Six Organs Of Admittance.Hold But Let Go Colin Stetson.The Stars In His Head (Dark Lights Remix) TU.The NOOOSE Arbouretum.Song of the Nile Faust.Lost the Signal Miasma & the Carousel of Headless Horses.The Mage Kevin Ayers.We Did it Again Woven Bones.Grown Crazy Our Broken Garden.Watermark
Não, não vou apresentar a lista de melhores concertos de 2010. Irei somente mencionar alguns, dos que assisti, que achei mais relevantes. Começo por destacar o concerto dos germânicos Faust, que pela primeira vez actuaram em solo português, onde revelaram toda a sua loucura e anarquismo, e que nos conduziram a uma viagem alucinante ao de todo o espectáculo. Podem ver video aqui e aqui.
Em tempos de crise, nem os espectáculos musicais escaparam da má conjuntura económica. Entre festivais cancelados, casos houve em que os promotores fugiram com o dinheiro, e redução de cartazes, aconteceu de tudo um pouco. Em Sines, o Festival de Músicas do Mundo o cartaz foi reduzido para metade, tendo sido cancelados os já habituais concertos de Porto Covo. Destaco os concertos dos Barbez, dos Tinariwen (podem ver video aqui), dos N'Diale - Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio, dos Staff Benda Bilili e dos Wimme.
Ainda no que diz respeito a festivais, de louvar a primeira edição do Festival EntreMuralhas, em Leiria, onde a excelente equipa do Fade In organizou o primeiro festival dedicado à música gótica. Podem ver aqui o video dos Ataraxia
Esta lista dos discos que mais gostei de ouvir ao longo de 2010 é constituída com base na minha (fraca) memória, ou seja, daqui a 2 horas, provavelmente seria completamente diferente…
Kayo Dot – Coyote Neil Young – Le Noise Faust – Faust Is Last Ali Farka Touré & Toumani Diabaté – Ali and Toumani Wyatt Atzmon Stephen - For The Ghosts Within Scout Niblett - The Calcination of Scout Niblett Land Of Kush – Monogamy Paus – É uma água The Black Angels - Phosphene Dream Linda Martini - Casa Ocupada
Velhos são os trapos, parece ser o lema dos germânicos Faust que irão lançar um novo trabalho a 28 de Janeiro de 2011. Depois do lançamento este de Faust is Last, e da digressão europeia que passou por Portugal no dia 6 de Outubro, os Faust vêm confirmar a sua criatividade ao longo de 40 anos. O novo disco será editado pela Bureau B, onde se pode escutar samples de 4 novos temas.
Tracklisting:
01. Tell the Bitch to go Home 02. Herbststimmung 03. Something Dirty 04. Thoughts of the Dead 05. Lost the Signal 06. Je Bouffe 07. Whet 08. Invisible Mending 09. Dampfauslass 1 10. Dampfauslass 2 11. Pythagoras 12. Save the Last One 13. La Sole Dorée
Já por aqui tinha falado da programação do Teatro Maria Matos para Setembro e Outubro. Agora chega a confirmação das datas dos espectáculos.
anbb - Alva Noto & Blixa Bargeld
terça 21 Setembro 22h00 15€ <30 anos 7,5€
Blixa Bargeld, crucial protagonista dos Bad Seeds de Nick Cave durante vinte anos e o ainda eterno pulmão dos Einstürzende Neubauten, submeteu-se à ditadura benigna da electrónica reticular de Carsten Nicolai para criarem juntos uma nova hipótese futurista para a música pop digital, entre a convulsão industrial e as canções de embalar. Um EP (e um álbum em preparação) em que cruzam canções tradicionais americanas com techno eléctrico vão servir de cardápio para o espectáculo no Teatro Maria Matos.
electrónica Carsten Nicolai voz, efeitos Blixa Bargeld
Jóhann Jóhannsson & Iskra String Quartet
terça 28 Setembro 22h00 12€ <30 anos 6€
Figura local preponderante para o incremento das exportações musicais da Islândia na última déc ada, Jóhann Jóhansson tem-se notabilizado por cruzar habilmente a sua veia orquestral clássica com uma noção conceptual muito particular das músicas de vanguarda, obrigando-o a trabalhar compulsivamente para teatro, cinema, documentários e instalações. Fazendo justiça à fama de se acompanhar de músicos de excepção, Jóhannsson terá a companhia em palco de um dos mais conceituados quarteto de cordas contemporâneos.
