Mostrar mensagens com a etiqueta Pink Floyd. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pink Floyd. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, outubro 25, 2011

Pink Floyd e Frank Zappa ao vivo 42 anos depois



O duplo álbum dos Pink Floyd, Ummagumma, foi editado faz 42 anos. Não sendo um dos trabalhos de referência da banda inglesa, o disco obteve um considerável sucesso comercial (nomeadamente na Grã-Bretanha) e permitiu consolidar a reputação underground e experimental da formação.


No mesmo dia em que Ummagumma foi editado, Frank Zappa, um dos mais criativos e inventivos músicos do século XX tocou com os Floyd em Amougies .


Os Pink Floyd encontravam-se ainda em fase de procura de um rumo sonoro após a saída de Syd Barrett. More alcançou um relativo sucesso na Europa, mostrando uma faceta nova da banda, mais folk e acústico. Após a saída desse álbum, a banda começou a preparação do seu novo disco que se viria a chamar Ummagumma, que na gíria de Cambridge significa relação sexual. Dificilmente se poderá designar este disco com um disco normal da banda, pois ele é constituído por duas partes, uma ao vivo e a segunda de estúdio, constituído por temas compostos individualmente por cada elemento da formação. Segundo se consta a ideia partiu do teclista Richard Wright. O disco ao vivo foi gravado nos concertos em The Mother’s Club in Birmingham, no dia 27 de Abril e no Manchester College of Commerce, no dia 2 de Maio de 69. Curiosamente, nos créditos, constam que foram gravados no mês de Junho, que não corresponde à realidade. Interstellar Overdrive fazia parte dos planos de edição, mas não chegou a ser editada. Dois motivos são apontados: direitos de autor, uma vez que o tema foi composto por Syd Barrett, o que não deixa de ser estranho, uma vez que Astronomy Domine, igualmente composto por ele fez parte da edição; o outro, e mais provável, uma má qualidade de gravação tendo sido dada a alguns amigos, nomeadamente a John Peel. Careful With That Axe Eugene era um tema original, que mais tarde foi reutilizado na banda sonora de Zabriskie Point, de Antonioni, tendo surgido igualmente, numa versão de estúdio, em Relics, uma colectânea editada em 71. Os outros dois temas são A Saucerful Of Secrets e Set the Controls For The Heart of The Sun, ambas dos suegundo álbum de originais da banda. Os Pink Floyd monstravam finalmente em disco porque eram uma das melhores bandas em concerto nos anos sessenta.

O disco de estúdio foi produzido por Norman Smith, e na opinião de David Gilmour, foi mal gravado, tendo a banda inclusive pensado em refazer a gravação. A ideia consistia na realização de experiencias individuais, tendo cada membro a responsabilidade de compor um tema. Sysyphus, da autoria de Richard Wright marca o início da viagem pelo experimentalismo sonoro, onde o teclista aproveita para desenvolver uma estrutura musical complexa e orquestral em camadas sonoras. A Roger Waters coube o segundo tema, que dividiu em dois. Grantchester meadows, um tema folk pastoril, denota características de More, para depois instalar a confusão sensorial com a muito humorística (bem ao género do sentido de humor apurado de Waters), Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict. Durante muitos anos, este tema deteve o recorde de a música com o título mais longo. Waters desenvolve as suas experiencias com a manipulação sonora, conseguindo algo original para a produção musical. O tema parece um longo discurso de Hitler aos insectos, mas pelo meio encontra-se uma frase de Gilmour que diz: “This is pretty avant gard, isn’t it?” Para ouvir tal mensagem é necessário por o disco a rodar a metade da velocidade. Confesso que nunca me dei ao trabalho de realizar tal experiência. O tema de Gilmour, é por sinal o menos interessante dos quatro, o que faz jus à sua inexperiência à época de compor música. The Narrow Way tem igualmente duas partes, a primeira mais folk e a segunda mais eléctrica. Nick Mason, que por sinal também nunca foi grande compositor, apresentou em The Grand Vizier’s Garden Party, manipulações electrónicas e percussão, com algumas partes de flauta pelo meio.
O design da capa foi mais uma vez entregue à equipa de Storm Thorgerson, sendo constituída por quatro fotografias, uma dentro da outra, estando em cada uma delas, um dos músicos sentado num banco enquanto os outros elementos faziam poses diferentes ao fundo. Na versão europeia surge igualmente a capa da banda sonora do filme Gigi, de 1958, com a actriz Leslie Caron, mas que foi retirada da versão norte-americana devido a problemas de direitos de autor. A fotografia da contra capa foi tirada em Biggin Hill, em Kent, e para além do equipamento da banda e de dois roadies, Pete Watts e Alan Stiles, sim, o Alan que surge em Alan’s Psychedelic Breakfast.

Ummagumma foi acusado de ser um objecto pretensioso, demonstrando uma ambição exagerada, não mostrando uma coerência nem um caminho a seguir. Acho que nunca esteve na mente dos Floyd nesses tempos, seguir um caminho único, preferindo realizar novas experiências a cada novo trabalho. Foi assim até ao Dark Side of the Moon. Depois, é a história que já todos conhecemos…


Parte deste texto foi escrito em 25 de Outubro de 2009 e publicado em Sons de Musica.




Frank Zappa com Pink Floyd Interstellar Overdrive

segunda-feira, setembro 26, 2011

E no entanto, eles voam...

PIGS CAN FLY from HEYLUKE on Vimeo.



