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quarta-feira, fevereiro 09, 2011

História da música electrónica, concreta e experimental #19

Henry Cowell, parte 2

Cowell foi uma das figuras centrais no círculo de compositores de vanguarda, onde se incluem nomes como Cal Ruggles e Dane Rudhyar, Leo Ornstein, Colin McPhee, John Becker, Edgard Varèse e Ruth Crawford. Em 1927 fundou a revista New Music onde viriam a ser publicados muitos dos futuros nomes da composição ultra-modernista. Em 34 fundou a editora New Music Recordings, onde, para além dos seus próprios trabalhos, editou trabalhos de jovens autores ultra-modernistas.

Em 1928, Cowell, Ruggles, Varèse, Carlos Salzedo, Emerson Whithorne, Carlos Chávez constituíram a associação Pan-americana de compositores, cujo objectivo era promover os compositores de todo o hemisfério ocidental e criar uma comunidade entre eles que transcendem as fronteiras. O primeiro concerto realizado pela associação decorreu em Nova Iorque em 1929, dedicado à música latino-americana, que incluiu obras de Chávez, do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, e dos cubanos Alejandro Garcia Caturla e Amadeo Roldán. No ano seguinte, a associação promoveu um concerto dedicado aos ultra-modernistas norte-americanos, com obras de Cowell, Crawford, Ives, Rudhyar, Antheil, Henry Brant e Vivian.

Nessa época Cowell começou a dar aulas de composição e teoria musical. Entre os seus estudantes contam-se nomes como George Gershwin, Lou Harrison, que baptizou Cowell como mentor dos mentores, e John Cage que o proclamou como o maior precursor da nova música na América. O contacto com compositores de diferentes partes do mundo contribuiu para uma visão musical eclética que ficou bem expressa na sua frase “Eu quero viver no mundo da música”.

De regresso aos Estados Unidos da América, Cowell viria a ser preso em 1936 e condenado a doze anos de prisão sob a acusação de ser bissexual. Durante os quatro anos que esteve na prisão estadual de San Quentin, ensinou música e dirigiu a banda da prisão, tendo continuado a compor novos temas, cerca de 60 no total. Em 1940 foi-lhe concedida a liberdade condicional tendo casado com Sidney Hawkins Robertson no ano seguinte, uma estudiosa de música popular proeminente que desempenhou um importante papel na conquista da liberdade de Cowell. Em 42 foi-lhe concedido um indulto. Em 65 viria a morrer em Nova Iorque após uma série de doenças.

terça-feira, janeiro 11, 2011

História da música electrónica, concreta e experimental #18

Henry Cowell, parte 1


Henry Cowell é considerado, mesmo pelos seus detractores, como um dos maiores compositores do século XX. Poucos foram os criadores musicais que produziram um conjunto de obras tão radicais e tão normais, e, simultaneamente, tão penetrantes e abrangentes. A sua carreira ficou marcada pela produção maciça bem como por ter sido um dos maiores pedagogos musicais norte-americano.

Cowell nasceu a 11 de Março de 1897 na zona rural Menlo Park, na Califórnia, filho de dois escritores, sendo seu pai imigrante irlandês e a sua mãe natural do Iowa. Cowell demonstrou talento musical precoce e começou a tocar violino aos cinco anos de idade. Após o divórcio de seus pais em 1903, ele foi criado por sua mãe, Clarissa Dixon, autora das primeiras novelas feministas. Apesar do divórcio, Cowell manteve contacto com o seu pai, que lhe deu a conhecer a música irlandesa, que viria a ser um marco em toda a sua carreira.

Cowell foi um autodidacta, e na sua adolescência já compunha temas, normalmente com melodias repetitivas, como é o caso do tema Anger Dance. Mais tarde viria a ser admitido na Universidade da Califórnia através de convite do seu patrono Charles Seeger. Após dois anos em Berkeley, Cowell prosseguido estudos em Nova York, onde ele encontrou Leo Ornstein, o radicalmente "futurista" pianista e compositor. Ainda adolescente, Cowell escreveu a peça para piano Dynamic Motion, em 1916. De regresso à Califórnia, Cowell envolveu-se numa comunidade teosófica, Halcyon, liderado pelo poeta irlandês John Varian, que alimentaram o interesse Cowell na cultura folclórica irlandesa e mitologia. Em 1917, Cowell escreveu a música para a produção teatral de Varian The Building of Banba, que viria a ser a ser a sua composição mais conhecida.

No início dos anos 20, Cowell viajou amplamente na América do Norte e Europa, como pianista, tocando suas próprias obras experimentais, explorações seminais da tonalidade, politonalidade, polirritmia. Béla Bartók ficou impressionado com a técnica e mestria de Cowell, tendo-lhe pedido autorização para utilizar o seu método de tocar. Outra técnica inovadora, consistia em dedilhar as cordas do piano directamente, ao invés de tocar as teclas. Esta técnica de tocar piano viria a ser uma das principais influências para as composições de John Cage.

