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quarta-feira, abril 27, 2011

Discografia Imprescendível 022 - Univers Zero- Heresie (1979)

Os Univers Zero ficaram associados ao estilo “música de câmara gótica” com o seu segundo longa duração, Heresie, de 1979. Contudo, essa classificação, não poderia ser mais enganadora. Os UZ ganharam notoriedade com a participação no Rock In Oposion (RIO) de Henry Cow. Com uma música que é em simultâneo sombria e sofisticada, os UZ são uma das bandas mais proeminentes do universo avant-garde, usualmente associado ao rock progressivo. Com influências tão díspares como o jazz, o folk europeu e sobretudo as composições modernistas, nomeadamente Stravinsky, os UZ são os indiscutíveis “criadores” do género “chamber rock”.

Em 1973 com Daniel Denis e Claude Deron formaram os Necronomicon, tendo alterdo o seu nome para Univers Zero no ano seguinte. Com a entrada de Michel Berckmans a sonoridade da banda então influenciada pelo “electric jazz” sofreu uma profunda alteração. Em 1977 editaram o seu primeiro longa duração, que viria a ficar conhecido pelo nome 1913, foi composto por Denis e pelo guitarrista Roger Trigaux. Após o lançamento do segundo disco, Heresie, em 79, Trigaux abandonou os UZ, tendo formado os Present.

Ouvir e, executar a música dos UZ é um trabalho árduo, que exige uma concentração quase sobre-humana, que leva o ouvinte ao esgotamento psicológico através de uma amálgama de tensões e de fins ilusórios, numa combinação alquimista de elementos místicos, como a língua inventada utilizada na longa La Faulx, e a utilização de tempos ímpares e sons dissonantes numa estrutura musical que já por si só deveras complexa. Ao contrário da generalidade das bandas, que procuram transmitir um conforto sonoro ao ouvinte, UZ procuram em todos as inflexões sonoras dar um desconforto para provocar tensão e atenção. A música dos UZ é no geral cuidadosamente coreografada, numa série de movimentos quase invisíveis, sendo particularmente evidente na secção rítmica de Dennis no tema Jack the Ripper, onde o diabo anda à solta na escuridão no meio de guinchos atonais entrelaçados no violino de Patrick Hanappier. O resultado assemelhasse a uma mutilação, literal, como se Jack, o Estripador andasse atrás de nós.

Heresie é um disco imperdível sobe todos os pontos de vista, desde a linguagem musical, à visual. O disco para contemplar na escuridão, e mais agora que surgiu no mercado uma nova edição, remasterizada.

Alinhamento:
La Faulx: 25'05
Jack the Ripper: 13'21
Vous Le Suarez En Temps Voulu: 12'53
Chaos Hermétique: 11'51

Ponto de escuta:
La Faulx


Jack The Ripper

quinta-feira, março 18, 2010

Discografia Imprescendível 021 - Klaus Schulze - Irrlicht (1972)

Após a participação nos primeiros discos dos Tangerine Dream e Ash Ra Tempel, Klaus Schulze, então baterista, surge a solo como teclista, sendo considerado actualmente, um dos nomes maiores da música electrónica.

Schulze provem da denominada escola de música electrónica de Berlim que ganhou relevo nos inícios dos anos 70. Schulz tornou-se uma das peças mais significativas do desenvolvimento da música electrónica germânica, nomeadamente, na música de cariz ambiental e espacial. De certa forma, bandas como os Tangerine Dream, Popol Vuh e o próprio Schulze terão contribuído para o surgimento da música New Age.

A sua formação clássica, poderá em parte, justificar as características mais complexas da estrutura musical dos seus trabalhos a solo. Schulze recorre frequentemente, sendo bem evidente no seu primeiro disco Irrlicht, à repetição de frases musicais, apoiadas em crescendos progressivos até atingir o ponto de exaustão. Os sons são adicionados em camadas, flutuando em espiral em redor do ouvinte, intensificando a circularidade da estrutura musical. Ao contrário dos Tangerine Dream, que apresentavam sons como se fossem pinceladas sonoras, por vezes sem ligação entre si, Schulz apresenta uma estrutura mais convencional, onde a melodia segue um caminho delineado, ou seja, segue do ponto A para o B sem extravios de improvisação. Em abono da verdade, a sua música é bastante rígida, bem ao estilo austero germânico, ao contrário dos seus congéneres CAN ou Faust.