Londres acordou hoje com um porco a pairar sobre as suas cabeças. No âmbito do lançamento de toda a discografia dos Pink Floyd, e mais algumas coisas inéditas, a EMI lançou o famoso porco floydiano, o descendente do Algie, o porco original que voou sobre a Battersea Power Station 35 anos atrás, e que foi abatido após ter fugido...

Para mais pormenores das novas edições podem consultutar a página oficial dos PF.


domingo, julho 03, 2011

Sons da Casa #010



Setlist:

Pontiak.Part III.
Pontiak.Part IV.
Psychic Ills.Second Sight.
Om.Pilgrimage.
Pink Floyd.Set The Controls For The Heart Of The Sun.
Guapo.Five Suns (part 1).
Arbouretum.When Delivery Comes.
Colour Haze.Tempel Tempel.
The Book Of Knots.Drosophila Melanogaster.

quinta-feira, maio 12, 2011

Welcome to the machine, os Pink Floyd re-editam tudo e mais alguma coisa

Os Pink Floyd e a editora EMI chegaram a acordo para lançar a discografia completa e mais uma série de raridades e de parafernália, que incluem edições que vão desde o tradicional vinil, ao Blu-ray, passando por iPhone e outros formatos digitais, a partir de 26 de Setembro. O lançamento será em 3 fases e em 3 versões: Discovery, Experience e Immersion. Ou seja, existem edições para todos os gostos; para quem quer descobrir a carreira da banda até ao mais fanático dos fãs. Podem consultar todas as variantes e formas de edição na página Neptune Pink Floyd.

Verdade seja dita, que a generalidade das "raridades" há muito circulam pela internet, como sejam as versões alternativas de alguns temas e os videos. A execção é a inclusão dos 3 músicas realizadas no âmbito do projecto nunca concretizado, Household Objects. Depois do enorme sucesso que foi Dark Side of the Moon, os Floyd encontravam-se no dilema o que fazer a seguir. A banda queria proseguir as experiencias sonoras, construindo um disco inteiro sem um único instrumento musical. A ideia era utilizar todo o tipo de objectos que existem dentro de uma casa. Em finais de 1973, os Floyd entrarm em estudio para iniciar as gravações, tendo completado 3 temas, mas as dificuldades técnicas da altura e os resutados considerados pouco satisfatórios, levaram a banda a abandonar o projecto. No entanto, alguns desses sons foram utilizados em diversos temas de Wish You Where Here.

Não deixa de ser curioso a capacidade que a banda tem de fazer dinheiro, mesmo não tendo nada de realmente novo para oferecer, explorando até ao limite o legado e o peso do próprio nome. Como Nick Mason recordou, não existe muito material para além do já editado, pelo que esta será provavelmente, e em tempos em a era internet dificulta cada vez mais a vida aos lançamentos físicos, a última oportunidade de fazer um lançamento com boa qualidade de todo o catalogo da banda. Não é por nada que Waters, Gilmour e Mason fazem parte da lista dos 50 músicos mais ricos segundo o jornal Sunday Times. Roger Waters disse um dia que após o sucesso de Dark Side of The Moon, quando o dinheiro começou a entrar em grande quantidade, começou a questionar toda a sua filosofia socialista...


terça-feira, março 22, 2011

O Muro caiu no Pavilhão Atlântico pelas mãos de Roger Waters

Sim, o concerto teve a bonecada insuflável, sim, o concerto teve o avião a despenhar-se contra o muro, sim o concerto teve o porco (não era cor-de-rosa) a planar sobre o público. Sim, o concerto teve explosões a rodos. Roger Waters trouxe toda a parafernália associada aos Pink Floyd e ao original The Wall. Está tudo lá. A música também! Felizmente. Afinal de contas é disso que se trata, embora por vezes tal não parece, diluída que fica no meio de tanto aparato pirotécnico, de luz e de imagem. Sendo um espectáculo visualmente deslumbrante, em algumas situações peca por excesso e, muito honestamente, prefiro a versão mais soft dos anos 80, com menos informação visual e mais emoção auditiva.

Por falar em emoção, foram vários os momentos que conseguiram levar o publico ao êxtase. As tradicionais Another Brick in the Wall, parte 2, Run Like Hell e Comfotably Numb fizeram as delícias dos fãs incondicionais que esperaram 30 anos para ver esta coisa ao vivo. Destaco, pelo lado positivo, a magnifica versão de Mother em que Waters faz um dueto com ele próprio (!), com um intervalo de 30 anos. Com projecção de um vídeo da época do The Wall original, Waters em 2011 e Waters em 1981 cantam em conjunto um dos temas mais emblemáticos do duplo álbum dos Pink Floyd. Pela negativa, destaco o pior solo de guitarra do tema Comfortably Numb que já ouvi, com o guitarrista a manear-se em cima do muro, a abanar a longa melena enquanto assassina um dos mais belos solos escritos por David Gilmour. Volta Gilmour, estás perdoado. Felizmente, no DVD, que irá sair (aposto) lá para as alturas do natal, surgirá o lendário guitarrista dos Floyd que tocará em Londres, em vez deste senhor saído de uma pseudo banda de heavy-metal de garagem.

