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terça-feira, agosto 03, 2010

Festival de Músicas do Mundo de Sines 2010

Decorreu na passada semana a 12ª edição do Festival de Músicas do Mundo de Sines. Se é sempre difícil fazer comparações entre as diversas edições, mais o é quando este ano o festival sofreu uma redução de dias. Como já foi amplamente mencionado, a crise também chegou ao FMM, obrigando à contenção de custos e consequentemente à redução de concertos e de dias. Julgo no entanto que a qualidade geral não foi afectada, fazendo jus ao título atribuído por muito boa gente, de “melhor festival” realizado em Portugal. Este ano a novidade consistiu nos concertos gratuitos no castelo realizados antes do habitual espectáculo de fim da tarde na Av. da Praia.

A minha visão sobre a edição deste ano carece do facto de não ter assistido a todos os concertos, pelo que a análise é parcial. Pelo lado positivo destaco os concertos do grupo nova-iorquino Barbez, do quarteto bretão Jacky Molard com o trio maliano Founé Diarra, e do grupo finlandês Wimme. Pelo menos positivo, ou seja, pelo lado menos interessante, destaco os concertos da chinesa Sa Dingding que parece ter saído do festival da Eurovisão (não é por encaixar instrumentos tradicionais em orquestrações de pop baratuxa que torna a coisa mais interessante) e dos timorenses Galaxy, com um reportório entre o reggae e o metal, igual a qualquer banda de bairro.

Os Barbez sendo praticamente desconhecidos entre nós, apresentaram uma música rica em texturas e em pormenores, fundido jazz experimental com um rock elaborado, parecendo em determinados momentos estarmos perante uns GY!BE ou uns Silver Mt. Zion. Não posso deixar de salientar a qualidade sonora, que permitiu ouvir os pormenores deliciosos do instrumento theremin (que por aqui já falei).

Jacky Molard conseguiu uma proeza que muitos consideravam impossível; conjugar a música bretã com as melodias malianas. O quarteto de Jacky Molard juntou-se com o trio Founé Diarra e apresentaram um momento inesquecível a um público deliciado, até mesmo para um dos operadores de câmara que dançou de forma efusiva durante o concerto. Igualmente do Mali, os Tinariwen apresentaram um espectáculo competente, não muito efusivo, mas que apesar de já terem actuado em Portugal por diversas vezes, foi a primeira no FMM. O público agradeceu e “obrigo-os” a tocaram dois encores.

Wimme, oriundos da Finlândia, trouxeram a voz do povo Sami para um fim de tarde quente. Aliás, a voz esteve em destaque neste festival, onde Lole Montoya e Yasmine Levy conseguiram “agarrar” um público por vezes mais dado a outros ritmos. Por último, os Staff Benda Bilili, que apesar das suas debilidades físicas, transpuseram uma energia impressionante para o público.

Podem ver mais algumas fotografias do festival em Hall of Mirrors.

terça-feira, julho 27, 2010

A festa está quase a começar

A festa maior das músicas do mundo está prestes a iniciar. Em Sines, começa amanhã a 12ª edicção do maior festival de músicas do mundo.


28 de Julho (quarta)

Vitorino e Janita Salomé com Grupo de Cantadores de Redondo (Portugal), Castelo, 18h30
Cacique’97 (Moçambique / Portugal), Av. Vasco da Gama, 20h00
Nat King Cole en Espagnol (EUA / Cuba / Portugal), Castelo, 22h00
Las Rubias del Norte (EUA), Castelo, 23h30
Céu (Brasil), Castelo, 01h00
Novalima (Peru), Av. Vasco da Gama, 03h00

29 de Julho (quinta)

34 Puñaladas (Argentina), Castelo, 18h30
Wimme (Finlândia / Povo Sami), Av. Vasco da Gama, 20h00
Yasmin Levy (Israel), Castelo, 22h00
N’Diale – Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio (Bretanha / Mali), 23h30
The Mekons (Reino Unido / EUA), Castelo, 01h00
Grupo Fantasma (EUA), Av. Vasco da Gama, 03h00

30 de Julho (sexta)

Kimi Djabaté (Guiné-Bissau), Castelo, 18h00
The Rodeo (França), Av. Vasco da Gama, 19h30
Barbez (EUA), Castelo, 21h30
Sa Dingding (China), Castelo 23h00
Tinariwen (Mali / Sahara), Castelo, 00h30
Forro in the Dark (Brasil), Av. Vasco da Gama, 02h30
Bailarico Sofisticado convida Selecta Alice (Portugal), Av. Vasco da Gama, 04h00