Fundamentalmente, a sonoridade de Schulze permite ao ouvinte vogar por um espaço imaginário, em ambientes meditativos, em longas suites sonoras, perfeitas para serem ouvidas numa noite de Inverno.

Ponto de escuta: Satz Gewintter


quinta-feira, outubro 01, 2009

Discografia Imprescendível 020 - Syd Barrett - The Madcap Laughs (1970)

Já muito se falou e escreveu sobre Syd Barrett e a sua obra. Génio, louco, visionário, são alguns dos epítetos que são atribuídos ao músico britânico. Não vou, obviamente, aprofundar muito a questão da genialidade, ou não, de Barrett. As opiniões dividem-se, defendendo alguns que Syd é dos criadores maiores da música pop-rock, afirmando outros que é impossível classificar tão curta obra com tão altos atributos. Na minha modesta opinião, Barrett foi sem duvida um dos mais criativos e sobretudo, dos mais inovadores músicos da cena pop-rock. O seu estilo de composição veio mudar radicalmente a forma como os ouvintes ouviam a música. As suas longas composições baseadas em improvisações sonoras ou, temas com uma carga poética intensa sobre temas nunca antes abordados no panorama musical.

São por demais conhecidos os motivos de saída de Barrett dos seus Pink Floyd. A instabilidade e inconstância de Syd era intolorável, e nem mesmo a solução tipo Beach Boys, em que Barrett comporia os temas e David Gilmour, que entretanto se tinha juntado à formação, resolveu a situação.

Em 1969 a EMI aprovou o pedido de Barrett para gravar o seu primeiro disco a solo, numa nova subsidiária, a Harvest. Os primeiros problemas surgiram com a dificuldade de encontrar alguém que estivesse disposto a produzir o disco. Ninguém acreditava realmente nos rumores que circulavam nos estúdios da EMI de Abby Road, que Syd tinha por hábito partir tudo dentro dos estúdios de gravação. O problema encontrava-se na inconstância de Barrett e no receio que tinham que o projecto fosse cancelado prematuramente. Alguns dos receios vieram a concretizar. Os músicos que participaram nas gravações, incluído Robert Wyatt dos Soft Machine, não conseguiam perceber as ideias de Barrett, e ainda menos acompanha-lo. Cada take era diferente. Syd mudava constantemente as letras, e o tempo das músicas, tendo obrigado a mudar o esquema de gravação. As partes de guitarra e de voz de Barrett eram gravadas primeiro e mais tarde os restantes músicos tentavam completar o resto. Nem sempre isso foi possível. David Gilmour e Roger Waters foram chamados para dar uma ajuda, visto serem das poucas pessoas que sabiam lidar com Syd. Mesmo assim a tarefa não foi fácil e na verdade pouco puderam ajudar. A generalidade dos temas saíram apenas com a voz e guitarra acústica de Syd porque se revelou impossível aos outros músicos compor algo baseada na estrutura base dos temas. Apesar de tudo, o disco contêm alguns temas brilhantes, como por exemplo, Octopus e Golden Hair, se bem que longe da qualidade geral das que foram produzidas com os Floyd.

As fotografias e o grafismo do disco foram mais uma vez realizados pela Hipgnosis de Storm Thorgorson and Aubrey 'Po' Powell. Nessa época, as capas dos discos eram feitas pelas próprias empresas discográficas, sendo pouco comum a atribuição externa de tais trabalhos. Os Beatles e os Pink Floyd foram as primeiras bandas da EMI a terem esse privilégio podendo assim o seu produto destacar-se da generalidade pela qualidade artística oferecida. A fotografia da capa foi tirada no apartamento de Barrett, pouco depois de ter pintado o soalho de madeira. Todos pensaram, ao ver aquela composição cromática, que daria uma boa fotografia para capa de disco.