30 Anos passados sobre o original de The Wall, a nova versão revista e actualizada dispara em todos os sentidos. E continua a fazer sentido. Cada vez mais, diria. Da política à economia, passando pela religião, nada escapa à ira de Waters sobre o estado actual da sociedade. Com referências explícitas a marcas e a ideologias, Waters conduz e manipula magistralmente a audiência em delírio que grita efusivamente as palavras de ordem vindas do palco, qual Adolf e Goebbels em Nuremberg. Não deixa de ser curioso que Waters escreveu uma obra sobre a alienação das massas, sobre o controlo social, político e religioso, onde abertamente expressa a sua abominação sobre todo e qualquer tipo de sistema social organizado e utiliza tudo isso para conduzir e manipular a audiência para onde ele quer e como ele quer. Não deixa igualmente de ser curioso o facto de que Waters ganha uns quantos milhares de tostões a criticar o velho sistema capitalista… É a vida… Mas não se deixem enganar pelas minhas palvras, isto é um grande, grande espectáculo...

E já agora, sim, o muro cai no final do concerto….

Video Mother, ao vivo em United Center, Chicago em 2010


Video The Trial, ao vivo em United Center, Chicago em 2010

sexta-feira, julho 16, 2010

Roger Waters e David Gilmour, juntos e ao vivo

David Gilmour e Roger Waters reuniram-se no passado dia 10 para tocar no Hoping Foudation Benefit Evening. Inicialmente estava previsto tocarem três temas, mas graças à insistência do público, Waters e Gilmour acederam tocar mais um tema. Podem ver fotografias no site de Polly Samson. Aparentemente a relação entre os dois tem vindo a melhorar, e a prova disso é o anúncio de que Gilmour irá actuar num dos concertos da nova digressão de The Wall onde irá tocar Comfortably Numb.

Para quem andou distraído e não conseguiu comprar bilhete para o concerto de Lisboa, que já esgotou, Waters anunciou a realização de um segundo concerto no Pavilhão Atlântico.

Por falar em The Wall, o eterno rumor do lançamento do DVD da digressão original dos Pink Floyd volta à baila. Desta feita a notícia do possível lançamento filme surgiu no Illinois Times, numa entrevista Michael Lennon, vocalista convidado para a nova digressão, em que afirmou ter estado com Waters a ver um DVD da digressão original. Infelizmente, isso não significa que os Floyd irão editar o tão famigerado filme.

quarta-feira, julho 14, 2010

Flaming Lips querem trabalhar com Roger Waters... ou talvez não...

Depois dos Flaming Lips terem reinterpretado o Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd, o vocalista Wayne Coyne afirmou que gostaria de ter a oportunidade de trabalhar com Roger Waters. Com o habitual sentido de humor, Coyne disse à BBC 6 “Roger Waters will turn up and say, ‘You know, I don’t play with Pink Floyd anymore; would you mind if I sat in?’”, finalizando com “probably want to punch us!”

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Uma Viagem pelos Blues #1 - Pink Anderson, That's No Way To Do It

Pink Anderson nasceu a 12 de Outubro de 1900 em Lawrence, na Carolina do Sul. Em 1914 juntou-se a Dr. Kerr da “Indian Remedy Company” para entreteter as multidões. Anderson cantava, dançava e contava anedotas enquanto Kerr vendia uma mistela com supostas qualidades medicinais. Dois anos mais tarde, Anderson conheceu Simmie Dooley em Spartanburg, com quem aprendeu a cantar “blues” e com quem tocava em espectáculos não organizados. Pink Anderson apenas gravou alguns temas nos anos 60 e em 63 chegou a entrar no filme The Bluesmen.

No entanto, não deixa de ser curioso que a sua relativa fama adevem de Syd Barrett ter utilizado parte do nome do cantor norte-americano à banda britânia Pink Floyd.

Ponto de escuta: That's No Way To Do It



quarta-feira, dezembro 23, 2009

The Flaming Lips recriam Dark Side of The Moon

Já se encontra disponivel para download no iTunes, a recriação dos Flaming Lips do clássico dos Pink Floyd, The Dark Side of the Moon.

Ponto de escuta: Money

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Um livro é sempre uma boa prenda de Natal #2

All That You Touch, é o primeiro livro de Symon Vegro, patrono da Fundação Syd Barrett. O livro descreve a experiência pessoal de Vegro de como um músico e uma banda pode alterar a vida de pessoa. Mais do que mais um relato sobre Syd Barrett e os Pink Floyd, Vegro aborda as suas vivências e o seu crescimento através da audição de uma das criativas britânicas. As receitas do livro revertem para a fundação que dirige. O design do livro ficou a cargo de Storm Thorgerson, como não poderia deixar de ser. A imagem da capa esteve para ser usada na capa de um dos discos dos Floyd, mas foi descartada até este momento.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Um livro é sempre uma boa prenda de Natal #1

The Art of Classic Rock: Memorabilia, Tour Posters and Merchandise from the 70s and 80s é o mais recente livro editado por Rob Roth. O livro com 256 páginas contém 750 fotografias a cores de "artwork" de bandas, concertos e posters. Cada capítulo é dedicado a uma banda, sendo retratados grupos como os Rolling Stones, Queen, Pink Floyd, The Who, Led Zeppelin, entre outros. Roth coleccionou durante 40 anos tudo o que encontrava sobre estas bandas, sendo alguns objectos aqui representados bastante raros.

segunda-feira, novembro 30, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 8