Em 1919, Cowell começou a escrever New Musical Resources, que viria a ser publicado após extensa revisão em 1930. Com foco na variedade de conceitos inovadores de rítmico e harmónico que ele usou nas suas composições, viria a ter um efeito poderoso sobre os compositores vanguardistas americanos. As suas experiências com variações rítmicas conduziram à invenção do Rhytmicon (de que falarei mais tarde), instrumento polifónico que viria a ser nos anos 60 amplamente utilizado pelo produtor Joe Meek. Até aos inícios dos anos 30, Cowell compôs dezenas de peças para piano, das quais se destacam Banshee.

No início dos anos 1930, Cowell começou a investigar os sistemas aleatórios, permitindo que os instrumentistas determinassem os elementos primários da composição. Uma de suas principais peças de câmara, o Mosaic Quartet (String Quartet No. 3) (1935), é classificada como uma colecção de cinco movimentos sem sequência predeterminada.


Ponto de escuta: The Banshee
105-henry cowell-the banshee (1925. 1957)-dps by sonsmusica

segunda-feira, novembro 08, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #17

George Percy Grainger é um dos compositores mais inovadores do século XX, sendo mais conhecido pelo nome Percy Aldridge Grainger. Natural de Brighton, um subúrbio de Melborn, na Austrália, nasceu a 8 de Julho de 1882 e morreu a 20 de Fevereiro de 1961. Grainger teve uma infância atribulada, que envolveu mau relacionamento familiar e a mãe sifilítica que evitou o contacto com o filho até aos 5 anos.

Ainda na sua infância, Grainger revelou talento musical pouco usual, tendo a sua mãe matriculado no conservatório do Dr. Hoch, em Frankfurt. Aí desenvolveu o seu talento musical experimentando métricas irregulares e pouco comuns. Ainda no século XIX, Grainger experimentou sequências musicais como as 2/4, 2½/4, 3/4, 2½/4, e conceitos que precederam em mais de 40 anos as obras de John Cage. Em 1912 escreveu peças “intocáveis” para piano 20 anos antes dos trabalhos de Conlon Nancarrow. No início do século XX Grainger mudou-se para a Inglaterra. Com o início da Primeira Guerra e para fugir ao serviço militar, Percy Grainger erradicou-se nos Estados Unidos da América. Contudo, em 17 alistou-se no exército americano para tocar na banda das forças armadas nas actuações realizadas na Europa. Em 1918 obteve a naturalidade norte americana.

A sua carreira conheceu um enorme impulso com a crescente popularidade atingida durante os concertos realizados durante a guerra. Curiosamente, Grainger detestava os seus maiores êxitos. Nos anos 40 a sua popularidade entra em declínio e a sua música era cada vez menos bem recebida. Nos últimos anos de vida, Grainger actuou de borla, sendo na realidade a única forma de puder actuar em público. O seu último grande projecto desenvolvido foi a Free Music Machine, uma ideia que teve originalmente aos 11 anos e que mais tarde descreverei em pormenor. Em 1961, Percy Grainger viria a morrer com cancro da próstata.


Ponto de escuta: Free music for four theremins
2-09 Free Music #1 (for four Theremins) by sonsmusica

sexta-feira, setembro 17, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #16

Walter Ruttmann nasceu a28 de Dezembro de 1887 em Frankfurt na Alemanha, sendo considerado um dos pioneiros do cinema experimental juntamente com Hans Richter e Eggeling Viking.

Ruttmann estudou arquitectura e pintura e trabalhou como designer gráfico. A sua carreira cinematográfica começou em 1920 tendo realizado curtas-metragens de cariz abstracto "Opus I" (1921) e "Opus II" (1923), vistas como experiências com novas formas de expressão cinematográfica, Ruttmann e seus colegas do movimento vanguardista enriqueceram a linguagem do cinema através de novas técnicas de filmagem e de montagem.

Ruttmann foi um expoente importante tanto da avant-garde, bem como da música. Durante o período nazi, Ruttmann trabalhou como assistente de realização no filme o Triunfo da Verdade de Leni Riefenstahl. Viria a morrer em Berlim em 1941.


Ponto de escuta:Wochende
02 walter ruttman - wochende (1930) by Sons de Musica

terça-feira, julho 13, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #15

O Staccatone foi projectado pelo jornalista e ensaísta Hugo Gernsback, em 1923, sendo a sua primeira tentativa de construir um instrumento electrónico polifónico. O Staccatone utilizava a tecnologia rádio usando uma série de osciladores LC para produzir uma nota com tonalidade aguda.

Em 1926, Gernsback desenvolveu o seu instrumento tendo criado com ajuda de Clyde Finch o Pianorad, na Radio News Laboratories, em Nova York. O Pianorad tinha 25 osciladores LC para cada nota do teclado de duas oitavas, dando ao instrumento uma polifonia completa. Cada um dos seus 25 osciladores tinha um alto-falante independente. O Pianord foi mostrado ao público pela primeira vez em 12 de Junho de 1926 na estação de rádio WRNY em Nova York, realizado por Ralph Christman.