As reacções não foram muito abonatórias, tendo inclusive passado algo desapercebido da generalidade dos críticos. No entanto, a reacção geral e o número de vendas permitiu partir para a gravação de um segundo disco.


Ponto de escuta:
Octopus

quarta-feira, setembro 16, 2009

Discografia Imprescendível 019 - Valley of the Giants (2004)

Os Valley of the Giants editaram apenas um disco (pelo menos até ao momento). A formação canadiana é na realidade uma super banda, pelo menos é o que usualmente se designam os grupos formados por elementos de outras bandas. Dela fazem parte elementos dos GY!BE, Do Make Say Think, Fly Pan Am, Shalabi Effect e Broken Social Scene entre outros. O disco homónimo de estreia apresenta uma paisagem sonora cinemática, com oito temas, todos eles instrumentais, num registo a que habitualmente apelidamos de post-rock. No entanto, a preocupação com a produção, supera de longe os demais registos que encontramos dentro deste estilo musical. Mas mais importante do que os cuidados colocados na produção musical, é a exploração de emoções e de sentimentos que este disco permite ao ouvinte. Nele podemos percorrer o mundo em diversas sonoridades, desde as “óbvias” norte-americanas, até aos sons do médio - oriente. Cada um dos temas possibilita aos ouvintes efectuar uma viagem diferente, apresentando no entanto, uma coerência ao longo de todo o registo.

Ponto de escuta: Beyond the Valley


terça-feira, junho 16, 2009

Discografia Imprescendível 018 - 35007 - Liquid (2002)

Os 35007 têm no minimo, um nome enigmático. Se virarmos os caracteres ao contrário, pode-se ler a palavra “loose”, ou não. Só muito recentemente conheci esta banda holandesa e, confesso que fiquei bastante surpreendido pelo som produzido por esta formação, nomeadamente dos seus dois últimos trabalhos. Encontrar informações biográficas desta banda não é propriamente fácil, pois segundo se consta, eles são uns “bichos raros” que raramente dão concertos e gravam pouco material. O seu disco de estreia, “Especially for You”, de 1994 e o seu sucessor, “35007”, de 1997, continham algumas vocalizações, fundidas numa música predominantemente instrumental de cariz ambiente trance-groove com um stoner rock bastante pesado.

Em 2002 é editado o terceira longa duração, “Liquid”, porventura o disco mais coeso do grupo que resulta do esforço colectivo de realizar um álbum conceptual. “Liquid” contem somente quatro músicas, interligadas entre si com o intuito de ilustrar o estado fluido e liquido numa forma musical. O resultado é uma extraordinária viagem (diria cinemática) que trespassa todo o álbum. O disco começa com o que é muito provavelmente o melhor tema da banda, “Tsunami”, uma peça de 11 minutos que tem inicio nas profundezas do oceano, com crescendo lento dos sintetizadores, sobe gradualmente até à superfície onde explode com uns riffs de guitarra stoner rock, como as ondas a baterem na praia e, logo de seguida, desvanece, submergindo novamente para as profundezas. “Crystalline” e “Evaporate”, seguem o mesmo caminho, com a rotação rítmica da guitarra baixo a fazer lembrar as paisagens mais psicadélicas. Mas o aspecto mais importante destes dois temas é a continuidade da sensação de fluidez, alternando momentos de tenção com momentos de um certo relaxamento, com o intuito de conduzir para o último tema, o mais longo do disco, “Voyage Automatique”, com os seus 14 minutos de duração. É neste tema que os 35007 explanam da melhor forma o conceito fluidez, num arranjo hipnótico mas sedutivo, onde a metáfora líquido funciona na perfeição.