O The Wall faz hoje 30 anos e como já referi no primeiro artigo que escrevi sobre os trinta anos do disco dos Pink Floyd, não é dos meus preferidos da banda. O The Wall foi, a par do The Final Cut, o primeiro contacto que tive com a banda, tendo a sonoridade e a história marcada a minha juventude. No final dos anos 70, o movimento punk com as suas músicas de 3 minutos, abalou os alicerces do rock progressivo, e já praticamente já ninguém ouvia as longas suites de 20 minutos. As rádios optavam por passar músicas curtas e de fácil audição, descartando as velhas bandas progressivas e psicadélicas. A recessão económica, o desemprego, as tenções sociais e inicio da governação de Tatcher, conduziram a um afastamento dos ouvintes das musicas ditas progressivas com os seus contos de castelos encantados e de duendes enfeitiçados, os jovens procuravam melodias mais simples, rápidas e politicamente activas. Das bandas progressivas (confesso que tenho alguma dificuldade em incluir os Floyd nesse grupo), os Floyd foram das poucas formações que apresentaram músicas de cariz social e político. Com o álbum Animals, 1977, os Pink Floyd desceram à arena com um disco profundamente político e violento baseado no Triunfo dos Porcos de Orwell, numa altura em que seria confortável apresentar melodias de cariz espiritual. Os Floyd, pela caneta de Waters, foram mais virulentos do que nunca, apresentando uma visão negra e sem esperança da sociedade, caracterizada de forma animalesca. No entanto, Animals é um disco difícil de ouvir, com músicas longas e estruturadas. O The Wall é aprofundamento da história de Animals.

É do conhecimento geral que Waters teve a ideia de realizar o The Wall durante a digressão In The Flesh?, que promovia o Animals, quando cuspiu um fã que não parava de gritar. O distanciamento entre a banda e o público crescia na mesma proporção do aumento das vendas dos discos. Os Floyd passaram dos pequenos concertos no clube UFO para os grandes estádios. O Dark Side of The Moon tornou-se um fenómeno de vendas catapultando a banda para espectáculos necessariamente maiores e elaborados. O público era agora uma massa amorfa e distante, e a música, no meio de tudo isto, encontrava-se em segundo plano. Waters imaginou o bombardeamento da assistência, e esse momento de catarse deixou marcas profundas na sua mente.

Em 78 Waters apresentou aos restantes colegas dois projectos, um que foi rejeitado e que viria a tornar-se no seu primeiro disco a solo, The Pros and Cons of Hitch Hicking, e o que viria a ser o The Wall. Waters partiu dos traumas de infância, a morte do seu pai na segunda guerra mundial e a escola autoritária, e os problemas vividos na sua carreira musical. Pelo meio, voltou ao tema principal de Animals e desenvolveu-o. Ao contrário do que muita boa gente afirmou ao longo dos últimos trinta anos, o The Wall não é uma história biográfica de Waters, bem pelo contrário. Segundo o mesmo, muitos elementos da história foram inspirados em acontecimentos vividos por outras pessoas, nomeadamente, Syd Barrett, sem dúvida uma grande fonte de inspiração. A sua mãe, recentemente falecida, embora protectora, não era na realidade como Waters a caracterizou. E quanto à escola, Waters afirma ter tido bons professores, que o incentivaram no percurso das artes, nomeadamente, no caminho da arquitectura. Contudo, Waters sentia que a escola, de uma forma geral, era repressora e que limitava a liberdade das crianças. A principal fonte de inspiração para a construção da história, a partir de um conto de Jean Paul Satre, O Muro, e das suas personagens. O resto da história advém das contingências vividas na sua carreira musical, as digressões, o afastamento da família, a necessidade de produzir e de vender cada vez mais. O isolamento aumenta, e numa reacção de auto-preservação, Waters ergue um muro (simbólico) de protecção da sua personalidade. Com os acontecimentos sucedidos durante a última digressão, Waters vê-se como mestre de cerimónias, Goebels em pessoa, a comandar uma horda de fascistas, numa alusão directa aos perigos reais do retorno das ideologias ditatoriais e os problemas sociais vividos no Reino Unido com o governo conservador de Thatcher. No epílogo, o muro é destruído e finalmente Waters pode expor os seus sentimentos.

O The Wall representa a loucura, a morte, o fim de uma era e o fim de uma banda. Este foi o último dos grandes álbuns conceptuais. Depois deste, nenhum outro disco conceptual alcançou tanto sucesso. As finanças da banda em 77 não estavam no seu melhor. No ano anterior, a banda envolveu-se em negócios de alto risco com a Norton Warburg Group que se tornaram seus agentes, com o objectivo de reduzir a carga fiscal no Reino Unido. Contudo, a banda perdia dinheiro com o negócio, em parte devido a esquemas fraudulentos da NWG. Os Floyd viriam a processar o grupo que viria a falir na década de 80. O meio musical virou-se para produtos de consumo rápido e os Pink Floyd precisavam urgentemente de ganhar dinheiro. Waters e companhia sabiam disso e contrataram Bob Ezrin, por sugestão da namorada de Waters, Carolyne Christie, que era secretária de Ezrin. Bob Ezrin produzira anteriormente álbuns para Alice Cooper, o Berlin de Lou Reed e Destroyer de Peter Gabriel, trazia consigo a visão comercial para transformar o disco num sucesso de vendas. Ao contratar Ezrin, Waters pensava que o podia controlar facilmente e impor assim as suas ideias, mas Bob desde inicio teve a habilidade de contornar as ideias de Waters. O sucesso comercial de Another Brick in The Wall em muito se deve à visão de Ezrin, tendo ainda colaborado na composição de The Trial. Os conflitos entre Waters e Ezrin, bem como com os restantes membros da formação, foram muitos, tendo Bob afirmado que foi das experiencias mais traumáticas que teve. Ezrin não voltaria a trabalhar com Waters, mas co-produziu o segundo disco a solo de David Gilmour bem como os álbuns dos Floyd pós Waters.

