda iniciou uma digressão. Da formação, fazia parte, John Yachimac na guitarra ritmo, Matthews, voz, Rick Cameron na bateria, Bruce Palmer no baixo, e Young na guitarra. Morley Shelman era agora o novo "manager", e a inocência de Young em relação às drogas acabou ai.

The Mynah Birds

sexta-feira, julho 31, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #15

Neil Young conheceu Vicky Taylor, cantora folk, durante uma actuação num bar em Toronto. Vicky gostava de usar a sua sensualidade nas suas actuações, chegando a surgir em público apenas em bikini. Vicky tinha por hábito abrigar várias pessoas no seu apartamento. Eram tempos do “amor livre”, e tudo podia acontecer. Nessa mesma noite, Young pernoitou na casa de Vicky, tendo permanecido por lá durante algum tempo. O relacionamento entre ambos foi crescendo, com base em gostos comuns, nomeadamente na música de Bob Dylan. Vicky comparava o sentido poético de Young com o de Dylan. Stills ficou chocado ao saber que Young tinha voltado à música folk, lamentado a intervenção de Vicky nesse sentido. Stills questionou por diversas vezes se Young estava apaixonado por Vicky Taylor à qual respondeu sempre que sim. Vicky Taylor, por seu turno, afirmou sempre, nunca ter dormido com Young, mas nesses tempos, tudo podia acontecer, não podendo por isso afirmar com muita segurança. Os seus sentimentos por Neil iam mais no sentido de uma forte amizade e cumplicidade, como se tratasse de um irmão. Foi nessa época que Young conheceu Joni Mitchell que também pernoitava na casa de Vicky.

Nesse período de tempo, Bob Dylan editou Highway 61 Revisited, disco que viria a revolucionar todo o mundo da folk. As polémicas em torno desse disco são bem conhecidas, com ataques a Dylan a surgirem de todos os quadrantes. Os mais puristas, nunca mais viram o cantar com os mesmos olhos, e os mais jovens, viriam a conhecer um dos mais importantes compositores americano do século XX. O seu novo som veio revolucionar por completo o mundo da folk, ao transportar as letras “folk” para uma música “rock”. Dylan justifica-se então com o desejo de mudança, e uma ambição de chegar a novos públicos. Na verdade, Dylan, andava preocupado com a crescente conotação da sua música com os movimentos de esquerda, e os recentes assassinatos de Kennedy e de Martin Luther King, conduziram a uma inflexão do seu discurso. Por outro lado, Dylan, encontrava-se frustrado pelo sucesso, e, pelo lucro, que outros artistas obtinham pelas “covers” das suas músicas, algumas das quais chegaram a número um nas tabelas de vendas. O êxito obtido dos Byrds com o tema Mr. Tambourine Man era a prova de que uma música folk se podia converter num tema de cariz pop. A juventude que se identificava com a cultura popular também se revia nas questões mais politizadas e sociais que os músicos folk habitualmente cantavam. Para além disso, Dylan no seu disco, não deixou de lado a sua veia poética, se bem que menos elaborada do que noutros seus trabalhos, as letras continuaram a desempenhar um papel fundamental na estrutura musical.

Young ao ouvir o novo disco de Dylan, percebeu ser esse o caminho a seguir, abraçando novamente o folk rock. Juntamente com Ken Koblun e o guitarrista Jim Ackroyd voltaram à estrada para realizarem um concerto no Four To Go’s, que por sinal não deixou ninguém impressionado. Young passou a viagem a compor novos temas, à luz dos novos caminhos propostos por Dylan. A carreira dos três músicos encontrava-se num impasse, sem grandes perspectivas de sucesso no Canadá. Neil sugeriu mudarem-se para Nova Iorque, de onde tinha tido um convite para efectuar uma audição como solista para a editora folk Elektra Records.