Ponto de escuta:
Voyage Automatique




Video: Tsunami


sábado, maio 09, 2009

Discografia Imprescendível 017 - Miles Davis; Bitches Brew (1969)

Miles Davis é mais admirado e imitado trompetista de jazz de todos os tempos. A ele se deve a renovação do cool jazz e do hard bop, sendo também o mentor da improvisação modal a partir do revolucionário Kind of Blue, até chegar ao que podemos de apelidar a sua “fase electrónica”. Miles Davis foi dos músicos de jazz a grangear a fama que estava reservada às “estrelas” do rock. Os seus discos são dos mais vendidos dentro do género, rivalizando com alguns artistas pop. Em meados dos anos 60, Davis era conhecido como Mr. Cool, mas a sua linha musical mudou quando abandonou o hard bop para a sua fase mais controversa, em que fundiu o jazz com o rock. Nessa época formou uma banda munida de instrumentos electrificados e usou efeitos sonoros nas suas gravações. As fases de renovação são particularmente notadas na sequência ESP e Miles Smiles, ambos de 66, Sorcerer e Nefertiti, de 67, Miles In The Sky e Filles de Kilimanjaro, de 68. Com In a Silent Way, de 69, surge Wayne Shorter, considerado por muitos como o grande seguidor de Davis na revolução sonora. Nesse trabalho participaram igualmente Dave Holland, guitarra, e John McLaughin, baixo, oriundos do mundo do rock. Anteriormente, em Fillis…, participaram um “tal” Chick Corea, descoberto por Miles, e um senhor que se dava pelo nome Herbie Hanckock… Boa companhia, portanto… O paradoxo sonoro viria em 70 com Bitches Brew. A crítica dividiu-se, achando os mais conservadores que este trabalho era um suicídio artístico. Em Bitches Brew, Davis, amplia as experiencias, rodeando-se de um grupo de músicos incomum, com uma vertente rítmica no mínimo invulgar, três pianistas, um guitarrista, um baixista, três bateristas e um percussionista. E tudo isto ligado à electricidade. Para completar, o trompete de Miles estava ligado a um pedal wah-wah. Miles Davis embrenhou-se num terreno para onde nunca ninguém tinha levado o jazz, conduzindo-o a uma mudança radical que da qual sempre foi muito atrito a falar. Sabe-se que Davis andava na altura muito impressionado com as actuações de Jimi Hendrix e das suas ideias psicadélicas, conduzindo-o a uma série de experiências. O corolário dessas experiências foi uma mescla sonora que possuía elementos percussivos idênticos aos da linguagem do rock. Controverso ou não, Bitches Brew é um marco importante, não só na carreira de Miles Davis, mas sobretudo no próprio jazz e na música de fusão. A sonoridade do jazz e da música moderna já mais viria a ser a mesma depois deste disco, tendo influência várias gerações de músicos.






segunda-feira, abril 06, 2009

Discografia Imprescendível 016 - Current 93; Black Ships ate the Sky (2006)


Black Ships at the Sky é um daqueles discos de David Tibet, aka Current 93, que ninguém fica indiferente. Tem sido um longo caminho percorrido por Tibet, desde Nature Unveiled com os seus drones primitivos, passando pelo folk apocalíptico de Swastikas for Nody, até ao épico orquestral Thunder Perfect Mind, expoente máximo do “maximalismo” sonoro, a sua obra crescia exponencialmente em complexidade, percorrendo os trilhos da complexidade e das ideias ambiciosas. Depois de Thunder Perfect Mind, o número de elementos veio a decrescer e descartando as camadas sonoras. Álbum após álbum o minimalismo musical ganhou consistência, apresentando menos instrumentistas e construções musicais mais simples. Com esta simplicidade, Tibet privilegiou os seus textos e ideias, sendo a música um mero veículo para as transmitir. Soft Black Stars foi o culminar do trilho minimalista onde Tibet pouco mais faz do que declamar poesia acompanhado de piano. Com o sucesso alcançado, Tibet voltou a ganhar confiança para voltar a elaborar mais a composição mas dando ainda mais ênfase na letra.