Hugo Gernsback nasceu a 16 de Agosto de 1884, no Luxemburgo, tendo sido editor, escritor de ficção científica e inventor. Em 1905 imigrou para os E.U.A. para tentar comercializar uma pilha de sua invenção, e que ninguém no Luxemburgo queria comprar. Em 1908 editou a revista Modern electrics, que viria mais tarde a ter o nome Amazing Stories, sendo a primeira revista dedicada à ficção científica. Gernsback inventou nos anos 20 o termo “ficção científica”. Nas suas revistas, Gernsback deu a oportunidade de vários escritores publicarem os seus contos, como por exemplo Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Robert A. Heinlein. Gernsback morreu em Nova York a 19 de Agosto de 1967.

segunda-feira, maio 10, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #14

Para quem pensa que os festivais dedicados à música electrónica é algo somente dos nossos dias, está profundamente enganado. Numa primeira abordagem irei mencionar apenas os festivais mais relevantes pré Segunda Guerra Mundial.

Em1906, o tenente-coronel William Orde, de Nunnykirk, fundou o festival de música de Wansbeck (Grã-Bretanha) e tinha como objectivo realizar competições entre diversas escolas. No primeiro festival participaram cinco escolas. Até à Primeira Grande Guerra, o festival tinha a duração de dois dias mas o número de escolas participantes aumentou de forma gradual. Durante a Segunda Guerra, o festival foi suspenso, tendo sido retomado logo em 46. No ano de 55, o festival já tinha quatro dias de duração.

Durante a primeira Guerra Mundial (1917) foi fundado o Portsmouth Music Festival, tinha como objectivo principal melhorar a qualidade de vida dos habitantes de Portsmouth. Devido à falta de verbas, o festival não se realizou durante vários anos. Após a Segunda Guerra, o festival renasceu, e ainda hoje se realiza, voltado para músicos amadores que ai apresenta as suas músicas. O festival é ainda hoje considerado como o maior e mais educativo evento da região de Portsmouth.

E 1921 a Sociedade de amigos da Música de Donaueschingen criou um dos que é considerado como mais importante festival de música experimental. Fundada em 1913, a sociedade tinha como objectivo divulgar novos conceitos de música, optando pela organização de pequenos eventos onde novos compositores podiam mostrar as suas criações. Alguns instrumentos como o Spharophon, o Partiturophon, Kaleidophone, inventados por Jorg Mager, foram mostrados pela primeira vez nos festivais realizados em Donaueschingen. Após um longo interregno, o festival regressou em 1993, sendo cada festival dedicado a um conceito único.

quinta-feira, abril 22, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #13

A gama de instrumentos electrónicos Sphäraphon foi desenvolvida pelo músico alemão Jörg Mager, especificamente para a criação de música micro tonal. O primeiro instrumento, o Electrophon, foi construído em conjunto com a empresa de componentes electrónicos, Lorenz, e era baseado no heterodyning. O Electrophon era controlado por uma pega que o instrumentista movia através de marcador semi-circular, que permitia criar um efeito “glissando” continuo. O Electrophon não possuía um teclado manual.

O Kurbelsphäraphon resulta do aperfeiçoamento do Electrophon, graças à aplicação de filtros para melhorar o timbre com o objectivo de evitar o efeito “glissando” continuo. O novo instrumento possuía duas pegas de ajuste seleccionável que eram usados em simultâneo com um pedal duplo de pé para controlar o volume. O Kurbelsphäraphon
foi concluído em 1923 e apresentado em 26 no Festival de Donaueschingen. O compositor russo Georgy Rimsky-Korsakov, compôs peças para este instrumento.

Jörg Mager continuou a desenvolver o seu instrumento e em 28 criou o Klaviatursphäraphon, ou Sphaerophon, como também é conhecido. Com o apoio de oskar Vierling, Mager substituiu os cabos de controlo do Klubelsphäraphon e introduziu um teclado monofónico, tendo umas teclas mais curtas para permitir que o instrumentista pudesse tocar vários teclados em simultâneo, produzindo assim um som duo fónico.

O Partiturophon foi o quarto instrumento criado por Mager em 1930, sendo uma ampliação do anterior Klaviatursphäraphon, que permitia ao instrumentista tocar quatro, ou mesmo cinco, vozes ao mesmo tempo, uma por cada teclado.

O Kaleidophon foi concluído em 1939 e, embora a sua história não esteja documentada, é descrito como um instrumento electrónico monofónico com misturas de tom "caleidoscópicas". O instrumento foi construído sob influência de Arnold Schoenberg e Ferrucio Busoni e suas idéias tonais.

Os instrumentos de Mager foram amplamente utilizados principalmente em produções teatrais na Alemanha, e nenhum sobreviveu a segunda guerra mundial.

quarta-feira, abril 07, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #12

Lev Sergeivitch Termen nasceu em St. Petersburgo em 1896 e tornou-se num dos pioneiros mais importantes no desenvolvimento da música electrónica através da invenção do instrumento Thereminvox, que se tornou mais conhecido pelo nome Theremin. Termen deixou a União Soviética em 1927, tendo-se fixado nos estados Unidos, onde lhe foi concedida uma patente para o seu instrumento, o Theremin, em 1928. O Theremin foi comercializado e distribuído pela R.C.A. durante a década de 30.

Termen montou um negócio de catering em Nova Iorque para clientes da alta sociedade. Os lucros desse negócio foram usados na investigação e criação de novos instrumentos. O seu estúdio dispunha de uma grande variedade de dispositivos electrónicos que pareciam saídos de um filme de ficção científica, desde sistemas áudio, aparelhos que combinavam imagens com som, uma plataforma electrónica de dança e um protótipo de televisão a cores.

