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terça-feira, janeiro 04, 2011

Melhores concertos de 2010

Não, não vou apresentar a lista de melhores concertos de 2010. Irei somente mencionar alguns, dos que assisti, que achei mais relevantes. Começo por destacar o concerto dos germânicos Faust, que pela primeira vez actuaram em solo português, onde revelaram toda a sua loucura e anarquismo, e que nos conduziram a uma viagem alucinante ao de todo o espectáculo. Podem ver video aqui e aqui.

Em tempos de crise, nem os espectáculos musicais escaparam da má conjuntura económica. Entre festivais cancelados, casos houve em que os promotores fugiram com o dinheiro, e redução de cartazes, aconteceu de tudo um pouco. Em Sines, o Festival de Músicas do Mundo o cartaz foi reduzido para metade, tendo sido cancelados os já habituais concertos de Porto Covo. Destaco os concertos dos Barbez, dos Tinariwen (podem ver video aqui), dos N'Diale - Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio, dos Staff Benda Bilili e dos Wimme.

Ainda no que diz respeito a festivais, de louvar a primeira edição do Festival EntreMuralhas, em Leiria, onde a excelente equipa do Fade In organizou o primeiro festival dedicado à música gótica. Podem ver aqui o video dos Ataraxia

segunda-feira, março 01, 2010

Festival de Músicas do Mundo de Sines: os primeiros nomes

O Festival Músicas do Mundo já tem data marcada, irá decorrer entre os dias 23 e 31 de Julho de 2010. A distribuição dos concertos pelos diferentes palcos na 12.ª edição do FMM é semelhante à dos anos anteriores: três dias em Porto Covo (23 a 25 de Julho), dois dias com concertos no auditório do Centro de Artes de Sines (26 e 27 de Julho) e quatro dias com música nos palcos do Castelo e da Avenida Vasco da Gama (28 a 31 de Julho).

Já são conhecidos dois nomes do cartaz: os britânicos, The Mekons; e o grupo congolês, Staff Benda Bilili.

"O grupo britânico The Mekons nasceu em Leeds em 1977, ao lado de bandas como Gang of Four e Delta 5, no seio do movimento pós-punk. A primeira fase da carreira da banda acompanhou as tendências dominantes da música inglesa e embora tenham tido diversas formações, o coração criativo constituído pelos guitarristas, vocalistas e compositores Jon Langford e Tom Greenhalgh manteve-se intacto desde o início. Em 1985, a banda ganhou uma segunda vida com o lançamento do álbum “Fear and Whiskey”. Já com uma formação que inclua a cantora Sally Timms, a violinista Susie Honeyman, o acordeonista Rico Bell, o baterista Steve Goulding e o multi-instrumentista Lu Edmonds, entre outros, The Mekons aproximaram a sua música das raízes folk inglesas e da country norte-americana, dando início ao que viria a ser designado por alt-country, movimento que, desde os anos 90, tem revelado alguns dos melhores músicos da música alternativa (um deles, Will Oldham, tem aliás uma canção de tributo ao grupo inglês, “For The Mekons et al”). Hoje já com 26 álbuns gravados, o último dos quais “Natural” (2007), um regresso acústico às raízes folclóricas inglesas, o octeto mantém a reputação de uma das melhores bandas do mundo em espectáculos ao vivo, ajudada por um tempero reggae surpreendente em algumas das canções e pelo humor e a veia política que sempre ofereceram substância ao seu repertório. Quando subirem ao palco do Castelo de Sines na noite de 29 de Julho já deverão apresentar canções do seu novo disco, a lançar nos próximos meses".



"Vencedor do melhor disco de world music de 2009 em várias publicações, o grupo congolês Staff Benda Bilili actua no Castelo de Sines, na noite de 31 de Julho. Um dos maiores casos de sucesso das músicas do mundo no último ano e uma das maiores revelações da música africana da última década, o grupo Staff Benda Bilili nasceu no jardim zoológico de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, formado por músicos paraplégicos, vítimas de poliomielite em crianças, que dormiam e ganhavam a sua vida na rua cantando e tocando para os transeuntes. O seu álbum de estreia, “ Très Très Fort” (Crammed), gravado no zoo de Kinshasa por Vincent Kenis, produtor de Konono n.º 1, Kasaï Allstars e de toda a série Congotronics, chegou ao 1.º lugar da World Music Charts Europe em Maio de 2009, foi considerado o melhor do ano pela bíblia do género, a revista fRoots, e foi eleito o melhor álbum de “world music” de 2009 pela Mojo, uma das mais consagradas revistas de música popular. A digressão europeia que se seguiu ao lançamento do disco mereceu críticas elogiosas em publicações de referência de todo o continente, incluindo The Guardian, The Independent e NME. Musicalmente, Staff Benda Bilili é uma mistura tipicamente congolesa de ritmos tradicionais, funk e a versão local da rumba. Os músicos cantam, dançam e tocam em guitarras e instrumentos criados pelos próprios com os objectos que encontram na rua. As letras falam da doença que os colocou em cadeiras de rodas, mas sobretudo do que acontece à sua volta, as histórias das crianças sem-abrigo e dos refugiados da guerra, e são assumidas como verdadeiras crónicas da vida da capital congolesa. O prémio Womex, normalmente só entregue a músicos no final de uma longa carreira, foi-lhes atribuído em 2009 em reconhecimento do seu exemplo extraordinário de dedicação à música".