Black Ships Ate the Sky é um épico ao nível de Thunder Perfect Mind, com um conjunto de músicos novamente alargado. Destes, destacam-se os nomes de Michael Cashmore na guitarra, um colaborador de David Tibet de longa data, que tocou em metade do disco; Bem Chasny (sim, o do Six Organs of Admittance) que tocou na segunda metade do álbum; John Contreras no violoncelo; Antony no piano; William Breeze (dos Coil e dos Psychic Tv) na viola; William Basinski nas electrónicas e Stephen Stapleton na manipulação sonora. Melhor companhia deve ser difícil de se arranjar.

O álbum conta com 21 temas e 75 minutos de duração, mas parece apenas ter 10 ou 15, tal é a intensidade musical do disco. O ouvinte é agarrado logo no primeiro tema, Idumaea, uma velha peça apocalíptica escrita por Charles Wesley, e só volta a respirar após o último folgo inalado por Tibet.

O título, Black Ships ate the Sky, não deixa de ser curioso, mais parecendo ter saído de um romance de Philip K. Dick, mas que com David Tibet, parece ganhar uma aura de misticismo de caris pastoral que pelo meio se transforma num tormento apocalíptico. Baseado num sonho recorrente em que naves negras invadem o céu, na verdade actua com catalítico da chegada do Anti-Cristo e a segunda chegada de Cristo à terra. Apesar do álbum apresentar uma mensagem muito pessoal, a forma como é apresentado e a estrutura individual de cada tema, faz de Black Ships… um objecto acessível e aberto a diversas interpretações. É alias essa (na minha opinião) a grande riqueza do trabalho de Tibet e deste disco. Musicalmente, Tibet assumiu um risco que poucos ousariam correr, ao construir nove versões diferentes de um mesmo tema. Mas verdade seja dita, essa receita funciona e serve de âncora para todo o álbum. Os arranjos, que vão desde os simples sons de guitarra até ás orquestrações mais complexas, a coesão conseguida é única e cativante, deixando o ouvinte constantemente suspenso nas palavras bem como nos sons.
Ponto de escuta:
This Autistic Imperium Is Nihil Reich



This autistic Imperium
With paint and spick and span
Is Nihil Reich
Whilst wine calls meat
My friend at teatime
Wonders at the weight
Of the armies that wait
For Golden Caesar
Have face of Beast
With lips of long love wasted
In Trojan seas
I called God on the phone
Just yesterday and spoke to Breathface
He told me death arises for Bloodface
Doctor without possibilities of crime
(Let's call that "pixie time")
To make light of the shouting in my head
I want to have lunch with the Umbrella Ladies
I want to make love with the Umbrella Ladies
Who inhabit the stealing time
I got this from the night-owl singing
"Policeman, policeman, is there anyone there?"
If the Great Turk eats Empire
Well is that countdown?
Or just Twinkletoes eating his face?
Whilst the wicked incense batters the church
Outside the church
Outside the church walls
Bloodface waits
He is twisting time
And selling sweets to sweethearts
Who have painted mountains for money
They sell their bodies to the Ice Cream Queens
Autistic Imperium
You have arisen as a way of cutting the Centre
Out of this world
Christ made a dance
Which turned into a trance
A thousand pick-axes are stored in Babylon
Destroyer? Nihil Reich?
Empty as the face
I saw when I awake with eyes as big as bugs
God made a nothing of nothing
He called the swans to roost in the ruins
Of fast-food lakes
And I say like Lazarus I arise in time
For tea and toast and judgement
And all that stuff that rests in the land of Jack and Jill

segunda-feira, outubro 20, 2008

Discografia Imprescendível 015 - Fausto; Por Este Rio Acima (1982)


A obra maior de Fausto foi dos primeiros disco de que me lembrei quando criei esta rubrica mas somente agora ganhei coragem para escrever sobre ele. Por ser um dos trabalhos de que mais gosto e devido à sua enorme qualidade musical e poética, tive receio de escrever umas míseras palavras sobre este disco maior da música portuguesa. Por isso optei por esperar e escrever com uma certa dose de humildade pois esta obra assim o merece.