Em 38 foi sequestrado no seu apartamento pela NKVD, a antecessora da KGB. Foi levado para União Soviética e acusado de difusão de propaganda anti-soviética por Estaline. Diversos boatos sobre a sua execução foram difundidos no ocidente. Na verdade, Termen não fora executado, tendo sim sido enviado para o campo de trabalhos forçados de Magdan, na Sibéria. Termen foi colocado a trabalhar em projectos secretos, tendo inventado o primeiro aparelho de escutas electrónicas, tendo sido agraciado com o prémio Estaline, o mais alto galardão da então União Soviética. Mais tarde foi-lhe concedido um lugar de professor no Conservatório de Moscovo, onde continuou as suas pesquisas no campo da música electrónica.

Sob pressão da ideologia soviética, viria afirmar que a electricidade servia unicamente para execução de traidores e não para fazer música. Depois desse episódio, Termen trabalhou em músicas mais convencionais, sem a componente electrónica. Curiosamente, o seu invento ganhava popularidade nos Estados Unidos da América, mas que do qual, Termen, nada sabia.

Antes da sua morte, em 1993, Termen fez uma última visita aos E.U.A para realizar palestras e demonstração dos seus inventos musicais. Ainda hoje, os sues aparelhos são utilizados não composição musical.

terça-feira, março 16, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #10

Raoul Hausmann é uma das figuras maiores do movimento Dada, sendo o seu trabalho uma referência no movimento Avant Garde europeu pós I Guerra Mundial. Nascido a 12 de Julho de 1886, em Viena, na Áustria, mudou-se aos 14 anos para Berlim.

Em 1912, Hausmann tornou-se escritor oficial da revista Der Sturm, uma plataforma de manifesto contra os lobbys da arte vigentes. Por essa altura, e influenciado Herwarth Walden, proprietário da referida revista e de uma galeria de arte, começou a produzir gravuras expressionistas. Em consonância com o pensamento de uma vasta comunidade intelectual da época, Hausmann defendeu os valores da I Guerra Mundial, acreditando ser necessária uma limpeza da sociedade.

Em 1916, Raoul conhece alguns pensadores que viriam a moldar o seu pensamento definitivamente. Entre outros nomes, destacam-se o psicanalista Otto Gross, e o reconhecido anarquista, e escritor, Franz Jung. Juntamente com Hans Richter e Emmy Hennings, Hausmann passa a escrever para ao jornal anarquista Die Freie Strasse.

Em 17, Hausmann fazia parte de um grupo de jovens artistas descontentes que formaram o núcleo duro do movimento Dada de Berlim. Desse grupo faziam parte à época Huelsenbeck, George Grosz, John Heartfield, Jung, Hoch, Walter Mehring Baader que formaram o Dada Club. O primeiro evento foi uma noite de apresentações de poesia e palestras de crítica contra artistas reconhecidos. Em 18, Hausmann apresentou o Manifesto Dada em que defendia a noção de destruição como um acto de criação. Nesse âmbito, desenvolveu o conceito de colagens fotográficas juntamente com poesia bem como, poemas fonéticos. No ano seguinte tornou-se editor da revista Der Dada, que com o fim da guerra, pode trabalhar livremente.

Nos inícios dos anos 20, o movimento Dada entra em declínio, tendo Hausmann começado a escrever o romance Hyle em 1926. Paralelamente, efectua experiências electro-acústicos e visuais com o Optophon, um dispositivo que produzia ondas de luz conjuntamente com som. Com a sua mudança para Ibiza, nos anos, Raoul começa a trabalhar sistematicamente no campo da fotografia. Hausmann viria a ser considerado um artista proscrito, tendo mudado de país diversas vezes. Em 38, fixa-se definitivamente em França, onde se isolou do mundo, tendo morrido em 1971.


Ponto de escuta: Poeme phonetique - 1918

quarta-feira, março 03, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #9

O Optophonic Piano é um instrumento electrónico criado pelo pintor russo Vladimir Baranoff Rossine, nascido em 1888 em Kherson na Ucrânia. Rossine começou a trabalhar na criação do Optphonic em 1916, tendo sido utilizado nas suas próprias exposições e eventos de de cariz revolucionário no alvorecer da União Soviética. O instrumento produzia e projectava sons em padrões giratórios numa parede ou tecto graças à projecção de uma luz directa e brilhante através de uma série de discos de vidro pintados, filtros, espelhos e lentes. Um teclado controlava a combinação dos diversos filtros e discos. As variações da opacidade do disco pintado e dos filtros eram controladas por uma célula fotoeléctrica. O instrumento produzia assim uma variação de tons contínuos, que eram acompanhados pelas projecções caleidoscópicas rotativas.