A capa e o grafismo assumem um design minimalista, sendo constituído por um desenho de uma parede, sem logótipo nem o nome da banda. A concepção gráfica ficou a cargo de Gerald Scarfe, cartoonista político. Foi o primeiro disco dos Floyd que não teve a colaboração de Storm Thorgerson e da Hipgnosis, devido a disputas com Waters sobre autoria do conceito da capa do álbum Animals.

Apesar de o duplo álbum representar um marco na carreira dos Pink Floyd, sendo um dos mais vendidos da banda, e sendo uma referência inequívoca na cena musical a nível mundial, o The Wall não é dos trabalhos mais bem aceites pelos fãs dos Floyd. Muitos vêm o disco como uma concessão da banda ao mercado, com as suas músicas curtas e com melodias mais comerciais do que as dos álbuns anteriores. Em abono da verdade, The Wall apresenta um punhado de boas ideias, mas que infelizmente não foram suficientemente bem desenvolvidas, devido em parte à extensão da história em si e às pressões vindas da esitora. Por ainda estarmos no tempo do vinil, e por ser difícil convencer a editora a produzir um triplo álbum (já era difícil produzir um duplo), as ideias foram simplificadas ao máximo. No entanto, o trabalho de produção e a brilhante engenharia sonora a cargo de James Guthrie, converte o disco num dos melhores produtos da banda. Apesar da relutância de Waters, são extraídos vários singles do disco, tendo Another Brick in The Wall atingido o primeiro lugar de vendas em diversos países. Era o regresso dos Pink Floyd aos singles, algo que já não acontecia há muitos anos, e aos quais, os Floyd nunca estiveram muito à vontade. A canção chegou a ser proibida na África do Sul, porque os estudantes negros a adoptaram como hino do seu boicote ao sistema. Nos anos 70, durante apartheid, a educação de cada criança negra – que a preparava não para a universidade, mas aos trabalhos braçais – custava ao Estado apenas um décimo de cada criança branca. Na época, estava em vigor a política da “Educação Bantu” (criada em 1953), a qual impunha: o Afrikaans como a língua de educação para os negros, escolas separadas, salas de aulas superlotadas e professores com péssima formação. A letra dá voz aos estudantes que dizem não precisar de educação (no caso, aquele tipo de educação a que estavam sujeitos) e de nenhum controle de pensamento. O tema foi igualmente proibido no Reino Unido pelo governo de Margaret Thatcher, tendo Waters afirmado que tal acto constituia uma “verdadeira afronta à postura hipócrita da moral e da sociopolítica da Coroa Inglesa”.

Apesar do sucesso comercial de Another Brick in The Wall, Comfortably Numb é apontado como o melhor tema do álbum, sendo o solo de guitarra de Gilmour como um dos melhores de sempr. Comfortably Numb representa a catarse final da banda, mostrando em última analise que o resultado da colaboração entre os membros da banda (neste caso Gilmour e Waters) é melhor do que o resultado do esforços individuais. Rick Wright que se debatia com uma depressão devido ao processo de divorcio e à má situação financeira em que se encontrava, acaba por ser despedido a meio das gravações. Wright gravava as suas seções sozinho e raramente se encontrava com os restantes membros, tendo chegado a recusar a interropção das suas férias para voltar ao estudio devido a atrasos nas gravações. Todos os elementos da equipa estavam saturados desse comportamento, e mesmo Gilmour, que inicialmente o protegeu, via-se agora impelido a despedir Wright. Este processo foi abafado da imprenssa, com o objectivo de proteger Wright, tendo sido posteriormente contratado como músico para a digressão, sendo o único que ganhou algum dinheiro na saga The Wall.

The wall representa o fim de uma era, a dos discos conceptuais, um marco na música anglo-saxónica, na carreira dos Pink Floyd e o seu fim e da. The Wall representa a loucura em toda a sua extenção. A loucura pessoal, a política, a social e a económica. Em algumas destas partes (ou em todas), todos nós nos revimos, e essa a força que The Wall tem: todos nos identificamos com Pink, a personagem atormentada da história. Os responsáveis da editora não ficaram entusiasmados com o disco, tendo ficado, no entanto, mais agradados com o resultado das vendas. O disco foi criticado por todos os sectores da sociedade, mas todos compravam o disco e conheciam as letras das músicas. A direita considerava que a mensagem constituía uma ameaça à sociedade, acusando-o de ser propaganda de esquerda, a esquerda, sobretudo pela mão dos elementos da juventude comunista, acusava Waters e o seu disco, de ser um manifesto reaccionário da pequena burguesia. Seja qual for a interpretação que cada um faça, The Wall representa o testemunho pessoal, de um individuo atormentado e com o qual muitos se identificam. Mas não foi isso que os Floyd sempre apresentaram nos seus discos?...

quarta-feira, novembro 18, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 7

A digressão de The Wall foi uma das mais elaboradas de sempre, tendo ainda antes do primeiro concerto, sido gasto cerca de um milhão e meio de dólares. O espectáculo é ainda hoje considerado como um marco na história da música. Curiosamente, o espectáculo em si celebrava os sentimentos de um músico contra este tipo de concertos, onde o isolamento e o distanciamento com a audiência conduziram o autor a uma paranóia de proporções épicas. O concerto em si funcionou como uma espécie de catarse onde Waters isolado atrás do muro que construiu evoca os fantasmas que o atormentava.