Por Este Rio Acima conseguiu o que até então apenas José Afonso havia conseguido com o álbum Cantigas de Maio, um trabalho radicalmente diferente de tudo o que até então se fizera na música popular portuguesa. A diferença não se encontra somente na música mas também na poesia, bem como no conceito estético que permitiu que a MPP fosse entendida como uma identidade cultural com expressividade variada e não como um modelo formal uniformizado. A narrativa musical e poética assume aqui uma densidade nunca antes experimentada.


Por Este Rio Acima é o primeiro disco da trilogia (inacabada) sobre a diáspora portuguesa, baseando-se nas viagens de Fernão Mendes Pinto relatadas na “Peregrinação”. Mas é mais do que isso. Fausto pega na heroicidade típica dos relatos dos feitos portugueses além-mar, juntando em tons irónicos a miséria, a tristeza e as agruras de um Portugal saído de uma ditadura. Canções como Navegar, Navegar, ou O Barco Vai de Saída, ficaram indelevelmente na memória colectiva, pelo menos dos que têm agora mais de trinta anos. No entanto não podemos esquecer músicas como Porque não Me Vês, Como Um Sonho Acordado e O Que A Vida Me Deu, que deixam marcas profundas no ouvinte e elevam este duplo álbum a uma matiz de excelência.

sábado, setembro 20, 2008

Discografia Imprescendível 014 - Neu!; Neu! (1972)


Neu! era um duo formado por Michael Rother e Klaus Dinger. Ambos tinham em comum tererm pertencido à formação alemã Kraftwerk. Os Neu! criaram um novo tipo de som, baseado num novo conceito de ritmo, algo entre o rock sincopado e música de dança. A sua música era simples, natural, criando paisagens evocativas que se revelavam ser mais estimulantes do que tranquilizantes. As melodias conduziam o ouvinte até a um estado hipnótico. David Bowie e Brian Eno encontram-se entre a legião de fãs deste duo alemão que nos anos 70 elevaram o Krautrock a estatuto maior juntamente com os CAN, Faust e os Kraftwerk. Os Neu! apenas lançaram três discos de estúdio (existe um quarto álbum editado nos anos 90, chamado Neu! 4, que mais valia nunca ter visto a luz do dia!), todos eles excelentes. O menos conseguido dos três é o segundo, de seu nome Neu! 2 (muito original!). O mais apreciado pela critica e pelos admiradores será porventura o terceiro da série, Neu! 75, que como se pode depreender pelo nome, foi lançado em 1975. Este trabalho apresenta-se mais polido e com arranjos mais trabalhados, conseguindo um registo mais equilibrado. No entanto, o primeiro disco continua a ter uma aura especial, de inovação, um anuncio pré-punk do que viria no final da década. Hallogallo que abre o disco é uma referência, não só para o Krautrock, mas também para a história da música em geral. Este álbum hipnótico conta ainda com muitas referências dos Kraftwerk da altura, mas com a ênfase nas guitarras e não nos teclados. Gravado em apenas 4 dias, foi produzido por Conrad Plank, abitual produtor dos CAN. Este é sem duvida um dos melhores trabalhos do início da década de 70…


Hallogallo

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Discografia Imprescindível 12 - It's Hard To Tell Who's Going To Love You The Best; Karen Dalton (1969)

A falta de tempo e a preguiça tem-se apoderado de mim e por esse motivo já há algum tempo não escrevia nesta secção do blogue.
A little bit of rain (não é o caso do dia de hoje que cai chuva a potes) abre o disco It's Hard To Tell Who's Going To Love You The Best, o primeiro disco da cantora folk norte-americana Karen Dalton. Senhora de uma voz única, muitas vezes comparada com Billie Holiday, tocava banjo e guitarra de 12 cordas. Associada ao meio folk de Greenwich Village, colaborou com Fred Neil, Holy Modal Rounders e Bob Dylan. Apesar de ser bem conhecida desde os inícios dos anos 60, apenas em 69 foi editado o seu primeiro disco, infelizmente pouco conhecido, contem alguns dos melhore momentos folk do final dessa década. Músicas como A little bit of rain; Ribbon Bow ou In the evening marcam pela sua força e beleza singular.
Em 1971 foi editado o segundo trabalho de Dalton (e o mais conhecido e o último), In my own time, que foi recentemente re-editado, foi produzido por Bob Dylan, apresenta um disco mais elaborado e trabalhado acusticamente, onde se destaca o clássico When a men loves a woman. Após muitos anos de dependência de drogas e de álcool, Karen Dalton morreu em 1993, deixando poucos trabalhos editados mas de uma qualidade acima da média.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Discografia Imprescindível 11 – Third; Soft Machine (1970)