31 de Julho (sábado)

Guadi Galego (Galiza), Castelo, 18h00
Galaxy (Timor-Leste), Av. Vasco da Gama, 19h30
Lole Montoya (Espanha), Castelo, 21h30
Cheick Tidiane Seck feat. Mamani Keita (Mali), Castelo, 23h00
Staff Benda Bilili (R. D. Congo), Castelo, 00h30
U-Roy (Jamaica), Av. Vasco da Gama, 02h30
Batida (Portugal / Angola), Av. Vasco da Gama, 04h00

quarta-feira, junho 16, 2010

Cartaz completo do FMM Sines 2010

"O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo prepara-se para voltar a surpreender os espectadores com os 26 espectáculos da sua 12.ª edição, marcada para quatro intensos dias de música – 28, 29, 30 e 31 de Julho de 2010 – nos palcos do Castelo medieval e da Praia Vasco da Gama, em pleno coração do centro histórico de Sines.

Os congoleses Staff Benda Bilili, o mais premiado grupo do ano, a lenda do reggae U-Roy, The Mekons, banda britânica que partiu do pós-punk para a fundação do movimento alt-country, e Tinariwen, expoente contemporâneo dos blues do deserto, são alguns destaques da programação.

Menção especial ainda às norte-americanas Las Rubias del Norte e aos timorenses Galaxy, que fazem em Sines a sua estreia europeia, e aos vários projectos que pisam no FMM pela primeira vez palcos nacionais, conjunto em que se incluem o fenómeno brasileiro Forro in the Dark, uma das maiores “cantaoras” do flamenco, Lole Montoya, os peruanos Novalima, o “joiker” finlandês Wimme e a mais subversiva orquestra latina da actualidade, Grupo Fantasma.

Programa da festa:

28 de Julho (quarta-feira)
Em 2010, cabe a Vitorino e Janita Salomé, na companhia do Grupo de Cantadores do Redondo, iniciar o alinhamento de concertos com um espectáculo na quarta-feira, dia 28 de Julho, às 18h00, no Castelo. É um espectáculo que faz a sua estreia absoluta no FMM, com modinhas alentejanas reinventadas por António Lobo Antunes. É também a estreia dos concertos vespertinos no Castelo, que ao longo do FMM 2010 permitirão ao público desfrutar de uma das horas em que este palco tem maior beleza cénica, o cair da tarde, em espectáculos de entrada livre.

A Vitorino segue-se a banda luso-moçambicana Cacique ’97, que actua às 19h30, no palco da Av. Vasco da Gama, marginal da praia do mesmo nome. Uma das grandes revelações recentes da música feita em Portugal, Cacique’97 celebra a mestiçagem lisboeta através do cruzamento do afrobeat de Fela Kuti com várias tradições lusófonas.

Às 21h30, o palco do Castelo recebe o projecto Nat King Cole en Espagnol. Dirigido pelo saxofonista e director David Murray, figura central do jazz contemporâneo, celebra a veia latina da obra de Nat King Cole com a participação de um grupo de elite de músicos cubanos e da Sinfonieta de Sines, uma orquestra de cordas formada no seio da Escola das Artes de Sines. Trata-se de um concerto integrado no Programa de Regeneração Urbana de Sines.

Às 23h00, é a vez das nova-iorquinas Las Rubias del Norte, que fazem em Sines a sua estreia em palcos europeus. Com “Ziguala”, o disco que lançaram em Março, na bagagem, mostram a sua visão de como seria hoje a expressão global da música se a revolução do rock n’ roll não tivesse derrubado o poder latino de meados do séc. XX.

Na melhor tradição da MPB, em diálogos com o reggae e a música electrónica, Céu é uma estrela da nova música brasileira, aclamada pela crítica e responsável pela melhor posição de um artista brasileiro na tabela principal da Billboard desde Astrud Gilberto, nos anos 60. Às 00h30, mostra no palco do Castelo o seu novo disco, “Vagarosa”.

O primeiro dia de música termina na praia, no palco da Av. Vasco da Gama, às 02h30, com Novalima, projecto peruano que junta um grupo de músicos da nova geração aos melhores músicos tradicionais da comunidade negra para trazer para as pistas música de dança assente na rica herança afro-peruana. É uma estreia em Portugal.