segunda-feira, julho 13, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #14

Young e os seus The Squires, mudaram-se para Toronto, numa tentativa de alcançar outros públicos e de mostrarem as suas potencialidades a possíveis agentes. Num meio competitivo como o que existia em Toronto, a vida não era fácil, principalmente em termos económicos. Os membros da banda alojaram-se em casa do pai de Young, tendo permitido uma longa estadia na cidade, e assim tentarem a sua sorte. Essa sorte não tardaria a surgir. Martin Onrot, um empresário local, geria a carreira de diversos artistas, nomeadamente, a de Bill Cosby, interessou-se pelas qualidades da banda de Young, tendo aberto algumas portas, que de outra forma, dificilmente se abririam. As orientações e conselhos de Martin, viriam a revelar-se fundamentais para a progressão artística da banda. Uma das primeiras mudanças sugeridas por Martin, foi a alteração do nome da formação, uma vez que já existia uma outra banda com um nome semelhante, de Canadian Squires, e que, recentemente, tinha editado um single. Young e os seus companheiros optaram então pelo nome Four To Go.

A diversidade musical e cultural de Toronto deixava Young abismado. Beatnicks, músicos, actores e proto hippies partilhavam as suas vidas em cafés em bares. O verão de 65 foi provavelmente um dos melhores para a indústria da música pop. Os Byrds subiram ao número um das tabelas de vendas, com a sua versão de Mr. Tambourine Man de Bob Dylan. Sonny & Cher, lançaram I Got You Babe, e os Turtles, editaram mais uma versão de uma música de Dylan, It Ain’t Me Babe. Em face da obtenção de tantos sucessos com as suas músicas, o próprio Dylan, inflectiu o seu estilo, e lançou-se no mundo da folk rock com Like a Rolling Stone, com as consequências que todos conhecem. Do outro lado do atlântico, os Beatles acabavam de lançar Help!, o melhor registo da banda até esse momento, e os Rolling Stones encantavam os jovens com a provocatória canção, (I Can’t Get No) Satisfaction.

No entanto, a vida para Young não corria de feição. Os membros da banda entravam e saiam, sem nunca permanecerem muito tempo. Young continuava a explorar as potencialidades do folk rock, não abdicando dos seus desejos, mesmo se nessa época, em Toronto, essa música não fosse bem aceite pelos puristas da folk, nem pelos entusiastas do rock. O dinheiro ia escasseando, e até ao momento, os Four To Go, ainda não tinham conseguido dar um único concerto. Neil tinha dificuldades em pagar o empréstimo que o seu pai lhe tinha dado. Devido à falta de dinheiro, Young viu-se obrigado a trabalhar durante o dia num café, e à noite encontrava-se com os companheiros para os ensaios. A visão do que queria tocar era cada vez mais dispare da ideia dos outros membros, e isso, deixava-o frustrado. Passado pouco tempo entrou em depressão, refugiando-se novamente em casa do seu pai, onde dormia 18 horas por dia. Em pouco tempo, perdeu o trabalho e a banda.

sexta-feira, julho 10, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #13

Na escola beneditina, Stills, aprendeu o canto gregoriano, tendo chegado a ser segundo tenor no coro da escola. Mas a sua itinerância não se ficaria por ai. Já na Florida, Stills apaixonou-se pelos blues e pelo folk urbano, um ponto de contacto com Young. Na escola, fez parte de várias bandas, inicialmente como baterista nos Radars. Mais tarde, tocou guitarra nos Continentals, de que era membro Don Felder, que viria mais tarde a fazer parte dos Eagles. Após uma breve passagem pelo Panamá, Stills, tentou entrar na universidade, mas sem sucesso, o que o levou a tentar uma carreira no meio musical. Em 63, instalou-se em Nova Orleães, onde conheceu Chris Sarns, que mais tarde viria a ser road manager dos Buffalo Springfield. No ano seguinte, Stills e Sarns mudaram-se para Nova Iorque, para o bairro Greenwich Village. Stills, formou um trio, juntamente com Peter Thorkelson e John Hopkins, mas não durou muito tempo. As dificuldades económicas eram muitas e as receitas mal davam para cobrir as despesas. Stills viu-se obrigado a aceitar vários trabalhos, mas com pagamento certo. Em 65, juntou-se aos Company e partiu em digressão pelo Canadá.