Somente quatro cidades receberam a digressão, Los Angels, Nova Iorque, Dortmund e Londres. Os custos eram demasiado elevados por isso a banda optou por realizar vários concertos em cada cidade, de modo a minimizar os custos da montagem do concerto. Os concertos em Earl’s Court foram filmados com o intuito de serem integrados no filme idealizado por Waters. A ideia veio a ser abandonada, uma vez que os directores da EMI não compreenderam o conceito, e porque a qualidade da imagem não era suficientemente boa para ser utilizada em projecção de grande formato, devido à má escolha de lentes. Existem várias versões não oficiais dessas filmagens a circular em VHS e na internet, e todos os anos se especula sobre a edição oficial em DVD. No entanto, e ao que tudo indica, ainda não será este ano que tal edição verá a luz do dia, e as contraditórias declarações de Waters ao longo dos últimos anos, umas vezes afirma que as filmagens estão perdidas, outras vezes afirma que se encontra a trabalhar na sua edição, adensam ainda mais a especulação. O registo sonoro dos concertos em Earl’s Court foi editado em CD sob o título Is There Anybody Out There?, em 2000

O espectáculo em si apresentou características pouco comuns. A banda simplesmente tocou, na íntegra, o álbum, não apresentando temas de discos anteriores, como é usual nas digressões. Contudo, os espectadores presenciaram um espectáculo diferente de todos os que já tinham assistido, porcos voadores, aviões, bonecos insuflados, projecção de imagens e um muro a dividir a banda dos espectadores. As relações entre os membros banda conheciam momentos difíceis com Waters a afirmar publicamente que este era o seu espectáculo e o seu disco, Gilmour e Mason tentavam encontrar margem de manobra, e Rick Wright, que tinha sido saído da formação, foi o único a ter lucro com a digressão, uma vez que era músico contratado.

Gilmour e Mason tentaram convencer Waters a prolongar a digressão, desta vez para os grandes estádios, tendo sido à banda um milhão de dólares por concerto. Waters não aceitou, afirmando que seria uma hipocrisia realizar concertos em grandes estádios, onde a distância com o público é enorme, tendo em conta que um dos principais temas do espectáculo era esse.

segunda-feira, novembro 16, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 6


Ao falarmos de The Wall temos que incontornavelmente falar sobre a iconografia a ele associado. As imagens criadas por Geral Scarf para o álbum, para os concertos e para o filme fazem parte do imaginário colectivo, sendo reveladores da importância que a imagem têm no meio musical. Julgo que nenhum outro disco gerou tantas imagens que se tornaram numa referência, desde as figuras dos martelos, passando pelo juiz e pela dança das flores. O filme trouxe igualmente mais um punhado de imagens que se tornaram celebres e que o espectador remete de imediato para o disco. Os Floyd ao longo da sua carreira sempre importância à imagem, não só das capas, como também dos concertos, e com naturalidade, naquele que foi o seu mais ambicioso projecto, a imagem foi alvo de cuidado especial.

sexta-feira, novembro 13, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 5

Antes do espectáculo na Broadway e do concerto em Berlim, surgiu o filme The Wall em 1982, derivado directamente do álbum homónimo. Muito se escreveu sobre a longa metragem realizada por Alan Parker e as interpretações e strapolações que se fizeram com a vida de Waters. No entanto, e como o próprio esclareceu em diversas ocasiões, tanto o disco com o filme é inspirado no conto de Jean-Paul Sartre, The Wall.

O filme retrata a construção e demolição de um muro, que metaforicamente representa o sentimento de isolamento e de alienação, mas que deixa em aberto toda uma série de interpretações, nomeadamente de cariz político. Aliás o filme explorou e, sobretudo retratou de forma mais nítida os conflitos sociais que assolavam o Reino Unido na era Tatcher e o perigo real das ditaduras fascistas.

Waters, quando tinha em mente desde o inicio de realizar um filme com base no disco, mais concretamente, seria filmado durante a digressão que a banda iria efectuar para promover o álbum. Contudo, a EMI não deu abalo à pretensão de Waters por compreender o conceito. Alana Parker, realizador de filmes como o Expreeso da Meia Noite e Fama, ambicionava realizar mais um filme musical, desta vez baseado no disco dos Pink Floyd. A ideia de realizar o filme durante a digressão foi abandonada e assim Waters perdia o lugar de ator principal. Bob Geldof viria a assegurar o papel. Geral Scarf, cartoonista político, e que desenhou o genérico a série ingeles, Sim, Senhor Ministro, realizou as sequências de animação, tendo sido utilizadas algumas previamente feitas para os concertos, e desenvolvido outras. No total, são 15 minutos de animação, o que conferiu um aspecto original. Na sua estreia no Festival de Cannes (mostrado fora de competição), a generalidade dos críticos afirmaram estar perante um dos grandes musicais modernos. No entanto, Waters manifestou profundas reservas sobre o filme, dizendo que a rodagem tinha sido uma experiência muito irritante e desagradável, apenas elogiando o desempenho de Geldof e o trabalho do seu amigo Scarfe. Durante a rodagem do filme, Parker esteve frequentemente em desacordo com Waters e Scarf, chegando a afirmar em diversas ocasiões, que foi uma das experiencias mais infelizes das sua carreira.