29 de Julho (quinta-feira)
Na quinta-feira, 29 de Julho, o concerto vespertino do Castelo (18h00) traz-nos tango. O quinteto argentino 34 Puñaladas regressa a Sines para apresentar “Bombay Bs.As.” (2009), um dos discos do género mais aclamados dos últimos anos.

A seguir, com o sol ainda a pôr-se no horizonte, o público desce à praia para ouvir o finlandês Wimme. Revelação dos “charts” europeus de música do mundo em 2010, com o disco “Mun”, o “joiker” Wimme Saari e o seu grupo transportam para o palco da Av. Vasco da Gama o poder xamânico do canto do povo Sami, num concerto marcado para as 19h30. Estreia nacional.

A segunda noite de música no Castelo arranca às 21h30 com uma grande diva das músicas do mundo. Considerada uma das melhores cantoras do Médio Oriente, a israelita Yasmin Levy promove o encontro entre a música de tradição judaico-espanhola e o flamenco. O repertório do seu último disco, “Sentir” (2009), estará em evidência.

Às 23h00, é a vez de uma aposta do FMM 2010, o projecto de fusão N’Diale, onde o quarteto do violinista Jacky Molard, um dos maiores músicos bretões, se junta ao trio da cantora maliana Founé Diarra num espectáculo acústico de excelência. O disco de estreia, que tem o nome do projecto, foi lançado em Março, e será a base do espectáculo. Mais uma estreia em Portugal.

Às 00h30, sobe ao palco uma banda que marca a música popular dos últimos 35 anos. Grupo de vanguarda do pós-punk e, numa segunda vida, fundadores do movimento alt-country, os britânicos The Mekons são conhecidos pelas suas grandes apresentações ao vivo e este concerto já deverá trazer canções do seu 27.º disco, a lançar nos próximos meses.

Como de costume, a música acaba na praia, às 02h30. Do Texas para o mundo, Grupo Fantasma, a mais subversiva orquestra latina da actualidade, “versão séc. XXI do groove latino” (Boston Globe), faz a festa com a sua mistura explosiva de “latinidad”, jazz, funk e rock psicadélico, bem patente no seu quinto disco “El Existencial”, que editaram em Maio. É a primeira vez que actuam em Portugal.

30 de Julho (sexta-feira)
Sexta-feira, dia 30, a música começa com Kimi Djabaté, às 18h00, no Castelo. Um dos artistas emergentes do circuito das músicas do mundo, o cantor e guitarrista guineense sobe ao palco com o disco “Karam” na mão para demonstrar por que está a conseguir colocar a Guiné-Bissau na 1.ª divisão do panorama competitivo da música de tradição mandinga.

Responsável por “Music Maelström”, um dos discos surpresa de 2010, a jovem artista francesa Dorothée (que tem no anagrama The Rodeo o seu nome artístico) apresenta, às 19h30, no palco da praia, uma reinterpretação muito pessoal da grande tradição musical norte-americana.

Às 21h30, no Castelo, o guitarrista nova-iorquino Dan Kaufman e a sua banda Barbez, formada em 1997 por músicos com um percurso no jazz, no rock e na música clássica, oferecem um espectáculo com música de ambientes nocturnos que busca inspiração em referências tão diferentes quanto Kurt Weill, Black Sabbath e Godspeed You! Black Emperor.

Considerada a melhor artista asiática nos prémios da BBC Radio 3 em 2008, Sa Dingding é uma das vozes mais importantes da música chinesa contemporânea com raízes na tradição. O álbum que a traz ao FMM, “Harmony” (2009), centra-se na relação entre os homens e a natureza e junta as raízes chinesas com a música electrónica. A descobrir a partir das 23h00.

Os tuaregues malianos Tinariwen hipnotizam o Castelo às 00h30. Superando Bob Dylan, Animal Collective e Grizzly Bear, entre outros, para conquistar o prémio da revista Uncut para melhor disco de 2009, “Imidiwan”, a mais genial banda do deserto do Sahara faz a síntese entre as músicas da África Ocidental e do Magrebe, o rock e os blues.

A noite continua às 02h30, na praia, com mais uma estreia nacional. Formado por quatro músicos brasileiros a viver em Nova Iorque, o grupo Forro in the Dark abriu os horizontes do forró nordestino, cruzando-o com o dub, o indie rock, o funk e outras músicas para produzir um som que já é um fenómeno global. O disco “Light a Candle” (2009) é o prato forte.

Às 04h00, o palco da praia encerra com o trio de DJ’s português Bailarico Sofisticado, conhecido pelos seus “sets” eclécticos, onde as músicas do mundo dialogam sem complexos com outras vertentes da música popular, numa presença que é já habitual nas noites de dança do FMM. A DJ Selecta Alice é sua convidada em 2010.