Na semana em Stills e Young se conheceram, os The Byrds lançaram uma versão do conhecido tema de Bob Dylan, “Tambourine Man”, e que viria a ser um fenómeno de vendas, tenda a imprensa especializada a baptizar este o estilo de folk rock. Desde a audição de “A Hard Day’s Night” dos Beattles, Stills alimentava o desejo de fundir o folk com rock oriundo das ilhas britânicas, e agora, sabia que isso podia ser concretizado. Em Fort Williams, Stills e Young tiveram a oportunidade de trocar a ideias sobre diversos aspectos musicais. Young gostava particularmente da voz e do som da guitarra ritmo de Stills e, por sua vez, este apreciou o facto de, como viria mais tarde a afirmar, de Young estar uns passos à frente de toda a gente ao praticar o folk rock, da forma que ele próprio ambicionava tocar. Stills encontrava-se descontente com a sua banda e ambicionava tocar com Young. No entanto, devido ao contrato que tinha com os Company e ao facto de se encontrar num pais estrangeiro e sem licença de trabalho, viu-se obrigado a adiar esse desejo. De regresso a Nova Iorque após a digressão pelo Canadá, Stills começou a organizar uma pequena digressão dos The Squiers de Young pelos Estados Unidos, juntando-se assim à formação.

segunda-feira, julho 06, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #12

Em palco, Young seguia uma linha mais R&B, influenciado pelos Rolling Stones e pelos Kinks. O reportório era agora mais alargado e, contava como novos temas de autoria de Young como, “Find Another Soulder” e Hello Lonely Women”. Em Fort William, os The Squires tiveram uma oportunidade de gravar um novo disco para a estação de rádio local, CJLY. Tocaram “I Wonder”, com um novo arranjo, e dois novos temas de Young, “I’Il Love You Forever” e Together Alone”. Estes temas foram mais tarde apresentados à editora Capitol Records mas sem sucesso, não tendo conseguido assinar contrato.

No final do desse ano, os The Squires regressaram a Winnipeg e, apessar do relativo sucesso e dos razoáveis rendimentos obtidos, o lyne up da banda sofreu diversas alterações. O guitarrista Doug Campbell, dos Dimensions juntou-se à formação e, diversos bateristas entraram e saíram. Pelo meio, conseguiram mais uma oportunidade de realizar mais uma sessão de gravação. “I Wonder”, numa nova versão, fez parte dos temas gravados, bem como, “I’m a Man and I Can’t Cry”.

Young sabia que teria de sair do circuito fechado de Winnipeg para poder evoluir e prosseguir a sua carreira. Em Maio de 65, os The Squires voltaram a Fort William. Nessa estadia, Young viria a conhecer Stephen Stills.

Stephen Stills

Stills nasceu a 3 de Janeiro do ano de 1945 em Houstan, no Texas, sendo somente 10 meses mais velho que Young. Contudo, a sua carreira e experiência musical era já enorme. A sua infância e juventude foi passada na estrada, de cidade em cidade, tendo vivido com os seus pais no Panamá e na Costa Rica, o que lhe permitiu assimilar diferentes raízes musicais, tendo apreendido a tocar diversos instrumentos. Os seus pais, numa tentativa de controlar o seu espírito rebelde e autónomo, enviaram-no para uma academia militar. Essa nova experiência foi do agrado de Stills, cuja obsessão pelo controle e autoridade era já evidente, tendo chegado a condutor da banda da academia. A sua personalidade levava-o a fazer e a perder vários amigos, um pouco como Young. No entanto, a estadia na academia militar não durou muito. Os seus pais, na sua vida errática, e numa perspectiva de constante desafio, enviaram-no para um mosteiro beneditino, para lhe permitir a obtenção de uma formação espiritual.

segunda-feira, junho 08, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #11

A música folk e a pop, nomadamente, a brit-pop, eram por natureza estilos distintos, e isso era notório nas estações de rádio que, dedicavam a sua programação musical quase exclusivamente a um dos estilos. Contudo, novos territórios começavam a ser explorados, e uma nova folk comercial despontava e ganhava adeptos. Bandas como, Peter, Paul & Mary e New Christy Minstrels, tocavam novas versões de temas de Bob Dylan, como, “Blowin’ in the Wind”; “Don’t Think Twice” e It’s All Right”. Algumas pessoas ligadas ao meio musical aperceberam-se que existia um território por explorar, entre Bob Dylan e os Beatles. Na costa oeste, os Byrds começavam a ocupar esse “território”, lançando as fundações do que viria a ser conhecido como “folk rock”.