Depois da ideia original de Waters ter sido descartada, ele sugeriu realizar um filme com uma narrativa mais convencional, e produzindo novas músicas que serviriam de banda sonora. Essa ideia foi igualmente abandonada, tendo sido aproveitada para a gravação do disco seguinte, e último de Waters com os Floyd, o The Final Cut. No filme, alguns temas foram sujeitos a nova gravação, para melhor convir no filme. Hey You foi cortada da versão final por ser considerada demasiada longa e não de comprometer o ritmo do filme, tendo a generalidade das imagens remontadas na sequência Another Brick in The Wall, Parte 3.

Video: Hey You, não incluida na versão final.



Foi igualmente realizado um documentário sobre o filme, The Other Side of The Wall, que retrata o processo criativo e a rodagem do filme, que foi incluido na edição DVD, e que se pode ver mais abaixo. Existe um outro documentário nessa mesma edição, centrada nas ideias de Waters, menos rancuroso com o resultado final do filme, e de Geral Scarf.







sexta-feira, novembro 06, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 3

Existem rumores de que Roger Waters vai realizar uma digressão mundial a tocar o The Wall na integra. Quem o diz é o site Neptune que cita o manager de Waters como fonte. Não esclarece se vai realizar os concertos com todo o aparato ou se limita a tocar os temas do disco com tem feito com o Dark Side of the Moon.

Entretanto, têm saido diversas revistas com o tema dos 30 anos do The Wall. A Classic Rock afirma que editou a primeira revista com capa HD3D, ou seja, uma capa em alta definição e em 3d! Noutras partes do mundo também se celebra a data, nomeadamente na Alemanha, onde a revista Eclipsed (de que nunca ouvi falar) no seu número 116 aborda o tema.

quarta-feira, outubro 28, 2009

The Wall, 30 anos depois, parte 2

Para celebrar os 30 anos de The Wall a revista Mojo, na sua edição de Novembro, traz uma entrevista exclusiva com Roger Waters onde aborda, entre outros temas, o espectáculo na Broadway. Adicionalmente, Mark Blake traça uma resenha detalhada sobre os espectáculos nos idos anos 80 acompanhada de diversas fotografias. A acompanhar o novo número surge o CD, The Wall Re-Built, Disco 1, com 13 temas recriados por diversos músicos, como por exemplo: Sweet Billy Pilgrim, Woodpigeon e The Gentle Good. O segundo volume será editado na edição de Dezembro, que voltará à carga com o tema The Wall e uma artigo sobre o filme de Alan Parker.

domingo, outubro 25, 2009

Ummagumma dos Pink Floyd faz 40 anos

O ano de 1969 foi prolífico para os Pink Floyd, tendo lançado dois álbuns; a banda sonora do filme de Barbet Schroeder e Ummagumma. Os Pink Floyd encontravam-se ainda em fase de procura de um rumo sonoro após a saída de Syd Barrett. More alcançou um relativo sucesso na Europa, mostrando uma faceta nova da banda, mais folk e acústico. Após a saída desse álbum, a banda começou a preparação do seu novo disco que se viria a chamar Ummagumma, que na gíria de Cambridge significa relação sexual. Dificilmente se poderá designar este disco com um disco normal da banda, pois ele é constituído por duas partes, uma ao vivo e a segunda de estúdio, constituído por temas compostos individualmente por cada elemento da formação. Segundo se consta a ideia partiu do teclista Richard Wright. O disco ao vivo foi gravado nos concertos em The Mother’s Club in Birmingham, no dia 27 de Abril e no Manchester College of Commerce, no dia 2 de Maio de 69. Curiosamente, nos créditos, constam que foram gravados no mês de Junho, que não corresponde à realidade. Interstellar Overdrive fazia parte dos planos de edição, mas não chegou a ser editada. Dois motivos são apontados: direitos de autor, uma vez que o tema foi composto por Syd Barrett, o que não deixa de ser estranho, uma vez que Astronomy Domine, igualmente composto por ele fez parte da edição; o outro, e mais provável, uma má qualidade de gravação tendo sido dada a alguns amigos, nomeadamente a John Peel. Careful With That Axe Eugene era um tema original, que mais tarde foi reutilizado na banda sonora de Zabriskie Point, de Antonioni, tendo surgido igualmente, numa versão de estúdio, em Relics, uma colectânea editada em 71. Os outros dois temas são A Saucerful Of Secrets e Set the Controls For The Heart of The Sun, ambas dos suegundo álbum de originais da banda. Os Pink Floyd monstravam finalmente em disco porque eram uma das melhores bandas em concerto nos anos sessenta.

O disco de estúdio foi produzido por Norman Smith, e na opinião de David Gilmour, foi mal gravado, tendo a banda inclusive pensado em refazer a gravação. A ideia consistia na realização de experiencias individuais, tendo cada membro a responsabilidade de compor um tema. Sysyphus, da autoria de Richard Wright marca o início da viagem pelo experimentalismo sonoro, onde o teclista aproveita para desenvolver uma estrutura musical complexa e orquestral em camadas sonoras. A Roger Waters coube o segundo tema, que dividiu em dois. Grantchester meadows, um tema folk pastoril, denota características de More, para depois instalar a confusão sensorial com a muito humorística (bem ao género do sentido de humor apurado de Waters), Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict. Durante muitos anos, este tema deteve o recorde de a música com o título mais longo. Waters desenvolve as suas experiencias com a manipulação sonora, conseguindo algo original para a produção musical. O tema parece um longo discurso de Hitler aos insectos, mas pelo meio encontra-se uma frase de Gilmour que diz: “This is pretty avant gard, isn’t it?” Para ouvir tal mensagem é necessário por o disco a rodar a metade da velocidade. Confesso que nunca me dei ao trabalho de realizar tal experiência. O tema de Gilmour, é por sinal o menos interessante dos quatro, o que faz jus à sua inexperiência à época de compor música. The Narrow Way tem igualmente duas partes, a primeira mais folk e a segunda mais eléctrica. Nick Mason, que por sinal também nunca foi grande compositor, apresentou em The Grand Vizier’s Garden Party, manipulações electrónicas e percussão, com algumas partes de flauta pelo meio.