31 de Julho (sábado)
O último dia do FMM 2010 começa no Castelo, às 18h00, com Guadi Galego. Autora de “Benzón”, vencedor do prémio de disco folk do ano nos prémios Opinión da Música, em 2009, a antiga cantora dos Berrogüetto, grupo de referência da folk europeia, é a grande voz galega da nova geração.

Na praia, o concerto das 19h30 é especial. Mistura de ritmos tradicionais do povo Fataluku, clássicos da resistência, reggae, rap, funk e rock, Galaxy é o grupo mais importante da música moderna timorense e faz a sua estreia portuguesa e europeia em Sines, com o alto patrocínio da Presidência e do governo de Timor-Leste.

Uma das maiores “cantaoras” da história do flamenco, par de Manuel Molina no duo mítico Lole y Manuel e no arranque do movimento Novo Flamenco, Lole Montoya apresenta no FMM o seu projecto a solo, no Castelo, a partir das 21h30. “Metáfora”, o seu disco mais recente, nomeado para um Grammy latino, é a base do alinhamento. Estreia em Portugal.

Às 23h00, o maliano Cheick Tidiane Seck, o maior teclista da música africana, além de um excelente cantor e guitarrista, junta-se a Mamani Keita, uma das melhores vozes do seu país, numa fusão entre as raízes mandingas e a música afro-americana, do jazz à música soul e ao hip-hop. O disco “Sabaly” (2008) é o ponto de partida do espectáculo.

Às 00h30, o Castelo recebe, mais do que um concerto, um acontecimento. Formado por músicos de rua paraplégicos, o grupo congolês Staff Benda Bilili, Prémio Womex 2009, é uma das grandes revelações da música africana da última década. Considerado o grupo do ano pela revista Songlines, apresentam em Sines as canções de “Très Très Fort”, o melhor disco editado em 2009 na opinião das publicações de referência fRoots e Mojo. Estreia nacional.

A apoteose de Staff Benda Bilili prolonga-se no palco da praia. Depois de ter acolhido nomes como Black Uhuru feat. Sly & Robbie, The Skatalites e Lee ‘Scratch’ Perry, o FMM prossegue a sua história ilustrada do reggae, às 02h30, com U-Roy, o expoente máximo do “toasting”, o estilo artístico de DJing que o colocou entre os grandes da música da Jamaica.

Ainda na praia, às 4h00, o projecto luso-angolano Batida, nascido no seio do colectivo Radiofazuma, leva a dança até ao sol nascer. O milagre mais recente da produção afro-lusitana, Batida traz para o século XXI a melhor música angolana dos anos 60 e 70 e proporciona o encerramento perfeito para o 12.º Festival Músicas do Mundo.

Os bilhetes para as noites de música no Castelo (a partir das 21h30) custam 12,5 euros por dia, com opção de aquisição de passe de 40 euros para os quatro dias. Todos os concertos na Av. Vasco da Gama são de entrada livre, o mesmo acontecendo com os quatro concertos das 18h00 no Castelo. "

quarta-feira, junho 02, 2010

Mais nomes para o FMM de Sines

Aos nomes já anunciados juntam-se agora os U-Roy, Tinariwen e Cheick Tidiane Seck feat. Mamani Keita.

Após a revelação de que o festival terá menos dias, realizando-se apenas em Sines, estes são os nomes (até ao momento) que farão parte do cartaz: Staff Benda Bilili; Forro in the Dark; The Mekons; Sa Dinding; Yasmin Levy; Grupo Fantasma; Céu Brasil; Novalima; Las Rubias del Norte; U-Roy; Tinariwen, Cheick Tidiane Seck e Mamani Keita.

sexta-feira, maio 21, 2010

A crise chegou ao FMM de Sines

A crise também chegou ao Festival de Músicas do Mundo de Sines. Os concertos previstos para o palco de Porto Covo foram cancelados com vista a contenção de custos por parte da autarquia de Sines. Assim, o festival terá inicio no dia 28 de Julho, quarta feira, em Sines, mantendo-se os concertos anunciados para o Castelo e para a Av. da Praia.

Comunicado da Câmara Municipal de Sines:

A Câmara Municipal de Sines, entidade organizadora do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2010, informa que foi decidido o cancelamento do palco de Porto Covo nesta edição.