Em 1924, Rossine deu os seus últimos dois concertos na União Soviética, juntamente com a sua esposa, Pauline Boukour, no Meyerhold e no Bolchoi. No ano seguinte Rossine deixou a União Soviética e radicou-se em Paris, onde continuou a realizar exposições de pintura e concertos com o seu instrumento. Rossine morreu em Paris em 1944.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #8

Lee De Forest nasceu a 26 de Agosto de 1873, em Council Bluffs, Iowa. Morreu a 30 de Junho de 1961. Auto-intitulava-se "Pai do Rádio" (o título de sua autobiografia de 1950), inventor e detentor de mais de 300 patentes, inventou a "válvula Audion 'em 1906 – muito mais sensível do que a válvula diodo de John A. Fleming' s. A aplicação imediata da válvula tríodo De Forest estava na tecnologia de rádio emergente, tendo sido um promotor tenaz. De Forest também descobriu que a válvula era capaz de criar sons audíveis usando o “heterodyning/ beat”, uma técnica de frequência, ou seja, uma forma de criar sons através da combinação de dois sinais de alta frequência para criar uma composição de menor frequência dentro da faixa audível.
De Forest criou o “Audion Piano", o primeiro instrumento de vácuo, em 1915. Ao criar o Audion Piano, De Forest tinha estabelecido o modelo para instrumentos electrónicos dos próximos cinquenta anos, até o surgimento da tecnologia transístor. O Audion Piano é um instrumento de teclado simples. Foi o primeiro instrumento a usar uma frequência “beat” ou "heterodyning", sistema oscilador e também o primeiro a ter a capacidade de controle de afinação e de timbre (O efeito “heterodyning” mais tarde foi muito explorada pelo Termen Leon Theremin com sua série de instrumentos e do Ondes Martenot de Maurice Martenot, entre outros.). O Audion Piano tinha uma única válvula tríodo por oitava que era controlada por um conjunto de teclas que permitam uma nota monofónica para ser tocada por oitava. A saída de som era enviada para um conjunto de altifalantes que poderiam ser colocado em torno de um quarto para dar ao som um efeito tridimensional.

De Forest planeava uma versão melhorada do instrumento, com válvulas separadas por tecla permitindo polifonia completa. Não se sabe no entanto se este instrumento foi construído.
De Forest, promotor incansável, demonstrou o seu instrumento electrónico na área de Nova York em eventos públicos e em espectáculos de angariação de fundos para desenvolver a sua tecnologia de rádio. Estes eventos foram, muitas vezes criticados e ridicularizados pelos seus pares que conduziu a um famoso julgamento onde De Forest foi acusado de induzir o público para obtenção de dinheiro.

De Forest também colaborou com um céptico Thadeus Cahill na transmissão dos primeiros concertos do Telharmonium, usando transmissores de rádio, em 1907. Cahill insistia na utilização da rede de fio de telefone para transmitir a sua música electrónica, tendo sido um importante factor no desaparecimento do Telharmonium.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #7

O Choralcelo ("Heavenly Voices") é um instrumento híbrido que combina um instrumento electrónico com um electro-acústico, concebido como uma espécie de órgão caseiro. O Choralcelo foi projectado e desenvolvido por Melvin Severy, nascido em 1863, em Melrose, Mass, Califórnia, e morreu em 1951) com o apoio de seu cunhado George B. Sinclair e fabricado pela "Choralcelo Manufacturing Co", em Boston. Severy era um inventor versátil, engenheiro, músico e compositor. Antes da invenção do Choralcelo, Severy já tinha patenteado máquinas de impressão, sistemas de aquecimento solar, difusores de fluidos, entre outras.

O Choralcelo foi desenvolvido por Severy entre 1888 e 1909, quando foi apresentado pela primeira vez ao público em Boston, Massachussets A empresa foi adquirida em 1918 pela Farrington. C. Donahue & A. Hoffman (em alguns relatórios reivindicava ser o inventor do instrumento). Pelo menos seis dos instrumentos foram vendidos e continuou a ser utilizado até 1950. Destes, dois ainda existem, encontrando-se nos Estados Unidos da América.

O Choralcelo é contemporâneo do Telharmonium, embora não tão grande, ainda assim era um instrumento de tamanho considerável, utilizava uma tone wheel electromagnética semelhante à do Telharmonium, bem como um conjunto de piano de cordas operados electromagneticamente. O Choralcelo é constituído por dois teclados, o piano (superior) com um teclado de 64 teclas e o menor de 88 (piano e 'órgão'), que controlava (em modelos posteriores) 88 tone wheel’s e um conjunto de cordas de piano accionadas por electroímanes e um conjunto de martelos que poderiam desempenhar as cordas do piano de forma normal. Os teclados também tinham um conjunto de órgãos “stop” para controlar o timbre e os tons que poderiam passar através de cartão, de madeira, de fibra longa, de vidro, ou de aço. O Choralcelo também incorporou uma pianola de estilo mecânico de rolo de papel para utilizar sons pré gravados e um sistema de pedaleira de 32 notas. A máquina inteira poderia ocupar dois subsolos de uma casa, os teclados e 'colunas' eram a única parte visível do instrumento.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #6