O design da capa foi mais uma vez entregue à equipa de Storm Thorgerson, sendo constituída por quatro fotografias, uma dentro da outra, estando em cada uma delas, um dos músicos sentado num banco enquanto os outros elementos faziam poses diferentes ao fundo. Na versão europeia surge igualmente a capa da banda sonora do filme Gigi, de 1958, com a actriz Leslie Caron, mas que foi retirada da versão norte-americana devido a problemas de direitos de autor. A fotografia da contra capa foi tirada em Biggin Hill, em Kent, e para além do equipamento da banda e de dois roadies, Pete Watts e Alan Stiles, sim, o Alan que surge em Alan’s Psychedelic Breakfast.

Ummagumma foi acusado de ser um objecto pretensioso, demonstrando uma ambição exagerada, não mostrando uma coerência nem um caminho a seguir. Acho que nunca esteve na mente dos Floyd nesses tempos, seguir um caminho único, preferindo realizar novas experiências a cada novo trabalho. Foi assim até ao Dark Side of the Moon. Depois, é a história que já todos conhecemos…


Ponto de escuta:
Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict


Careful With That Axe Eugene

terça-feira, outubro 20, 2009

The Wall, 30 anos depois

O disco The Wall de Roger Waters, quero dizer, dos Pink Floyd, irá fazer 30 anos no próximo dia 30 de Novembro. Nos próximos dias irei escrever alguns artigos sobre este disco. Mas não se preocupem porque não vão ser muitos. Afinal de contas, este nem é um dos trabalhos dos Floyd que mais aprecio. No entanto, este disco é um dos trabalhos mais importantes na cultura popular dos últimos anos. The Wall é um trabalho de excessos, desde a grandiosidade da produção, dos concertos que foram realizados, passando pela produção de um filme, e até pelos meios publicitários envolvidos, tornaram este álbum, um dos mais marcantes da história musical mundial. The Wall elevou o conceito de “espectáculo” a nível nunca antes visto, e sinceramente, nunca mais alcançado. Mas o ponto fulcral do álbum é sem duvida a história que ele conta. A paranóia, o medo, o isolamento, a loucura e a politica. Nunca nenhum disco até então abordara a politica de forma tão veemente como o The Wall. Curiosamente, o muro de Berlim caiu passados dez anos da edição do The Wall, no dia 9 de Novembro.

Roger Waters, comemorou a queda do muro em Berlim, num grandioso espectáculo transmitido em directo para todo o mundo. Este ano, irá realizar-se na Republica Checa, uma recriação do concerto, com a aprovação de Waters, mas sem a presença de elementos dos Floyd.

Waters ficará na história como o músico que construiu e derrubou muros, e também pelo seu activismo (discreto) político e social. Na sua primeira viagem a Israel não perdeu a oportunidade de graffitar o muro que divide Israel e a Cisjordânia, tendo sido instaurado um processo judicial. Alguns anos mais tarde foi convidado a ser o narrador de um pequeno documentário sobre esse muro, Walled Horizons. O muro tem mais de 400 quilómetros e foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas, mas tudo continua na mesma. Infelizmente este não é o único muro existente no mundo: o de Nicósia, na ilha dividida por cipriotas turcos e gregos, o de Belfast, um no Rio de Janeiro para separar um condomínio de luxo de uma favela, o muro (apoiado por Obama), entre os EUA e o México a propósito da imigração ilegal.


Documentário Walled Horizons
Parte 1


Parte 2

segunda-feira, julho 20, 2009

A Lua...



Faz hoje 40 anos que o homem pisou a Lua pela primeira vez. Um pouco por todo o lado, celebra-se hoje tal facto, que marcou a história da humanidade. Tratou-se indiscutivelmente, do corolário da capacidade do ser humano de superar obstáculos e de realizar um dos seus desejos mais antigos. Esse pequeno astro sem vida sempre alimentou as fantasias e de a imaginação todos os que cruzaram a Terra. Da literatura ao cinema, dos contos populares à música, a Lua esteve sempre presente no acto criativo, servindo de fonte inspirativa a algumas das maiores obras. Na música, a Lua (e o seu lado obscuro…) têm uma presença marcante, transversal a todos os géneros, e, no dia em que o homem a pisou pela primeira vez, a música, contribuiu na celebração do acontecimento. Durante a emissão televisiva da BBC, os Pink Floyd foram tocando em directo, celebrando uma comunhão pouco usual, entre o feito humano, e a formação musical mais espacial. Em abono da verdade, os Floyd, foi a banda que melhor retratou o espaço e as viagens espaciais, e não, não me refiro ao Dark Side Of The Moon. Grande parte das composições dos Floyd nos anos 60, eram verdadeiras viagens sensoriais pelo espaço, tendo a capacidade de nos transportar para outros mundos. Nessa noite tocaram o tema “atmosférico” Moonhead, um tema inédito e, que não viria a ser editado.



Recentemente, David Gilmour escreveu um artigo para o jornal britânico Guardian, sobre a experiência de ter tocado nessa noite, em directo e, em simultâneo com a chegada do homem à Lua.