Como qualquer banda de covers, os The Squires, abraçavam todos os géneros musicais que estivessem mais berra, tocando temas pop, folk e R&B. Numa actuação na estação de rádio CKRC, a banda apresentou dois novos temas escritos por Young, “I Wonder’”, muito influenciada pelos Beatles, cuja melodia será mais tarde usada em “No Tears”, e, “Ain’t It The Thruth”, cuja influência vem directamente dos blues, ficou no esquecimento durante vinte anos, tendo Young revisitado novamente esse tema. A banda não esqueceu as suas origens, a influência dos Shadows ainda se fazia notar com o tema “Mustang”. Neil, continuava a compor e gravar temas sozinho durante este período, músicas com títulos como: “Cleopatra”, “Be My Girl”, “No” e “High School Playboy”. Young continuava na escola, mas os resultados não eram bons, mostrando um certo aborrecimento pelas actividades escolares. A indolência com que Young encarava a escola, levou o director da escola a aconselhar Neil de que deveria seguir a carreira musical, algo que Young via com bons olhos. Neil tornar-se músico a tempo inteiro.

Os seus sonhos começavam agora a tornar-se realidade e, podia finalmente sair de Winnipeg. Ken Smith e Allan Bates, não puderam seguir nesse desígnio. Ken Koblum e Young recrutaram novos membros, Jeff Wuckert, viria a ser o pianista de serviço e, o baterista Bill Edmunson. Wuckert permaneceu pouco tempo na banda, pois seus pais não permitiram que anda-se em digressão. Os restantes membros partiram para Fort William, onde asseguraram um contrato com o Flamingo Club.

sábado, maio 30, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #10

A morte de J. F. Kennedy transformou lançou uma profunda amargura e desencanto, não só nos Estados Unidos da América, como igualmente no país vizinho. Os The Squires tinham agendado um concerto no st. Petre’s Mission no dia em que Kennedy foi assassinado, e Young, ressentido como os acontecimentos, escreveu uma música, um elogio sem palavras, intitulada “White Flower”, um grito de um jovem pela paz. Uma rápida mudança, a nível político e cultural, trespassou pela sociedade, alterando mentalidades em todos os estratos sociais. Estremaram-se os sentimentos, os conservadores endureceram as suas posições, e a juventude contestatária radicalizou os seus protestos. As questões dos direitos civis e a escalada da guerra no Vietname incendiaram uma sociedade americana frágil e dividida.

Na Inglaterra, os Shadows, com os seus temas instrumentais que os mantiveram no topo das vendas e das preferências dos britânicos, começavam a ser relegados por um novo fenómeno, os Beatles. Muitos duvidaram que os quatro músicos de Liverpool conseguissem conquistar a América. Young, tal como a generalidade dos jovens do continente americano, sentia-se esmagado por este novo som vindo do outro lado do oceano. Young decidiu então arriscar a cantar, ou gritar, e expor-se ao possível ridículo, em algumas canções, que incluiu no reportório. “Money” e “It Won’t Be Long” tornaram-se temas de referência nos concertos dos The Squires. A influência dos Beatles e, da invasão britânica que se seguiu, era de tal forma, que a generalidade das pequenas bandas tocava covers dos 4 de Liverpool. Os The Squires não fugiam à regra, tocando temas dos Beatles com uma sonoridade folk. Tudo era permitido, e o desejo dos jovens de ouvir os temas dos Beatles era de tal forma, que acorriam em massa aos concertos de bandas locais que tocassem temas deles. Terá sido num desses concertos, que Young conheceu Joan Anderson, mais conhecida pelo nome que adoptaria mais tarde, Joni Mitchell.