piano, teclados e computador Jóhann Jóhannsson violino Ivo Stankov violino James Underwood violoncelo Charlotte Rook viola Emma Ownes vídeo Magnus Helgason
Faust
quarta 6 Outubro 22h00 15€ <30 anos 7,5€
"Zappi" e Péron são dois dos membros fundadores que alimentam a mais fiel encarnação dos Faust que podemos hoje testemunhar. Toda a energia e caos organizado com que fundaram o krautrock nos anos 70 continuam a ser meticulosamente expostos em palco, provando a eternidade da sua música e da sua fundamental influência na modernidade do rock nos últimos 40 anos.
baixo, trompete, guitarra acústica, máquinas industriais, voz Jean-Hervé Péron percussão, máquinas industriais Werner "Zappi" Diermaier guitarra eléctrica, percussão James Johnston sintetizador, guitarra eléctrica, piano acústico, voz Geraldine Swayne
Em colaboração com a Galeria Zé dos Bois vai realizar-se um workshop com os Faust Um dia após o concerto no Teatro Maria Matos, os quatro elementos dos Faust visitam a Zé dos Bois para um workshop. Esta sessão é aberta ao público em geral – músicos e não-músicos – que poderá participar enquanto observador ou, mesmo, interagir com a banda. A audiência poderá trazer instrumentos (preferencialmente pequenos, portáteis). O workshop terá início com uma conversa, avançando depois para uma improvisação colectiva.
Quinta, 7 de Outubro das 19h às 22h, na Galeria Zé dos Bois Inscrição: 15€ Inscrições limitadas à lotação da sala
Hauschka 41.º Aniversário Teatro Maria Matos
sexta 22 Outubro 23h30 12€ <30 anos 6€
Hauschka (ou Volker Bertelmann) tem sido sempre sinónimo de concertos intimistas para piano preparado, mas com esta nova obra as suas delicadas composições minimalistas ganham nova dimensão e importância com a interpretação de um ensemble orquestral. Novas cores e dinâmicas mas o mesmo sentimento pós-Satie do passado, agora em partilha única com um grupo de onze músicos portugueses que farão de Foreign landscapes uma peça também nossa.
piano Volker Bertelmann trombones, violino, viola, violoncelos, clarinetes Ensemble Maria Matos
A Playloud! lançou recentemente dois novos filmes, um sobre o festival Klangbadfestival, Klangbad: Avant-garde in the Meadows e outro sobre os Faust no mesmo festival em 2005, Faust: Live at Klangbad Festival. Em simlutânio, a Playloud! reedita pela primeira vez o primeiro e único single editado pela banda, em 1972, restaurado e remasterizado por Hans Joachim Irmler. As duas faixas diferem das versões originais.
O Teatro Maria Matos apresentou ontem as linhas orientadoras da sua programação para 2010/11. o objectivo, segundo o director Mark Deputter, passa por continuar a apostar na criação contemporânea. Na área da música, em Setembro, o Teatro Maria Matos vai receber o concerto de Jóhann Jóhannsson, que apresentará um espectáculo de fusão entre a música de câmara e orquestral com electrónica e que conta com a participação de Hildur Gudnadottir e Matthias Hemstock. Em Outubro acturão os Faust, banda germânica que recentemente lançou um novo trabalho, Faust Is Last. Wildbirds & Peacedrums e o trio Daniel Carter, William Parker & amp; Frederico Ughi também estão confirmados.
Apesar do título e da muita especulação que se tem criado em torno dele, este não será o último disco dos germânicos Faust. Quem o diz, são os próprios. Faust Is Last, é um longo registo que ultrapassa a hora e meia de duração, com 22 temas, ou melhor, encontra-se dividido em 22 partes. Na verdade, e na boa tradição dos Faust, as melodias entrelaçam-se entre si ao longo de vários temas, sendo a sua separação algo artificial e até desnecessária.