Os Soft Machine são uma das mais importantes bandas da segunda metade do século XX. Hugh Hopper, Robert Wyatt, Richard Sinclair, Pye Hastings, Richard Coughlan, Kevin Ayers formaram nos anos 60 os Wilde Flowers que viriam a ser conhecidos como alguns dos mais importantes elementos da música progressiva. Sinclair, Hastings and Coughlan vieram mais tarde fundar a banda Caravan, tendo Hopper e Coughlan formado os Soft Machine. Estávamos no ano de 1966. Após um crescente sucesso, em 1970 foi editado o considerado por muitos o melhor disco dos Soft Machine que contava ainda com o lendário Robert Wyatt. Tendo abandonado as canções “simples” como Wyatt afirmou, passando a enveredar por uma maior complexidade musical onde a fusão do rock, do psicadélico e do jazz resultou num dos mais surpreendentes, imaginativos e vanguardistas dos anos 70. The Moon In June composta por Wyatt é constituída por uma melodia delicada, com uma atmosfera melancólica, permanecera como uma das mais importantes para a música moderna.
No ano seguinte foi editado o Volume 4 onde o experimentariam é mais evidente sendo na sua totalidade instrumental. A contribuição de Robert Wyatt é mínima e ainda nesse ano deixa banda para formar os Matching Mole (trata-se de um jogo de palavras que significa Soft Machine em francês).

quarta-feira, agosto 23, 2006

Discografia Imprescindível 10 – Halber Mensch; Einstürzende Neubauten (1985)

Os Einstürzende Neubauten formaram-se em Abril de 1980 em Berlim. Pertencendo ao movimento "dadaísta" musical que tinha como a intenção quebrar todas as convenções musicais e realizar uma verdadeira revolução conceptual na música. O grupo ficou conhecido no meio “underground” por usarem britadeiras, electrodomésticos, facas, serrotes, chapas de metal, ferramentas como instrumentos musicais. Nas apresentações essa parafernália era destruída de maneira catártica pelos membros da banda, promovendo um efeito sonoro único, que aliado ao visual igualmente agressivo dos concertos conferia um resultado ainda mais assustador. Foram catalogados imediatamente por alguns entendidos na matéria como banda industrial, contudo, Blixa Bargeld (que antes já tinha sido coveiro) prefere que a sua música seja chamada de "música contemporânea".
O quarto albúm da banda foi lançado em 1985, Halber Mensch, sendo o primeiro trabalho que traz uma estrutura musical mais clara e variada. Na faixa título, trabalharam em parceria com Nikkolai Weidemann para compor uma obra coral. Este é considerado o disco mais audível da banda até então mas ainda objectos de metal espancados de forma insana por martelos pneumáticos, machados e compressores, distorção de guitarra levada até o limite da dor de ouvido. As letras do disco são marcadas pelas experiências da banda com o uso de drogas (Blixa chegou a declarar na época que nenhuma das letras do disco foi escrita em estado de lucidez). A morte faz-se notar na maioria das canções do disco, a exemplo de Z.N.S (Zentrales Nervensystem), onde Blixa descreve desesperado o efeito de uma "bad trip": "Levante-se/ Vertigens a minha frente dedos gelados/ O que fazer quando acordo a tremer?/ E o quarto está a girar?/ É a dança do S.N.C. (Sistema Nervoso CentralDurante a digressão mundial de "Halber Mensch" conhecem no Japão Sogo Ishi que realiza um documentário que inclui de coreografias da companhia de dança Byakko Sha e Kazuo Ohno.
Video:
Halber Mensch