O Singing Arc foi provavelmente o primeiro instrumento totalmente electrónico. Foi desenvolvido por William Duddell em 1899 a partir da tecnologia utilizada na lâmpada de arco de carbono, um precursor eléctrico para a lâmpada utilizada na Europa. O problema com a lâmpada de arco de carbono é o ruído que produzia, um zumbido baixo de um irritante agudo apito. Sr. Duddell, um físico Inglês, foi contratado para investigar o som que estas lâmpadas produziam e descobriu que quanto maior for a quantidade de electricidade aplicada à lâmpada, maior o campo resultante. Para demonstrar esse fenómeno, foi ligado um teclado para a luz e chamou-lhe o Arco Singing. O Arco Singing podia ser ouvido sem o benefício de um amplificador ou alto-falante. Foi utilizado pela primeira vez numa palestra para a London Institute of Electrical Engineers, tendo sido o teclado ligado a lâmpadas de arco ao prédio e constatou-se que o som produzido era ouvido igualmente nos prédios vizinhos. Apesar do sucesso, esse método de transmissão de música através, nunca foi levada adiante. Duddell não chegar a registar a patente da sua máquina.

Alguns anos antes, em 1887, um inventor holandês descobriu que as ondas de som podem ser usadas para modular a intensidade da chama produzida pelo gás sob pressão (chamado um manométrico).

terça-feira, janeiro 12, 2010

História da música electrónica, concreta e experimental #5

Antes da utilização da electricidade, o homem inventou e desenvolveu instrumentos mecânicos para criar sons. Os primeiros instrumentos que podem ser classificados como proto-sintetizadores remontam à época grega. Os instrumentos que seguidamente serão apresentados apontam, de forma sumária, os aspectos mais significativos que conduziram à criação do sintetizador actual.

No 3º século antes de Cristo, Ktesibios, um engenheiro grego inventou o Hydraulos, na tentativa de resolver a velha questão de como pode um único instrumentista tocar vários instrumentos em simultâneo. O Hydraulos é basicamente uma câmara de água dentro de uma banheira com água ligada com uma bomba de mão. A pressão era regulada pelo pessoa da própria água. Diversas alavancas mecânicas ou interruptores enviam o ar por tubos diferentes. O órgão de tubos moderno funciona basicamente da mesma forma. (Na imagem)

O “hurdy-gurdy”, que pode ser traduzido para português como sanfona, funciona através de uma manivela que ao ser movida, as rodas em movimento são “esfregadas” em cordas e assim são criados os sons tipo “drone”. Este instrumento surgiu nos inícios do século XV da nossa era e pode ser considerado como um parente dos sequenciadores actuais.

Blaise Pascal, com 21 anos, em 1641, desenvolveu uma máquina de calcular muito similar aos desenhos encontrados (em 1997) em velhos manuscritos de Leonardo Da Vinci. Apesar de essas máquinas de calcular não produzirem música, elas são precursoras do computador moderno e, assim, sintetizadores digitais.

Em 1644, Lever criou o The Invention Nouvelle, que era basicamente, um motor hidráulico que produzia sons musicais.

Jean-Baptiste de Laborde inventou em 1759 o cravo eléctrico, o Clavecin Electrique, tendo sido construído (em 1761) por Abbe Delaborde em Paris, França. Este é um dos primeiros instrumentos electrónicos documentados, sendo baseado num cravo curto, carregado com electricidade estática que activavam sinos. (Na imagem)

O Panharmonicon, de 1761, era um instrumento de teclado mecânico que permitia tocar de forma automatizada flautas, clarinetes, trompetes, violinos, violoncelos, bateria, pratos, triângulo e outros instrumentos (armas?). Foi inventado por Johann Maelzel que conseguiu convencer Ludwig Van Beethoven a compor para esse instrumento. Beethoven escreveu: "Vitória de Wellington" e começou a escrever a sinfonia batalha "The Battle of Victoria" para o panharmonicon, mas brigas entre ele e Maelzel levaram-no a mudar de ideias. Embora o panharmonicon era mecânico e não elétrico, o espírito da invenção reside em instrumentos de síntese de hoje.
O Piano Electromecânico foi desenvolvido por Hipps (primeiro nome desconhecido), que foi director da fábrica de telégrafo em Neuchatel, Suíça. Basicamente eram utilizados pequenos geradores eléctricos que produzem sons. Esses geradores, ou dínamos, foram mais tarde também utilizados no Dynamophone de Thaddeus Cahill (também conhecido como o Telharmonium).

Alexander Graham Bell, em 1876, inventou uma maneira de transmitir a voz sobre um fio telegráfico, o telefone. Elisha Gray (também um inventor de um telefone, mas que registou a patente mais tarde do que Bell) inventou o Electroharmonic (ou o Telegrafo Electromusical), sendo um teclado simples com osciladores para cada tecla. Gray descobriu que poderia criar uma auto-vibração circuito electromagnético, basicamente um oscilador de frequência única. Assim, podia transmitir música através de uma linha telefónica. Mais tarde, construiu um alto-falante simples para tornar os sons audíveis, sem uma linha telefónica. Este instrumento cria tons musicais transmitidos através de fios. Alexander Bell desenvolveu um instrumento semelhante apelidado Harpa Eléctrica.