As ideias apresentadas no álbum são variadas, indo do “tradicional” rock de garagem, com o seu som áspero, passando pelas suaves melodias que partem de simples ruídos. Claro está que isto é uma tentativa de classificar o que por natureza é inclassificável, porque nenhum trabalho da banda germânica se pode atribuir rótulos de forma simples. O som dos Faust sempre se caracterizou pela amálgama de ideias e de conceitos criativos que fogem aos esquemas que os comuns dos mortais estão habituados a produzir e a ouvir. Para quem pensa que com a idade as ideias originais vão rareando, então têm que ouvir este novo disco. Faust Is Last não é propriamente um Faust IV, um Faust Tapes ou um Faust So Far, principalmente porque segue caminhos diferentes e apresentas outras ideias. A primeira sensação que fica da primeira audição é de que não estamos perante um trabalho coeso e de que é necessário ouvir mais vezes o disco.
A música é extremamente cerebral (como em tos os seus discos) apesar das batidas sincopadas e dos gritos que surgem de forma avulsa. Mesmo quando os temas apresentam a estrutura de canção “tradicional”, existe algo na sua linha melódica que complexifica toda a estrutura que nos conduz subtilmente para os cantos mais recônditos do nosso cérebro. E é isso que os Faust sabem fazer, e bem. Talvez a melhor forma de ouvir este discos (e porque não todos os outros dos Faust) seja num estado de alienação alucinogénica, talvez o mesmo estado que estariam os músicos quando gravaram os álbum… Habilmente, os Faust utilizam nos seus temas as duas características mais evidentes do que normalmente é apelidado Krautrock: a repetição até à exaustão, e a construção de novos sons. A estrutura musical com estas duas componentes podem parecer incompatíveis (e são na maioria das novas bandas que se dizem inspiradas pelo kraut), mas que aqui resulta quase na perfeição e da forma mais simples. Os Faust fogem aos enfeites artificiais, deixado a ideia fluir de forma natural até atingir a sua conclusão por si só. Onde a maioria das bandas se lançariam em furiosos improvisos, os Faust atiram sons e notas dissonantes em estruturas melódicas que por vezes são (diria) ridiculamente simplistas. Mas é essa capacidade de apanhar o ouvinte desprevenido que torna o som destes germânicos grandiosos e únicos no panorama musical. E são assim há 40 anos.
Tracklist: Henry Spenncer.The Shelter Days Electric Orange.Wurmloch Shub-Niggurath.1 Pharaoh Overlord.Slow City Sun O))) & Boris.Etna Æthenor.I Faust.Brumm and Blech Faust.Imperial Lover
É hoje posto à venda na Alemanha, e em Maio no resto do mundo, o novo disco dos germânicos Faust. É possível ouvir alguns temas no novo trabalho na página oficial do disco no Myspace, bem como o vídeo do tema Babylon.
Faust is Last será o nome do próximo disco da banda germânica Faust. A sua edição está prevista para o próximo mês de Abril, sendo no entanto possível fazer a pré-encomenda do duplo álbum aqui.
Este novo registo dará lugar a uma digressão, a "Stop Faust Now!" que passará por Portugal no dia 19 de Junho, em local a anunciar.
A editora Soul Jazz vai editar uma antologia com os maiores nomes do "kraut rock". Discussão à parte sobre a designação, a Soul Jazz editar num duplo CD e quadruplo vinil, de seu nome Elektronsiche Musik – com o subtítulo Experimental German Rock and Electronic Music 1972-83, que inclui bandas germânicas como os Amon Duul, Can, Harmonia, Popol Vuh, La Düsseldorf, Faust, Neu!, Dieter Moebius, Cluster, Tangerine Dream e Roedelius. De fora desta antologia ficam os Kraftwerk, provavelmente, a banda alemã mais conhecida, e que no fundo sintetizou num som único todas as influências sonoras e criativas de uma Alemanha em transformação.
Krautrock: The Rebirth of Germany foi exibido na semana passada na BBC4 e traça o percurso de uma geração de músicos que criou uma nova identidade musical sobre as ruinas da Segunda Guerra Mundial. Entre 1968 e 1977, bandas como os Neu!, Faust, Can, Amon Duul e Kraftwerk criaram músicas que transcenderam as barreiras do som ocidental para criar algo original e descomprometido com o passado recente da Alemanhã. O documentário têm a duração de uma hora e para o ver basta fazer o download das 3 partes. Ou então podem ver na integra neste video.
Jean-Hervé Peron/art-errorist (membro fundador dos Faust), actuou com Bagio, no fesival POINTS EPHEMERES FILM FESTIVAL, uma actuação unica, tendo sido, felizmente, filmado. Esse filme foi recentemente apressentado no festival "Filmer la musique", em França.