terça-feira, maio 26, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #9

Capitulo 2


Em finais de 1962, Neil Young e Koblun juntaram-se ao guitarrista Allan Bates e ao baterista Jack Harper para formar a banda Squires. O quarteto ensaiava na cave de Harper e tocavam peças instrumentais de Link Wray e de Duane Eddy. No entanto, a principal fonte de inspiração residia no outro lado do atlântico, nas ilhas britânicas, os Shadows, cujos temas Apache, Kon-Tiki, Wonderful Land e Dance On eram um enorme sucesso, tendo atingido o número na tabela de vendas britânicas. Os Shadows fizeram pouco sucesso, na altura, nas terras norte-americanas, mas entre a fraternidade de guitarristas de Winnipeg, eram vistos como uma banda de culto. Os Squires incluíram diversos temas dos Shadows de Hank Marvin, no seu reportório. Em Janeiro de 63, a banda apresentou-se ao vivo em diversos bailes de adolescentes, e, ainda nesse mês, Harper deixou a formação, tendo sido substituído por Ken Smith. Seguiram-se diversas aparições no circuito de clubes, tendo feito as primeiras partes de bandas como os Chad Alln & the Reflections. Apesar de todos os apoios recebidos, nomeadamente por parte do baixista Jimmy Kale e do guitarrista Randy Bachman dos Reflections, e que mais tarde viriam a fundar os Guess Who, os Squires não conseguiam dar o salto para voos maiores e finalmente saírem do circuito de Winnipeg. A situação inverteu-se em meados do ano quando a estação de rádio CKRC ofereceu-lhes a oportunidade de efectuarem uma secção de gravação. Dessa secção, resultou na edição de um disco da editora local, V Records, com dois temas instrumentais, “The Sultan” e “Aurora”. A influência dos Shadows era mais do que evidente, mas o mais importante para o quarteto era finalmente terem gravado um disco.

Young, com 17 anos, realizava um sonho, e apaixonara-se por Pamela Smith, sendo um caso bastante mais sério do que as anteriores namoradas. Pamela acompanhava Young na maioria dos concertos, e ainda ajudava a montar o equipamento no palco. A relação durou por alguns meses, tendo Pamela Smith afirmado anos mais tarde que Young era um jovem ambicioso e possuído por grandes sonhos; “Ele tinha uma grande imaginação, parecia que sonhava em voz alta. Ele gostava realmente da natureza e falava muito sobre como seria viver numa ilha. Ele era muito intenso”. Um dos motivos para tal intensidade, devia-se ao facto de Young ter sido informado pelo médico de que poderia vir a sofrer de ataques epilépticos. A relação com Smith durou até finais do ano, mas a ambição musical e, sobretudo, o receio de estabelecer um compromisso mais sério, conduziu a uma inevitável separação.

Rassy, sempre presente na vida de Young, para além de o ter ajudado financeiramente na compra de uma nova guitarra, tornou-se agente e relações públicas da banda, sem cobrar os seus préstimos. Nada era demais para o seu filho. Usando a influência de ser uma figura televisiva, Rassy conseguiu abrir algumas portas à banda, que de outra forma seriam extremamente difíceis de abrir.

segunda-feira, março 30, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #8

Neil manteve o seu interesse pela música, encorajado pela sua mãe, aprendia agora a tocar banjo e guitarra acústica. Edna, por seu turno, tentou restabelecer a sua vida, confraternizando com os seus antigos amigos e participando em eventos sociais da alta sociedade, bem longe das suas reais possibilidades económicas. Edna alcançou algma notoriedade ao aparecer no painel de convidados em alguns programas na televisão local, o que permitiu, juntamente com a pensão que Scott era obrigado a dar, equilibrar as contas da casa. O seu sentido de humor aguçado deliciava os seus amigos e provocava a ira de outros ao comentar assuntos que para a época eram ainda tabu. Na escola, Neil, após o incidente com o seu colega, as coisas corriam melhor, e participava com frequência nos bailes de sábado à tarde, juntamente com os seus amigos John Daniel, David Gregg e Jim Atkins. Os quatro formaram os Jades, mas somente tocaram uma vez sob esse nome, na cantina da escola Earl Grey High School, no inverno de 61. Com a cofiança que ganhara nesses pequenos bailes, Young juntou-se na primavera aos Esquires para fazer o circuito dos bares locais, mas as suas qualidades como guitarrista deixavam muito a desejar. Pediu para tocar baixo, numa tentativa de puder continuar a tocar, mas o resultado foi ainda pior, simplesmente não conseguia acompanhar o ritmo. Passou pouco tempo até ter sido despedido, mas isso não afectou a sua confiança. Por essa altura conheceu Ken Koblum, seu colega de escola, com quem partilhava os mesmos gostos musicais. O seu gosto por música levou-o a comprar de forma quase compulsiva para depois reproduzir as músicas ao vivo. Por essa altura compôs o seu primeiro “Image in Blue”.