O Fonógrafo foi inventado por Thomas Edison. Este dispositivo primitivo utilizava uma membrana com uma agulha acoplada para gravar o som em um cilindro de cera. Os cilindros não duravam muito tempo, mas Edison pensou que este dispositivo poderia ser usado para as empresas. Com o mesmo conceito mas utilizando um sistema cilíndrico ou um sistema de disco, foi simultaneamente desenvolvido e patenteado por Emile Berliner.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

História da música electrónica, concreta e experimental #4

No seu manifesto “A Arte do ruído” de 1913, Russolo descreve através da história a passagem do silêncio ao som e da transformação do ruído em ruído sonoro e musical. Ele argumentou que a gama limitada dos instrumentos musical da sua época não podia satisfazer a sede acústico do homem moderno.

"Vamos atravessar uma grande capital moderna, com os ouvidos mais atentos do que os nossos olhos e entraremos no jogo de distinguir o redemoinho da água, ar e gás nos tubos de metal, a palpitação das ondas, o ir e vir dos pistões, o uivo de serras mecânicas, os solavancos das rodas nos trilhos, o estalido dos chicotes, o agitar das bandeiras.

Nós gostamos de criar orquestrações mentais do descer das persianas metálicas das lojas, o som das portas que batem, o burburinho das multidões e da sua agitação, a variedade de sons das estações, das estradas, fundições de ferro, girar moinhos, impressão, centrais hidroeléctricas e linhas de metropolitano "

As "máquinas de ruído Intonorumori" ou eram uma família de geradores de som acústico projectado por Russolo para criar a paleta de som no "Art Of Noises". As máquinas tinham um aspecto rudimentar: caixas sólidas de diversos tamanhos, cada uma equipada com um altifalante de metal enorme. Russolo e a sua assistente Piatti aperfeiçoaram os aparelhos para o seu primeiro concerto em 1914.

"Foi necessário, por razões práticas que os intonarumoris fossem tão simples quanto possível...., e isso conseguimos fazer. É suficiente dizer que uma única membrana esticada colocado na posição, permite, quando a tensão, uma variada uma escala de mais de dez notas, com todas as passagens de semitons, quartos-de-tons e até mesmo as menores fracções de tons.

A preparação do material para os diafragmas é realizada com banhos químicos especiais e varia de acordo com o timbre necessário. Ao variar a maneira que o diafragma é movido outros tipos de timbres de ruído podem ser obtidos mantendo a possibilidade de variar o tom "

Em 1914, Russolo e Marinetti deu 12 espectáculos do "Intonorumori" no Coliseu de Londres, os desempenhos foram, aparentemente, calorosamente aplaudido e Marinetti alegou que 30.000 pessoas testemunharam a música do futuro.
Os dias heróicos das máquinas de ruído terminaram após a primeira guerra mundial. Russolo sofreu ferimentos graves na cabeça durante a guerra e depois de uma longa convalescença deixou a Itália e mudou-se para Paris, onde continuou a trabalhar nas máquinas de ruídos. Os seus concertos, durante a década de 1920 em Londres causaram polémica feroz, mas também impressionou vários compositores importantes como o Milhaud, Ravel, Honegger e o “profeta do futuro” avant garde Edgard Varèse.



quinta-feira, novembro 26, 2009

História da música electrónica, concreta e experimental #3

Luigi Russolo nasceu em 1885 em Itália, em Portogruaro, situada na região do Veneto. Luigi e o seu irmão António, eram filhos de um organista da catedral de Portogruaro e director da Schola Cantorum de Latsiana. Luigi acreditava que a vida contemporânea era demasiado ruidosa e que esses ruídos deveriam ser utilizados na estrutura das suas composições musicais. Em 1913 publicou o tratado “A Arte dos Ruídos”, sendo considerado o primeiro teórico da música electrónica. Russolo foi igualmente inventor de alguns instrumentos musicais, nomeadamente o Intonarumori, de 1913, que tinha como função principal, criar ruídos. Em 1922 inventou o Rumorarmonio, e em 1931 inventou o Enharmonic Piano. Infelizmente, nenhum dos seus instrumentos originais sobreviveu à Segunda Guerra Mundial.

Após um período de "longa e interminável de pesquisa em seu laboratório", pintor futurista Luigi Russolo constrói o intonarumori, dispositivos para a produção de um amplo espectro de modulação, sons rítmicos semelhantes aos feitos por máquinas, mas sem imitar ou reproduzir lhes. Estes sons são para ser entendido como "materiais de resumo" libertos de suas origens mecânicas e agora sob o controle humano, escreve Russolo no seu Manifesto da Arte Sonora. Compondo peças para o intonarumori, Russolo também desenvolve uma nova forma gráfica da partitura musical. Em 1914, o primeiro concerto de 18 intonarumori, uma obra dividida em oito categorias diferentes de sons, causou um enorme escândalo em Milão. Em 1914, bem como, os doze concertos encenados em Londres provocaram reacções mais positivas. Após a I Guerra Mundial, concertos para intonarumori foram encenados clássicos juntamente com orquestras sinfónicas.

Luigi Russolo era igualmente pintor, e em 1941 voltou novamente a pintar, com um novo estilo que definiu como “clássico modernista”. Morreu em 1947 na província de Varese.