Infelizmente só posso colocar aqui o video de apresentação do filme, mas garanto que mesmo assim, merece ser visto.
O companheiro de andanças André Gomes do Bodyspace, teve o privilégio de realizar uma entrevista a Jean-Hervé Péron, fundador da banda germânica, Faust. Nessa entrevista, o músico revelou que brevemente irão lançar um novo trabalho, o sucessor do recente C'est Com...Com...Complique, terá o nome, 10. Podem ler a entrevista aqui.
Os Faust estão no imaginário colectivo dos apreciadores do krautrock, ou do progressivo ou do avant-gard, ou como quiserem apelidar a música da formação germânica dos anos 70. Este colectivo caracterizou-se pela busca, e invenção sonora, a par de outras formações suas conterrâneas, como os CAN, os Kraftwerk, os Tangerine Dream, os Cluster, entre outros, sendo no entanto, na minha opinião, a que mais aprofundou o espírito experimental. Os Faust, são ainda hoje uma referência no panorama musical, sendo os quatro primeiros discos verdadeiras obras-primas. No final da década de 60, os Faust surgiram de uma geração de jovens alemães que fizeram renascer a produção cultural do país abalado por todas as questões relacionadas com o nacional-socialismo e todas as consequências que dai advieram. A nova geração de músicos foi muito influenciada pelo pioneirismo de Karlheinz Stockhausen e pelo movimento psicadélico britânico, tendo encontrado a ai a oportunidade de retomar um movimento criativo e experimental que foi interrompido pelo nazismo.
Agora, um novo disco. Coloca-se a pergunta inevitável, fará sentido, ainda, a existência dos Faust nos dias de hoje? Da formação original somente subsistem dois membros, o baterista Zappi W. Diermaier e o guitarrista Jean-Hervé Perón. Confesso que tinha muitas reticências sobre o novo trabalho muitas duvidas sobre a capacidade criativa destes velhos gurus e sobre se seriam capazes ao fim de este tempo conseguirem transgredir mais uma vez a linguagem do rock. Um facto é bem assente, este é o disco que mais vezes ouvi este ano, tendo descoberto sempre pequenos pormenores, ou provocações (explico mais adiante) em cada audição. Este é um daqueles disco que deve ser ouvido várias vezes e com “ouvidos de gente”. Por ventura esta música não seja tão transgressora como o foi nos anos 70, julgo mesmo que não terá sido a ideia principal dos seus criadores. Mas verdade seja dita, tendo em conta o panorama actual da música dita experimental, estes Faust sobressaem, e de que maneira. É bem verdade que o rock evoluiu e no espectro experimental existem nomes que fazem jus ao carácter destrutivo e revolucionário do género, como Wolf Eyes, NNCK, Keiji Haino, Matthew Bower, NWW, entre outros, mas os Faust não lhes ficam atrás, chegando mesmo a apontar (ou repontar) alguns caminhos. É usual afirmar que a idade é um posto, e neste caso isso é bem verdade, pois a experiencia musical permite evitar os clichés por eles próprios criados, mantendo contudo a veia provocadora e burlesco que a banda sempre cultivou. Os sons vocais (julgo que não se pode afirmar que eles cantam!), sempre falados, representam um desinteresse total pelas convenções musicais. Temas como Stimmen, com vozes e grunhidos levados ao estremo e Petits Son Appétissants, uma bela provocação com o formato tradicional da “chanson française”, marcam bem a intenção pretendida. É no entanto com C’est Com Com Complique, a faixa titulo, que os Faust actuais mais se aproximam dos Faust de há trinta e tal anos. Ai encontramos a irreverência e a amálgama de estilos que eram os Faust, do free jaz à música concreta. Nessa faixa eles atingem a música sem amarras, livre dos formalismos canónicos que abundam no éter. Se tudo o resto não fosse por si só para poder afirmar que estamos perante um dos grandes discos de 2009, este tema eleva este álbum para um dos fundamentais dos últimos anos, diria mesmo da década. Já lá diz o ditado, que velhos são os trapos, e é bem verdade, pois estes senhores que já não vão para novos, ainda dão cartas e dão mostras do que é ser verdadeiramente criativo e provocador, próprio de um espírito jovem. E quanto à pergunta colocada em cima, sim, ainda faz sentido a existência destes Faust e que vivam muitos e bons anos com esta irreverência…