A relação com o seu pai manteve-se tremula sendo os encontros esporádicos, ao contrário da relação com Ken Koblum, que apesar da mudança de escola de Neil, mantiveram-se próximos, e realizaram vários concertos juntos em bandas como os Stardusters, os Twilighters e os Classic. Desta vez usavam equipamento emprestado de melhor qualidade e a mãe de Neil ofereceu-lhe uma guitarra Gibson Les Paul Junior. Mais tarde consegui convencer o pai a dar-lhe um amplificador, mas as más notas na escola agrícola fez mudar de ideia. Contudo, não demorou muito tempo a tempo até conseguir o amplificador. Edna, confiante no talento do filho, apesar dos seus conhecimentos de guitarra serem bastante medíocres e cantar de forma desafinada, ofereceu o equipamento. Edna sentia uma necessidade de se impor em relação ao seu ex-marido, realizando todos os desejos e vontades do filho para conquistar o seu afecto. No entanto, Edna acreditava realmente que Neil possui o verdadeiro talento e que valia a pena investir na carreira musical do filho. Edna foi a sua primeira admiradora.

domingo, março 15, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #7

Em 1957, Scott Young voltou a trabalhar para um jornal, fazendo cobertura desportiva por todo o país. O afastamento progressivo da família, levou os Young a vender a casa de Pickering e mudarem-se novamente para Toronto. Neil, em mudança, aproveitou para vender toda a criação, rentabilizando assim o seu pequeno negócio. Em Toronto, descobriu um novo negócio, a distribuição de jornais. Ao contrário do seu irmão, Neil não era grande amante de praticar desportos, muito menos desportos colectivos, preferindo vaguear sozinho de bicicleta. Apesar de não gostar de desporto, era grande apreciador de música pop, e como a generalidade da sua geração, gostava de ouvir Elvis Preseley. Neil tinha o hábito de passar horas a ouvir a rádio em busca dos últimos sucessos. No natal de 58, os seus pais ofereceram-lhe um ukulele. Ficou de imediato viciado no instrumento, tendo aprendendo a tocar várias músicas da época. Mas nem tudo corria bem no seio familiar. Durante a visita da rainha Elisabete ao Canadá, Scott que cobria a reportagem jornalística da visita, conheceu Astrid Mead com quem viria a casar mais tarde. A fama de mulherengo continuava a prosseguir Scott, que simultaneamente traia a sua esposa Edna e a sua amante Astrid com várias outras mulheres.

Edna nunca perdoou o comportamento de Scott, que abandonou a família para se juntar a uma mulher 12 anos mais nova. Toda esta situação afectou psicologicamente Edna e os filhos, tendo regressado a Winnipeg. Com 17 e 14 anos, Robert e Neil já estavam habituados a esta situação de mudança e de superação desde a primeira vez que Scott pedira o divórcio. Robert, cansado de tanta mudança, deixou a escola e preferiu ficar com o pai em Toronto para iniciar a carreira profissional. Neil não conseguiu lidar bem com nova situação, longe do pai e do seu irmão, e o problema de ir para uma nova escola onde não conhecia minguem. Ao contrário de outros tempos, Neil, sentia-se agora inseguro e com falta de confiança e os seus colegas de escola aproveitavam-se disso, conduzindo-o a um estado de ruptura psicológica que o levou inclusive a espancar um colega com um dicionário em plena sala de aula.

segunda-feira, março 02, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #6

Nos três anos seguintes, Scott Young tentou vender as suas pequenas histórias a jornais e revistas mas com relativo pouco sucesso. Nessa época difícil, Edna apoiou sempre o marido, incentivando a prosseguir a carreira de escritor. Esse apoio, levou-o a deixar o emprego na Maclean’s, enveredando pela carreira de escritor a tempo inteiro.