A decisão tem como efeito imediato o avanço do início do festival para 28 de Julho, quarta-feira, em Sines, passando as datas do evento a ser 28, 29, 30 e 31 de Julho.

Esta alteração não afecta os concertos já anunciados para o Castelo e a Av. Vasco da Gama.

O cancelamento do palco de Porto Covo e, em paralelo, a introdução de medidas de gestão para tornar mais eficiente a realização do evento em Sines, inserem-se num plano de contenção de custos da autarquia motivado pela quebra de receitas agravada pela crise nacional e internacional que atinge actualmente um momento de especial gravidade.

A organização procurou uma solução que garantisse o cumprimento das datas e do modelo inicialmente anunciado, mas tal não se mostrou possível no seu actual quadro financeiro.

Nesta conjuntura, o esforço foi direccionado para diminuir os custos inerentes à dispersão de palcos e à longa duração, eliminar as despesas de produção que não afectam o resultado artístico e concentrar os meios no essencial: um programa que, embora mais curto, terá no seu alinhamento de concertos toda a qualidade e impacto positivo a que o público do FMM está habituado.

A Câmara Municipal de Sines pede a devida compreensão a todos e em particular aos participantes no festival em Porto Covo, assim como à população e comerciantes da freguesia, tendo em conta as suas expectativas.

segunda-feira, março 22, 2010

Mais 4 nomes para Sines

Foram divulgados mais quatro nomes para a edição 2010 do Festival de Músicas do Mundo de Sines.

Sa Dingding é uma das figuras mais representativas da música chinesa contemporânea. Actua no Castelo de Sines, no dia 30 de Julho. "Com mais de dois milhões de álbuns vendidos só no Sudoeste Asiático, Sa Dingding é também uma das raras artistas chinesas com uma carreira internacional, tendo vencido a categoria de melhor artista asiática nos prémios de world music da BBC Radio 3, em 2008, na sequência da edição de “Alive”, o seu primeiro disco com edição mundial."





Guadi Galego é uma das cantautoras em maior destaque na nova geração da música galega. Sobe ao palco do Auditório do Centro de Artes de Sines no dia 26 de Julho. "Guadi Galego começa a sua carreira estudando música no Conservatório da Coruña e música tradicional em diversos grupos da região. Em 1997 ingressa nos Berrogüetto, banda onde passou 10 anos como cantora e gaiteira e em cujo seio obteve grande reconhecimento internacional, com destaque para uma nomeação para os Grammy latinos em 2002, entre vários galardões europeus, espanhóis e galegos. Depois de 2009 ter pisado o palco do Castelo de Sines como convidada de Uxía Pedreira, Guadi Galego volta ao FMM para um concerto a solo no Auditório do Centro de Artes de Sines."

Yasmin Levy, cantora israelita é considerada uma das melhores cantoras do Médio Oriente. O palco do Castelo de Sines é seu no dia 29 de Julho. "Nascida em Jerusalém, em 1975, filha de um profundo conhecedor de 500 anos de repertório da tradição ladina, Yasmin Levy usa a música dos judeus sefarditas da Península Ibérica como base das suas canções desde o seu primeiro álbum, “Romance & Yasmin” (2004).

No seu segundo álbum, “La Judería” (2005), continuou a transformar as canções ladinas, mas começou a fazer experiências com o flamenco (que viria a estudar em Sevilha), num cruzamento entre a pureza e o romantismo da música judaica e a paixão do flamenco que ainda hoje define a sua identidade musical e que viria a merecer a aclamação da crítica internacional, com duas nomeações para os prémios de world music da BBC Radio 3.

Depois de outro álbum de originais de grande sucesso editado em 2007, “Mano Suave”, vem a Sines na sequência do lançamento de “Sentir” (2009), o seu trabalho mais maduro até ao momento, com produção de Javier Limón."





Lole Montoya é uma das vozes mais importantes da história do flamenco, que estará presente no palco do Castelo, no último dia do evento, 31 de Julho. "No seio da dupla que durante anos formou com Manuel Molina (Lole y Manuel), Lole Montoya esteve na vanguarda do Novo Flamenco, o movimento que, a partir dos anos 70, abriu novos horizontes para o género mais representativo da música espanhola.

Nascida em Triana, Sevilha, em 1954, numa família de grandes tradições flamencas (o pai era “bailaor” e a mãe era “cantaora” e bailaora”), Lole Montoya pisou os “tablaos” de maior prestígio desde muito pequena.