Ponto de escuta:
Risveglio Di Una Città, de 1913


Corale, de 1921

terça-feira, novembro 10, 2009

História da música electrónica, concreta e experimental #2

O Telharmonium, ou Teleharmonium, que é igualmente conhecido por Dynamophone, foi desenvolvido por Thaddeus Cahill em 1897. Cahill era advogado e inventor, tendo inventado peças para pianos e máquinas de escrever. A invenção do Telharmonium partiu da ideia de transmitir música através de linhas telefónicas. Antes de 1920 era impossível amplificar impulsos eléctricos. Para ouvir sons através de telefone era necessário colocar o ouvido junto do receptor. Cahill percebeu que se produzisse sinal eléctrico em grande quantidade, e se colocasse um cone (muito semelhante aos cones dos gramofones) junto do receptor de telefone, podia transmitir música por telefone para uma grande audiência. Tal como os órgãos Hammond, o Telharmonium usava “tonewheels”, ou seja, uma espécie de cartões perfurados, para criar sons através de impulsos eléctricos.

Cahill construiu três versões do seu instrumento: O Mark I, que pesava 7 toneladas; o Mark II, que pesava quase 200 toneladas, tal como o Mark III. Foram muito poucos os concertos dados com este instrumento. Contudo, as actuações em Nova Iorque, algumas no Telharmonic Hall, foram muito bem recebidas durante o ano de 1906. O instrumento é tão grande que ocupava uma sala inteira e normalmente era instalado na cave e tinham que fazer buracos no chão para passar os fios. A própria consola onde o instrumentista tocava, normalmente eram dois, apresentava dimensões impressionantes, como se pode ver na fotografia.

O Telharmonium antecedeu em muitos aspectos o equipamento moderno electrónico. Por exemplo; a saída de som fazia-se através de telefones normais a grandes cones de papel, uma forma primitiva de altifalantes. Cahill foi o primeiro a reconhecer que os diagramas electromagnéticos eram o meio preferencial para transmitir o som.

Infelizmente não existem gravações do instrumento, mas quem o ouviu afirma que tinha um som puro e cristalino. O Telharmonium não criava apenas sons simples. Cada tonewhell corresponde a uma nota, e para aumentar as suas capacidades, Cahill instalou mais alguns tonewhell para adicionar sons harmónicos a cada nota. O Telharmonium é igualmente um instrumento polifónico e apresenta múltiplos teclados bem com uma pedaleira, o que significa que cada som pode ser manipulado. Este instrumento tem a capacidade de reproduzir o som de diversos instrumentos de orquestra, como a flauta, o clarinete, o violoncelo e o fagote. No entanto, o Telharmonium não conheceu grande sucesso, sobretudo devido ao seu tamanho, ao seu peso e ao seu consumo de energia. Uma vez que o som era transmitido por telefone, registaram-se inúmeros casos de intromissão de sons de música criada pelo Telharmonium nas chamadas pessoais. Por volta de 1912 o interesse do público por este instrumento diminuiu consideravelmente e a empresa de Cahill declarou falência em 1914. Cahill morreu em 1934.

quinta-feira, novembro 05, 2009

História da música electrónica, concreta e experimental #1

O título é um pouco pretensioso, tendo em conta que pretendo fazer uma resenha destes diferentes conceitos musicais, instrumentos e dos artistas mais significativos da história musical. Tentarei apresentar uma introdução histórica e os criadores musicais ilustrado com músicas representativas da evolução destes conceitos musicais. Em muitos casos os diferentes conceitos encontram-se associados e interligados, sendo difícil destrinçar e de atribuir uma categoria especifica a cada compositor. Também é bem verdade que, pelo menos em teoria, podemos classificar como experimental a generalidade de estilos musicais. Não vou desenvolver muito essa questão por não achar relevante neste momento. A música dita electrónica, bem como a concreta, é experimental, tal como a dita musica experimental pode ser enquadrada noutro género musical.

A música electrónica é um termo normalmente usado para a música criada com equipamento electrónico. Todos os sons produzidos através de sinais pode ser apelidada de electrónica, e esse termo é em muitos casos usado de essa forma. Existe uma enorme discussão sobre esse conceito, uma vez que é usual a utilização de equipamento amplificador, mesmo em instrumentos acústicos. Assim sendo, géneros como a folk ou jazz (só para exemplificar), podem assim ser considerados como electrónica. No entanto, o termo “electrónico” tem sido usado, tanto por uma questão de marketing quer por questões de simples estratificação de conceitos, como sendo música criada maioritariamente criada por componentes electrónicos, como sintetizadores, samplers, computadores, etc.. Teoricamente, a música pode incluir outros tipos de instrumentos.

Curiosamente, o aparelho que é considerado como sendo o primeiro instrumento musical electrónico é o Teleharmonium ou, Telharmonium, desenvolvido por Thaddeus Cahill em 1897. Esse instrumento tinha um pequeno inconveniente (pelo menos…), pesava cerca de 7 toneladas, na sua primeira versão, e mais de 200 (!) na última. Seguramente, não deveria ser muito prático para transportar… O primeiro instrumento electrónico transportável e prático de usar, foi o Theremin, inventado pelo professor Leon Theremin, em meados de 1920. Um outro instrumento, o Ondes Martenot, foi usado na Turangalila Symphony por Olivier Messiaen.