Em 1948, a família Young mudou-se para a pequena cidade Omemee, com cerca de 750 habitantes. O contraste de paisagem não podia ser maior. Agora os Young viviam numa região repleta de árvores e rios, convidativa ao lazer e à escrita de Young. Neil vivia aparentemente feliz, pelo comia bem, chegando mesmo a revelar sinais de obesidade. Os pais puseram-lhe a alcunha de Neiler. No entanto, essa alegria de viver levou a correr riscos de vida e numa ocasião quase morreu afogado no lago Lake of Bays. Em 51, a vida de Neil esteve novamente presa por um fio, quando um surto de poliomielite varreu o Canadá, deixando-lhe como herança um ligeiro coxear. As pessoas ganharam um comportamento anti-social, evitando as deslocações aos cinemas e restaurantes, campos desportivos e andar em transportes públicos. No entanto esse tipo de comportamento não evitou o alastrar da doença, que só foi erradicada com o aparecimento da vacina.

Neil cresceu nos primeiros anos de vida num ambiente familiar saudável, gozando do privilégio de ter os pais em casa praticamente o dia todo. O facto de viver numa pequena cidade da província, maioritariamente agrícola, permitiu tanto a Neil como a Robert aproveitar das vantagens de viver no campo. Neil deslocava-se quase todos os dias ao lago onde pescava, sempre com uma horda de gatos em volta, à espera que algum peixe lhes saltasse para a boca. Em termos de educação, as duas crianças tiveram um privilégio suplementar em relação à generalidade das crianças de Omemee, o fácil acesso a livros, que existiam em grande quantidade em casa.

Apesar dos rendimentos incertos, os Young aproveitavam todo o dinheiro para certos luxos, luxos esses, que se encontravam arredados da generalidade das pessoas da comunidade de Omemee. Era frequente passarem as férias na Florida, e os dois miúdos tinham acesso fácil a todo o tipo de coisas que desejassem. Ainda hoje, Neil recorda essa fase da sua infância com grande nostalgia, recriando inclusive em disco, as sensações e a natureza de Omemee. Mas os bons tempos duraram pouco. Scott viria a abandonar a família, tal como o seu pai o fizera. Mudou-se então para Nova Iorque mas logo voltou para a família. No entanto, nada voltara a ser como dantes, nem mesmo a mudança para Toronto contribui para o desanuviar o ambiente familiar. As relações extra conjugais de Scott proseguiram, contribuído para agudizar ainda mais a relação com Edna. Nem mesmo uma nova mudança, desta vez para Pickering, a este de Toronto, e um trabalho com relações públicas na empresa de motores de aviões Orenda Engines, ajudou a equilibrar a relação. Durante a estadia em Pickering, Robert mostrou as suas qualidades de praticante de golfe no clube local, já Neil mostrava na escola um comportamento irascível, pouco do agrado dos professores e colegas mas que chamou a atenção de Mary Ellen Blanche. Nei demonstrava também jeito para os negócios e com 10 anos comprou uma incubadora para criar galinhas. Nem mesmo uma “visita” de uma raposa que matou toda a criação, o impossibilitou de prosseguir o negócio. Vendeu as carcaças e com o dinheiro daí resultante comprou novas galinhas, das quais vendia os ovos. Neil ficou convencido de que o futuro residia na agricultura e na criação de animais.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #5