Em 1975, Lole e o seu então marido, o guitarrista e compositor Manuel Molina, gravaram um disco de estreia que iria ajudar a transformar a face do flamenco. “Nuevo Día” deu corpo sonoro ao processo de modernização que se operava em Espanha (Franco morre no mesmo ano) e mostrou como o flamenco se podia abrir a novas temáticas poéticas e ao diálogo com outras músicas."








segunda-feira, março 01, 2010

Festival de Músicas do Mundo de Sines: os primeiros nomes

O Festival Músicas do Mundo já tem data marcada, irá decorrer entre os dias 23 e 31 de Julho de 2010. A distribuição dos concertos pelos diferentes palcos na 12.ª edição do FMM é semelhante à dos anos anteriores: três dias em Porto Covo (23 a 25 de Julho), dois dias com concertos no auditório do Centro de Artes de Sines (26 e 27 de Julho) e quatro dias com música nos palcos do Castelo e da Avenida Vasco da Gama (28 a 31 de Julho).

Já são conhecidos dois nomes do cartaz: os britânicos, The Mekons; e o grupo congolês, Staff Benda Bilili.

"O grupo britânico The Mekons nasceu em Leeds em 1977, ao lado de bandas como Gang of Four e Delta 5, no seio do movimento pós-punk. A primeira fase da carreira da banda acompanhou as tendências dominantes da música inglesa e embora tenham tido diversas formações, o coração criativo constituído pelos guitarristas, vocalistas e compositores Jon Langford e Tom Greenhalgh manteve-se intacto desde o início. Em 1985, a banda ganhou uma segunda vida com o lançamento do álbum “Fear and Whiskey”. Já com uma formação que inclua a cantora Sally Timms, a violinista Susie Honeyman, o acordeonista Rico Bell, o baterista Steve Goulding e o multi-instrumentista Lu Edmonds, entre outros, The Mekons aproximaram a sua música das raízes folk inglesas e da country norte-americana, dando início ao que viria a ser designado por alt-country, movimento que, desde os anos 90, tem revelado alguns dos melhores músicos da música alternativa (um deles, Will Oldham, tem aliás uma canção de tributo ao grupo inglês, “For The Mekons et al”). Hoje já com 26 álbuns gravados, o último dos quais “Natural” (2007), um regresso acústico às raízes folclóricas inglesas, o octeto mantém a reputação de uma das melhores bandas do mundo em espectáculos ao vivo, ajudada por um tempero reggae surpreendente em algumas das canções e pelo humor e a veia política que sempre ofereceram substância ao seu repertório. Quando subirem ao palco do Castelo de Sines na noite de 29 de Julho já deverão apresentar canções do seu novo disco, a lançar nos próximos meses".



"Vencedor do melhor disco de world music de 2009 em várias publicações, o grupo congolês Staff Benda Bilili actua no Castelo de Sines, na noite de 31 de Julho. Um dos maiores casos de sucesso das músicas do mundo no último ano e uma das maiores revelações da música africana da última década, o grupo Staff Benda Bilili nasceu no jardim zoológico de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, formado por músicos paraplégicos, vítimas de poliomielite em crianças, que dormiam e ganhavam a sua vida na rua cantando e tocando para os transeuntes. O seu álbum de estreia, “ Très Très Fort” (Crammed), gravado no zoo de Kinshasa por Vincent Kenis, produtor de Konono n.º 1, Kasaï Allstars e de toda a série Congotronics, chegou ao 1.º lugar da World Music Charts Europe em Maio de 2009, foi considerado o melhor do ano pela bíblia do género, a revista fRoots, e foi eleito o melhor álbum de “world music” de 2009 pela Mojo, uma das mais consagradas revistas de música popular. A digressão europeia que se seguiu ao lançamento do disco mereceu críticas elogiosas em publicações de referência de todo o continente, incluindo The Guardian, The Independent e NME. Musicalmente, Staff Benda Bilili é uma mistura tipicamente congolesa de ritmos tradicionais, funk e a versão local da rumba. Os músicos cantam, dançam e tocam em guitarras e instrumentos criados pelos próprios com os objectos que encontram na rua. As letras falam da doença que os colocou em cadeiras de rodas, mas sobretudo do que acontece à sua volta, as histórias das crianças sem-abrigo e dos refugiados da guerra, e são assumidas como verdadeiras crónicas da vida da capital congolesa. O prémio Womex, normalmente só entregue a músicos no final de uma longa carreira, foi-lhes atribuído em 2009 em reconhecimento do seu exemplo extraordinário de dedicação à música".