A família de Neil Young remonta a uma américa do passado, onde as memórias da Guerra Civil ainda marcavam presença nas histórias contadas oralmente. O avô materno de Neil, William N. Ragland, representa a américa perdida que tantas vezes Young retrata nas suas canções. Ragland cresceu numa plantação na Virgínia, onde a escravatura ainda era uma prática corrente. Pertencente a uma geração com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos, William mudou-se para Novo Iorque após a morte de seu pai, com o intuito de ganhar dinheiro para a educação das suas irmãs mais novas. O trabalho acabou por o conduzir para as pradarias de Manitoba, no Canadá, onde acabou por assentar e ter três filhas. A mais nova das três, Edna, detentora de um sentido de humor afiado e senhora do seu nariz, viria a conhecer Scott Young, um aspirante a jornalista desportivo no Winnipeg Free Press. Edna Ragland encontrava-se na época, noiva prestes a casar. Os seus amigos não apreciavam a sua nova relação com Scott, vendo-o como um produto do seu meio social. Edna era uma mulher independente, que nunca precisara de trabalhar, Young, vinha de uma família separada. Scott Young passou por várias instituições sociais após o seu pai ter abandonado a família. Nesse tempo, alimentou a fantasia de se tornar escritor, muito por culpa do seu tio Jack Peterson, veterano de guerra, com uma imaginação fértil que alimentava a imaginação de Scott. Aos 16 anos vendeu a sua primeira história ao jornal Winnipeg Free Press tendo-lhe oferecido o trabalho de copista e mais tarde como repórter desportivo. Em 1940 celebraram o casamento, já com a guerra a decorrer na Europa. Edna encontrava-se grávida, a incerteza da guerra e as dificuldades económicas perturbavam o seu espírito livre. Ambos tinham 23 anos. A perspectiva de criar um filho nessas condições era um fardo para o qual Edna não estava preparada. Edna optou por abortar deixando como legado a sensação de culpa, sobretudo por afinal terem podido criar a criança. Passado um ano, o casal teve o primeiro filho, Robert Young. Scott tabalhava na agencia de noticias Canadian Press quando foi enviado para a Inglaterra para cobri a guerra. Regressou um ano depois para se alistar na Royal Canadian Navy. Com o fim da guerra, regressou ao Canadian Press mas logo se mudou para a revista Maclean’s. A 12 de Novembro, nasceu o segundo filho do casal, de seu nome, Neil Percival Young.

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quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Neil Young - A Estrela do Norte #4


A história começou assim...


Neil Young nasceu em Toronto, no Canadá, filho de um jornalista desportivo e escritor, Scott Young, e de Edna Ragland. Young passou os primeiros anos de vida na pequena cidade de província Omemee, situada a 130 quilómetros de Toronto.

Em criança foi-lhe diagnosticada diabetes e aos 6 anos teve poliomielite que deixou de “herança” um ligeiro coxear.

Os seus pais divorciaram-se quando Young tinha doze anos de idade, e passou a viver com a sua mãe em Winnipeg no Manitoba, onde teve a primeira formação musical. Neil e a sua mãe, fixaram-se nos subúrbios de Fort Rouge, tendo estudado no liceu Earl Grey High School. Aí formou a sua primeira banda, os The Jades. Nessa época, conheceu Ken Koblum com quem mais tarde se juntou aos The Squires.

Enquanto estudava na Kelvin High School em Winnipeg, fez parte de diversas bandas rock. Os The Squires foi a primeira banda com alguma estabilidade de que fez parte, tendo tido aí um pequeno sucesso com a canção The Sultan. Young abandonou o liceu e tocou no Fort William, onde gravaram uma série de demos produzidos por Ray Dee, um produtor local. Em Thunder Bay, Young conheceu Stephen Stills. No filme Heart of Gold, Young relatou como passava o tempo na sua adolescência em Falcon Lake, onde gastava o dinheiro na jukbox a ouvir Four Strong Winds de Ian Tyson. Nessa época conheceu Randy Bachman.

Após ter deixado os The Squires, Young trabalhou em clubes folk em Winnipeg, onde conheceu Joni Mitchell. As primeiras canções folk como Sugar Moutain, foram escritas nessa época, sobre a sua perda da juventude. Em resposta, Joni Mitchell escreveu The Circle Game.

Em 1965, Young efectuou uma digressão a solo. No ano seguinte, juntou-se a Rick James dos Mynah Birds. A banda conseguiu um contrato com a editora Motown, mas quando gravavam o primeiro disco, James foi preso por deserção do exército. Viviam-se os tempos da guerra do Vietname. Com a dissolução dos Mynah Birds, Young e o baixista Bruce Palmer mudaram-se para Los Angels. Young viveu ilegalmente nos EUA até ter recebido o “green card” em 1970.